Goiânia Noise Festival em livro

Terra de alguns dos festivais de música independente mais legais do País, Goiânia dá aula para o Brasil em praticamente tudo que envolve esse universo. Tem os selos mais organizados e articulações que fazem uma banda do Nordeste literalmente atravessar o País para tocar lá. E agora eles dão mais um exemplo de iniciativa que o Recife poderia ter tido há pelo menos três anos, o livro “10 anos de Goiânia Noise”, biografia de um, dos tantos festivais que acontecem por lá.

Biografia não autorizada, diga-se de passagem. A estratégia do jornalista Pablo Kossa para reunir material foi, durante um ano, se encontrar com os envolvidos para tomar uma cerveja e registrar as conversas. Chegou de supetão já anunciando que estava publicando um livro com todas as histórias oficiais e não oficiais de público e bastidores do festival. Afinal, como é muito bem lembrado na orelha, “nem tudo que é legal chega no jornal”.

Mas não é um livro negativo. Pelo contrário, é uma verdadeira homenagem a toda cena independente local. Os capítulos são separados por nomes de músicas das bandas de Goiânia, recheados de diálogos, entrevistas e fotos, muitas fotos dos shows. Kossa relata os fatos em forma de narrativa, como um terceiro personagem observador de tudo que acontece.

Chega a ser um tanto irônico observar como o Recife, que continua precário em iniciativas nesse sentido, chegou a influenciar a cena de Goiânia. Um trecho do livro destaca, “Fabrício [Nobre, da Monstro Discos e organizador do evento], começou a freqüentar shows de Raimundos, Planet Hemp, Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A”.

Publicado originalmente em 29.08.05

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