Começa amanhã a segunda edição do festival No Ar: Coquetel Molotov, no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Cerca de um ano depois do show de 2004, que trouxe para o Recife as bandas Teenage Fanclub e Hell on Wheels. Pouco tempo, já que até agora ninguém conseguiu explicar as palavras que tanto circularam na época, principalmente a tal da indie. Menos tempo ainda, se considerar que as bandas desconhecidas ainda são desconhecidas.

Este ano o perfil continua. The Kills, Berg San Niples, Dungen e Hurtmold são os principais nomes que vão fazer você se sentir desatualizado, porque todo mundo está fazendo tanto barulho por bandas que nunca tocaram na rádio, MTV ou mesmo na casa daquele seu amigo mais descolado. A programação chega junto com a do Campari Rock, evento que acontece em São Paulo e que está causando o mesmo tipo de desconforto na memória dos amantes da música por lá, que escavucam sites sobre o assunto todos os dias e ainda não conheciam os sons do lado mais estranho da Europa.

É por isso que, com apenas dois anos de criação, o No Ar: Coquetel Molotov já é o terceiro maior evento de música do Recife. Não é porque coloca a cidade no “roteiro das bandas internacionais” (ela ainda não está), mas porque coloca o Recife como alvo da música boa qualidade. E de maneira muito mais eficiente que, por exemplo, o Abril, onde quase ninguém conseguiu entender o blues do Legendary Tiger Man. O Coquetel já nasce com público certo, que vai sem conhecer, mas de ouvidos abertos, certos que vão sair de lá correndo para casa procurar mais daquilo na Internet.

É um festival que tem tudo para ser pretensioso, mas realmente não é. Se vai lá para prestar atenção na música, acontece num teatro, público sentado, clima diferente e ainda inédito no rock em Pernambuco. Parece até um porém a se pagar pelo ótima estrutura que o espaço oferece, mas são apenas coisas positivas que se somam ao No Ar. E dessas considerações modestas, a melhor é realmente que, por tão segmentado, não é um festival que quer atrair todo e qualquer ouvinte de rock da cidade. A expectativa é de até duas mil pessoas.

A organização do evento pretende superar sua maior dificuldade, que é a deslocação até a UFPE no horário da noite, com eventos paralelos no mesmo espaço. O pessoal deve chegar mais cedo para conferir shows de graça com atrações menores – mas não menos interessantes – e feira cultural, com zines, selos, exibição de curtas, quadrinhos e moda. Nada muito grande, mas que deve fazer o pessoal chegar mais cedo e se empolgar um pouco mais para ficar até de noite.

Publicado originalmente em 11.08.05

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