Walk the Line

Walk the LineNenhuma vida cabe dentro de um filme. É o problema chave onde esbarram as cinebiografias, que precisam esticar e encurtar a sensação do espectador para que, nas duas horas de projeção, nenhuma injustiça seja feita. Quando se trata então da vida de Johnny Cash, “o homem de preto”, dono da voz e algumas das canções mais marcantes da Country Music, isso é um problema realmente grave. Essas duas horas ficam inquietantes, provocando uma necessidade de mais informação, mais detalhes e mais música. “Johnny e June”, que estréia este fim de semana nas salas do Recife, chega para provocar essa reação no público.

“Walk the Line”, título original, que é também nome da principal canção no repertório do músico, conta a história de Cash. Figura conturbada, que ainda criança assistiu o irmão mais velho morrer numa cama de hospital. Responsável pela verdadeira atitude rock’n'roll, que mais tarde se juntaria a guitarra acelerada de Elvis Presley para criar um novo fenômeno de comportamento. O melhor resumo da vida de Johnny Cash até hoje é uma foto clássica, onde ele aparece com expressão de raiva com uma dedada bem na frente do fotografo.

Cash, que faleceu em 2003, encontrou a rendenção nos últimos anos da vida. Se livrou das drogas, entrou em paz com June Carter, cantora que admirava desde criança e com que se casou. O filme é baseado na autobiografia que o músico fez nessa época e, por isso, é marcado por um tom sereno, mesmo na violência que marcou sua infância. Começa numa bucolica Arkansas, EUA, com um Johnny Cash ainda criança. Acelera na adolescência e se prende a vida adulta, quando ele entrou para o exército e, na Alemanha, começou a compor.

Suas músicas viraram favoritas entre presidiários de toda a America, porque Johnny Cash traduzia seu inferno pessoal nas letras. E nesse ponto, o filme fica forçadamente caricato. Família e primeira esposa que vivem com o único propósito de rebaixar as conquistas e sonhos do dono daquela voz grave que ganhou o país. Meio sem propósito, eles aparecem como pessoas verdadeiramente más, como um vilão de um filme recheado de clichês, que dá um sorriso quando o herói falha.

Mas o verdadeiro mérito de “Johnny June” está no trabalho dos atores, que conseguem deixar toda a história e música de Cash em segundo plano. É um produto honesto de cinema onde a diversão fica na superação de Joaquim Phoenex (Johnny) e Reese Whiterspoon (June). Numa química rara, regravaram todas as canções originais na própria e assustadora voz. Eles superam o lugar-comum da homenagem rasgada, que consegue estragar com muito melodrama obras similares, como o anterior Ray.

Cotação: [rate 4.5]
Escute: Cocaine Blues

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One comment

  1. eduardo

    crítica de cinema? vai acabar numa coletânea de críticas também…
    =]

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