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Complicado, esse tal dia do rock. A mente psicodélica do bg-mor do rock Syd Barret parou de funcionar um dia antes. O Weezer anunciou que ia encerrou na noite seguinte. Me perguntaram se era um dia para as pessoas comprarem mais CDs – e, bem, eu comprei mais CDs nesse dia – mas parece mesmo que, no fim, é só um dia para lembrar esse constante ciclo de renovação que essa tal música sofre. Quem diria logo o Weezer virar o “so last year” da vez nas listas de discussões. E teve seu anúncio seguido de vários “já era hora”.

Aliás, essa palavra ‘complicado’ não sai da minha cabeça nos últimos dias. O rock tem a pose blasé mais duradoura do mundo. São 50 anos de I Don’t Care. Na lista mais pop da internet, a poplist, a preocuação maior é falar que o PCC não assusta mais. Enquanto meu pai assiste propagandas de perfume com trilhas de portished eu fico tentando pensar em como somar essa apatia, reprodutibilidade técnica e história numa dissertação que foi derrubada por falta de interesse do programa onde estudo. Era sobre crítica e rock. Agora não sei mais.

Complicado.

Super
Vocês já foram ver o retorno do Superman? Este blog apoia totalmente a causa. É um filme bonito, que fiz questão de entrar de metido na seção de imprensa onde não cabia minha presença. O tracadilho infame que ele traz é “porque o cinema precisa do superman”. Porque ele deu uma freada nessa história de super-blockbusters-x. Os efeitos especiais não são mais o centro da história, mas sim o dialogo humano que ele carrega. Os conflitos entre paternidade, responsabilidade, compromisso e respeito. No meio de tudo isso, um cara se veste de azul e ocasionalmente evita que um avião-espaçonave exploda num campo de baseball.

Isso já causou decepções. Muita gente veio da estréia (e da pré-estréia) falando que esparava mais. Uma Lois Lane magricela, enrrugada e irritante como dos filmes originais. Um Lex Luthor mais presente, que derrubasse uma criança da arvore só porque é malvado. Pretextos para que o Superman aparecesse mais vezes mostrando como é legal cuspir fogo dos olhos. O diretor deste, Bryan Singer (vocês sabem, aquela dos X-Men), foi bem respeitoso ao filme de Christopher Reeve. Ele não precisava, mas foi. O risco é criar essa platéia mal acostumada. Fica aqui um spoiler: ele não vai girar o mundo ao contrário para voltar no tempo.

Singer trabalha um conflito de maneira bem corajosa e coerente para um personagem que tem tantos fãs. E ele faz isso de maneira muito bem cuidada. Ele foi respeitoso – divertido e respeitoso – com os quadrinhos. Existem vários quadros-chave, como o do Superman no espaço ouvindo os problemas com a super audição, escolhendo atuar, que são representações identicas das melhores histórias do homem de aço. Vale a pena. São 2h34 de diversão bem dosada. Filme completo, que não carece de sequências.

Clipe
Me chamem de chato, mas eu acho um enorme desperdício tudo que a banda Backing Ballcats Barbis Vocals faz rumo a profissionalização. O último clipe, então, é um exagero de mal gosto. Não vai dar em nada. Melhor aproveitar o tempo com algo mais produtivo. Porque? Porque eu acho ruim. Não consigo levar a sério.

Com sorte, um dia eu me descubro errado.

Tempo
Por falar em perder tempo, passei a perder o meu vendo blogs russos. Não tem nada mais divertido. Eu não entendo nada, mas olha isso:

Parecia uma cena de filme de Spielberg. No espaço entre às 22h e 1h, o bar foi de vazio para totalmente lotado e, depois, para vazio de novo. Não era nenhuma atração que valia a pena, mas era a única opção decente no fim de semana. Não deu tempo nem de chegar na terceira cerveja, e a noite já tinha encerrado. Semana passada eu disse que novas opções estavam fazendo o público sair de casa de novo. Mas ninguém se sente a vontade para ficar na rua durante a madrugada. Falta segurança. Muita, ainda. Nas duas últimas semanas, tiveram dois assassinatos e uma menina ferida a tiro no Recife Antigo. O pior é esse abandono continuar mesmo em época de eleição. Pelo menos a área central do Marco Zero, a única coisa que ganhou atenção no bairro, está protegida com aquele cercado. Até agora, os candidatos só fizeram de bom os comícios com bandas locais. As bandas pegaram o dinheiro e foram embora da cidade. Talvez elas que estejam certas.

