
Gabriel Marques é o vocalista, guitarrista e fundador do Moptop. A história começa com ele em casa, querendo aprender a usar o protools (programa para editar música) e gravando no próprio quarto a sua voz, guitarra e programando a bateria. Da história, surgiu o Delux, que então virou Moptop.
Porque lançar um disco, já que a Internet foi tão boa para vocês?
A gente pensou muito. Muito mesmo. Engraçado que anos atrás ninguém cogitava dizer “não” para uma gravadora. Colocamos numa balança o que ganhava e o que perdia. O disco em si não daria retorno financeiro pra gente. O fonograma é da Universal, o retorno financeiro vai muito mais pra eles. E mesmo assim a gente achou que ganhávamos mais. Um disco bem lançado, além das vendas, tem o show, a camiseta, no direito autoral. Uma banda tem vários retornos. Hoje em dia não é só o disco.
E mudou alguma coisa significativa para a banda?
Para gente mudou muita coisa já. A gente nunca tinha entrado em estúdio, as baterias eram todas programadas, instrumentos ligados diretos no computador. A gente fez um disco bacana, mas com muitas limitações. Só de entrar num estúdio pelo menos a gente tinha uma escolha do que queria que fosse sujo ou limpo.
A semelhança das músicas com o Strokes pesou na hora da gravação?
A conversa rolou sim. Nós somos os primeiros a admitir a semelhança. Realmente tem, mas não é tão proposital. É complicado curtir esse tipo de som e ter o mesmo universo musical deles e não fazer algo assim. Pelo Strokes ser a primeira, claro que tem a comparação. O que faz sentido é em outro momento, outro trabalho, de repente tentar algo diferente. Não tinha para que mudar o que já tava bacana. Se ficou bom ou ruim, isso é critério de quem ta escutando.
Vocês vão ter liberdade para continuar trabalhando com Internet como antes?
Para nós, a única coisa que está mudando é não poder fazer o download gratuito. Desde a arte do disco ao clipe, a quem iria produzir, a maneira que ele sairia, nunca houve imposição. A idéia do iMusica foi da Univeral e a gente achou bacana. Não é ainda como a gente queria, mas já é um avanço.
A gente fez o hotsite do disco que dá para ouvir ele inteiro e isso é bacana, o cara pode olhar ants. Tem um making of, aliá um “faking of”, que a gente vai começar a divulgar. Queremos fazer um campeonato de pacman e dar visibilidade para nosso trabalho em inglês, já que a gente toca ele pouco.
Já que vocês estão provocando essas mudanças, como você acha que vai ser o futuro do disco?
A longo prazo, a banda vai ter que negociar diretamente com o cliente. Botar o disco inteiro e cobrar algo tipo R$ 5. Afinal você não tem custo nenhum já, então é um retorno razoável. Nem sei quanto a gravadora ganha. Eu acho que o futuro é isso, meio que você liberar por um preço muito baixo e esperar um retorno maior que não seja aquele.
Escute aqui: Seja até o fim
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Veja também:
Moptop (resenha do disco)
O Rock Acabou (clipe)
Links:
Site oficial
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Bruno Nogueira é pernambucano, jornalista e está no meio de um doutorado em Comunicação e Cultura Contemporânea. Escreve para jornais, revistas e tudos mais que aparece por aqui.



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