Curador do Tim Festival visita o Recife – Pop up!

O Recife vai receber, nas próximas semanas, a visita de um dos curadores do gigante Tim Festival. Ele vem assistir ao festival No Ar: Coquetel Molotov e, em parte, para garimpar novidades do cenário musical do Nordeste para futuras edições do evento. Apesar da aura mega do Tim dar impressão que todo seu funcionamento interno também é na mesma proporção, a equipe que define a programação do festival é formada por apenas três pessoas. São a cineasta, diretora de videoclipes e outrora produtora do Free Jazz, Monique Gardenberg, o sociólogo Hermano Vianna e o advogado e professor Ronaldo Lemos. Este último, representante também do Creative Commons (CC) no Brasil, deu entrevista a Folha de Pernambuco sobre sua vinda.

Vale, antes de tudo, uma breve introdução. Ronaldo é, junto com Hermano Vianna, uma das cabeças pensantes do projeto Overmundo (www.overmundo.com.br). O site funciona como uma ferramenta aberta para qualquer pessoa divulgar a produção local de sua cidade. É dele o projeto de difusão do CC no País, uma nova maneira de lidar com o direito autoral, onde o autor tem o controle do que pode ou não ser feito com a obra. É também fascinado pela música pernambucana. Durante um almoço rápido no Rio de Janeiro, sua fome maior era por mais e mais nomes de bandas e músicas daqui que ele pudesse encontrar na Internet.

“Escolher bandas para um festival como Tim é uma responsabilidade extraordinária”, diz Ronaldo, que é também o membro mais novo da curadoria. “Pode parecer fácil, mas é exatamente o contrário, porque é um esforço que toma praticamente um ano inteiro”. Segundo ele, “a escolha é sempre produto de várias conversas entre a gente e resultado de assistir a milhares de shows, ler muito, pesquisar, conversar com pessoas do mundo todo, além de viagens para descobrir artistas novos”, completa.

As ferramentas de garimpagem vão além dos vários CDs e releases que eles recebem. “O próprio Overmundo tem sido usado como recurso. Só nos últimos três meses perdi a conta de coisas legais que descobri através do projeto”, comenta. Como o trio tem contato com muito material, acabam indicando nomes também para outros festivais do País. “Eu também sou responsável pelo festival ‘Criei, Tive Como!’, que foca em artistas que usam as licenças do Creative Commons”. O Media Sana, daqui de Pernambuco, já se apresentou lá.

De acordo com Ronaldo Lemos, não existem muitas regras para o trabalho da curadoria. “Não gostamos de trazer artistas que já tocaram no Brasil, mas isso não é uma regra absoluta. O Daft Punk, neste ano, por exemplo, é muito importante porque eles estão há mais de nove anos sem tocar ao vivo”, comenta. Sobre a vinda ao Recife, onde deve também participar de uma palestra sobre o Overmundo no Coquetel Molotov, ele garante: “Certamente, uma das razões pelas quais estou indo para o festival é a programação de bandas brasileiras”.

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