NATAL – Foi a Retrofoguetes que declarou o começo do Festival do Sol, em Natal. E eles não precisaram falar nada, só tocar. Na verdade, a banda de surf music instrumental de Salvador, que tocou no Recife durante o Abril pro Rock, era a terceira na escalação da programação do palco oficial. Os shows mesmo começaram bem antes, às 17h, no bar Do Sol, reunindo curiosos e aglomerando o público.
Programação que é bem ousada. O Do Sol fez sua estréia com três bandas instrumentais. “Foi proposital, tem muita banda boa por aí que merece mesmo estar num festival”, declara Anderson Foca, idealizador do evento. O público observa e aprova com aplauso os shows de Fóssil e Edu Gomez.
Diferente do Mada, que aconteceu aqui em junho, o público é muito mais rock’n’roll. Mais jovem, com mais vontade de se divertir. Quando Os Bonnies, banda local, começaram a tocar, o clima da noite estava garantido.
Manter o pique que essas duas bandas criaram no palco seria complicado, mas a programação seguiu coerente. O Do Sol é um festival bem sincero, leva o nome do selo e, por isso mesmo, não tem porque esconder que 90% da escalação local é de artistas da casa. Estratégia muito bem elaborada por Foca, que trouxe para Natal imprensa especializada de todo o País para conhecer seu trabalho.
Uskaravelho, Peixe Coco e Officina são todas bandas que devem ter material lançado em breve, todas com faixa interativa com vídeos e fotos dos shows de sábado. Das três, é a última que mostra mais identidade e segurança no palco. Todas com uma presença bem forte de hardcore nas influências.
Uma perda significativa para o Festival do Sol foi a banda Volver, do Recife, que não pôde tocar. O vocalista Bruno Souto adoeceu e não conseguiu viajar para Natal. Outro ponto negativo foi a Experiência Apyus, que fez show parecido com o do Mada. Eles falam demais e cantam de menos nas letras.
Mombojó subiu no palco à 1h da manhã. Quem acompanhava era a chuva, que dispersou um pouco do público e literalmente esfriou o clima do festival. O show empolgou pouco, com exceção talvez do momento em que fizeram um cover de Nação Zumbi. A banda já está com cerca de 15 músicas novas para um próximo disco.
Quem também está com disco pronto para lançar é a Gram, a última da noite. A banda acabou de fechar contrato com a Deckdisc e, por isso, ainda não pode tocar nada novo no show. O público não se importou em ver o repertório repetido e acompanhou em coro até às 3h da manhã, quando encerraram os shows.

Bruno Nogueira é pernambucano, jornalista e está no meio de um doutorado em Comunicação e Cultura Contemporânea. Escreve para jornais, revistas e tudos mais que aparece por aqui.


