Entrevista: Simoninha
Wilson Simoninha largou a faculdade de Direito já no último período para ser músico. Coisa que não se faz, a menos que você seja filho de um dos maiores talentos dos anos 60 e tenha crescido lado-a-lado com Jorge Ben Jor. Esse cenário é tão favorável na carreira de uma pessoa que ele já estreou no “Volume 2”, um disco que livra o artista de qualquer fantasma de associação com o trabalho do pai, Simonal, ou do irmão, Max de Castro. Em entrevista por telefone a Folha de Pernambuco, Simoninha fala sobre seu novo DVD, o primeiro lançado no Brasil, onde ele faz versões de Jorge Ben.
Você chegou a questionar porque não seria um DVD com suas músicas quando a MTV e a Trama fizeram a proposta?
A idéia original era fazer com minhas músicas. Mas como eu estou preparando um novo disco de carreira e acabei de vir de um projeto internacional com repertório dos meus dois primeiros trabalhos, não queria repetir o show para poder me concentrar no disco de inéditas. E eu achei a idéia da Trama muito legal, eu tenho uma ligação afetiva com a obra de Jorge desde que nasci.
Ele teve alguma participação na organização do show?
Eu fui conversar com o Jorge (Ben Jor) para ver se ele acha legal, se ele ficaria feliz com o projeto, claro. Ele sugeriu algumas músicas que entraram, mas eu quis evitar um show que saísse com a cara dele, mas sim com minha personalidade.
Então você participou da produção além da escolha de repertório?
Sim, cuidei de repertório, arranjos e conceito do show. Quem assistir vai perceber que não tem nenhum dos grandes sucessos que se espera num show de Jorge (Ben Jor), como “Chove Chuva”. Eu queria que tivesse a energia dele, mas achava interessante levar músicas menos conhecidas para um público maior.
Mas você encerra com “País Tropical”, algum motivo para abrir mão da idéia já no fim?
Naquela hora já tinham rolado mais de duas horas de show, achei que nem estavam mais filmando. Foi uma coisa do momento, da animação da hora. Eu já estava bem mais próximo do público, conversando e acabamos tocando um sucesso.
Alguma outra surpresa durante a gravação?
Eu tive menos de dois meses para preparar tudo. Dei o OK para a MTV em fevereiro e gravei já em março, não pude nem mesmo testar o show. Mas posso dizer que teve tudo que eu gostaria que tivesse. Exceto por uma música, “E as rosas ficaram todas amarelas”, que não entrou por questão de tempo.
Você pensa em aproveitar o gancho do DVD para lançar o seu primeiro, “Introducing”, lançado lá fora?
Não, acho que não é necessário. Aquele DVD era mais uma apresentação, como o nome diz. Tinham colagens de clipes, fotos, participações em programas de TV e um “making of” da gravação. É uma material legal, mas o negócio agora é esse da MTV. Vou fazer uma turnê pelo Brasil e trabalhar no disco novo. Ainda não fechamos datas porque queria apresentar ele em cidades que nunca estive, como o Recife, por exemplo.