Protesto
A banda Detonautas fez um protesto no último sábado, durante a partida que deixou o Brasil de fora da Copa do Mundo. Não foi contra a seleção ou Parreira, mas pelo fim do voto secreto, respeito aos impostos, investimentos na educação, saúdo, segurança e justiça contra os crimes de colarinho branco. Vem a calhar, numa época onde a única coisa que o país consegue pensar é em futebol

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MySpace
Depois de um movimento quase internacional de usuários, o site MySpace mudou suas cláusulas. A partir de agora, ele não tem mais direito sobre as músicas que são cadastradas. O YouTube também incluiu uma “Musician Account” (conta de músico), com direitos diferenciados para quem publicar seus videoclipes.

Mombojó
O clipe da música “O Mais Vendido” do Mombojó já está na pós-produção. Vai aproveitar o pé da letra da música e mostrar um menino que quer entrar no coração da menina amada. Quem assina é a Dinamo Digital, mesma do clipe “Hoje, Amanhã e Depois” da Nação Zumbi. O vídeo será feito todo em imagens, criando um efento stop-motion.

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MQN no Recife
Ao que tudo indica, não são apenas as bandas da turnê MTV que vão tocar no Recife durante o Festival de Inverno de Garanhuns. O Novo Pina está fechando um show com a MQN, de Goiana, banda “do cara”, Fabrício Nobre, já ilustre-presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes

Escute aqui: MQN – Come into this place called hell

No estúdio
Quem deve lançar disco agora, no começo do semestre, são as bandas Matanza e Gram. Fique atento =)

Vendo o lado positivo nas coisas. Não consigo terminar de ler um dos livros mais chatos que já comprei sobre história do rock. Mas dia desses pesquei uma frase numa conversa sobre algo que eu não tinha me dado contato. Relendo o livro, tudo fez sentido.

A origem do rock é rural. Vem do blues e jazz que se tocava nas cidades-fazendas do interior americano. Existiu uma sequência cronológica da chegada do ambiente urbano. Dos sons da rua, experiências, etc, etc. Até, *bum*, Franz Ferdinand, são mais de 600 anos de troca de informações.

Mas isso não acontece no Brasil. A sequência rural nunca foi apropriada pelo rock nacional. Ficou no confuso ‘regional’ (Ivete Sangalo é regional, música baiana / Alceu Valença é regional, música pernambucana. A soma dos dois deve dar negativo).

O que aconteceu foram pessoas que assumiram, na década de 60, que o beatles era um marco zero. E passaram a evoluir a partir daí. Ou mesmo hoje em dia, pegar o Sonic Youth e rumar daí. Com raras exceções da Nação Zumbi, que remete uma estética ainda rural na evolução do seu som. Escutando o primeiro disco da banda e, agora, o mais recente “Futura” – que não tem nada de rural – existe uma lógica sonora que é quase surpreendente.

Era isso.

Mellotrons
Nas últimas três semanas pelo menos duas dezenas de emails me perguntaram quando sai o primeiro disco do Mellotrons. A resposta é: não sei. O disco está pronto. Posso apostar nesta semana ou então no show deles do Festival de Inverno em Garanhuns. Só a vontade deles que vai dizer.

Enquanto isso, clipe de slow motion:

Turnê MTV
Já está tudo fechado. Daqui tocam Volver e Ortinho. Acompanhados por Faichecleres, Ecos Falsos, Daniel Beleza, Vanguart e Zefirina Bomba. Dia 21 de julho, Armazém 14. R$ 10 inteira e R$ 5 meia. Faltou algo?

Sim. Volver, lembra né? De concurso de banda à revista Rolling Stone. Será que ainda falta algo? Novela das 8h?

Curitiba de verdade
Já têm uma chance mais concreta do Relespublica se apresentar no Recife. Quem não conhece essa banda de Curitiba, trate de fazer um mínimo esforço no Google ou ligando na MTV. O “apresenta” mais novo é com eles.


O Relespública também ficou bebado com a gente no Mada =P

Curitiba de mentira
Lúcio Ribeiro perguntou em sua coluna “existe banda inglesa mais legal que a The Rakes?”. O grupo foi escalado no confuso Curitiba Pop… Rock… aliás, Sonora Festival. A resposta, Lúcio, é “existe sim, todas as outras”.

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