Com público pequeno – entre 3 a 4 mil pessoas – e clima super tranqüilo, o domingo do Abril pro Rock foi o dia mais cansado de todo o festival. A dispersão do público passava uma sensação forte de evento social (e não de música), salvo raras exceções quando alguns curiosos decidiam conferir o que estava rolando no palco. Com quase uma hora de atraso, o Superoutro começou a noite mostrando novo vocalista e identidade sonora (até então, as músicas sempre valorizavam mais o instrumental).
O grande momento começou cedo, na apresentação do Gram, que reuniu o maior público da noite. Com direito a coro, mãos levantadas e até tietagem pós-show. Logo em seguida, o exótico ditou regra no pavilhão do Centro de Convenções, quando o Legendary Tigerman mostrou seu blues melancólico, com leves doses de energia e pouco atraente para o perfil do festival.
Foi a mesma sensação que permaneceu na dispersada apresentação do DJ Dolores, na imagem excêntrica de Daniel Beleza (que teve o som desligado pela produção antes de acabar o tempo do show) e na estranha parceria de Arto Lindsay com Mombojó. O produtor está no processo de assinar contrato para se apresentar no Festival de Inverno de Garanhuns. A ironia ficou com o azar da Volver e do Leela, que por serem mais comuns, acabaram como os estranhos da noite.
Quem foi no domingo guardou a empolgação para o show do Orquestra Manguefônica. Repetindo a fórmula que deu certo no Rio de Janeiro, eles deixaram a pegada dub de lado e resolveram colocar o bom rock’n’roll no tom das músicas. Consagrando a presença deles, o curta O Mundo é uma Cabeça, com imagens inéditas de Chico Science, foi exibido duas vezes na noite.
Publicado originalmente no dia 19 de abril de 2005

Bruno Nogueira é pernambucano, jornalista e está no meio de um doutorado em Comunicação e Cultura Contemporânea. Escreve para jornais, revistas e tudos mais que aparece por aqui.


