Show do Massacration no Português – Pop up!

É raro ver a entrada do Clube Português do Recife vazia em noites de show. Mas estava assim sábado, ainda às 22h, quando a banda Iron Maiden cover terminava sua abertura para o show do Massacration. Essa e outras contradições seriam o mote da estranha noite, que reuniu cerca de mil pessoas no clube, com faixa etária que se esforçava para passar dos 17 anos. Todos de preto e sem bermuda, como dita a regra da piada criada pela dupla Hermes e Renato do canal MTV. Sem bermuda, mas de calça jeans, claro.

A entrada do Clube era ocupada pelos pais. Uns pareciam headbangers da velha guarda. Outros pareciam fantasiados em cima da hora, para não deixar os filhos fazerem feio com os amigos. Muitos pareciam bem incomodados. Talvez porque, de longe, o som do Iron cover soava abafado. E isso aumentava o contexto confuso onde estavam seus filhos.

Considerando a função fundamental que a Iron Maiden original tem na formação de música de já quatro gerações de fã rock, parecia impossível que um tributo a eles pudesse empolgar tão pouco. Com exceção do vocalista e um guitarrista, que arriscavam animar o público um pouco além da própria música, com frases e poses de efeito. Chegava até frases engraçadas, como “no show, eles sempre falam isso”, seguido então da frase em inglês.

O grupo cover estava bem inexpressivo e constantemente olhando para o chão e as pedaleiras dos instrumentos. Fez um repertório óbvio, com sucessos que vão arrancar coro até do mais novo iniciado. Complicado para alguns fãs mais velhos que não foram para lá pelo Massacration, e se incomodaram com versões para Fear of the Dark, que vêm de uma fase menos celebrada.

A presença da velha geração entra como a segunda contradição da noite. Até então, citar Massacration na frente deles era motivo de discussão no trabalho. Mas estavam todos lá, reclamando da banda cover e esperando a atração da noite.

A terceira contradição foi a banda de brincadeira, o Massacration. Eles ensinaram a pretensiosamente verdadeira atração anterior como fazer um mis-en-cene de um show de metal. A batida eletrônica, a ceninha com joselito, todos prepararam para uma hora de palhaçada, mas no palco a banda tem realmente uma expressividade de heavy metal. Não só com as roupas, mas com caras, bocas e uma ótima presença de palco.

Não restou dúvidas que as mil pessoas, que ora se arriscavam 1.200, tinham ido lá carregados apenas do bom humor. Todos dançaram em clima de brincadeira, fizeram onda com os braços e cantaram os refrãos que faziam pouco caso deles próprios. Talvez não exista outra cena no Recife que consiga levar uma brincadeira tão bem.

Se interessar para alguém, do show que fizeram no Abril pro Rock até este, o Massacration melhorou bastante. Para quem não faz playback, a banda está cada vez mais afinada. Isso inclui também o guitarrista de apoio, que toca escondido do palco, mas também fantasiado.

Num show onde o mote é a piada, o ponto alto foi quando um garoto subiu no palco e robou a peruca do vocalista “Detonator”. O show parou, com direito a carão, e todos acabaram fazendo um esforço para encontrar o cabelo, que enfim voltou com o restante do show.

Nesse ponto, entraram também dois bonecos de ar. Igual aqueles que enfeitam postos de gasolina, só que direto do inferno. Com rosto de cavera, fazendo uma dancinha maldita que o Massacration repetia de vez em quando. A banda tocou o primeiro disco “Gates of Metal Fried Chicken of Hell”. Com tanta brincadeira, só ficou na dúvida se a frase de despedida “Recife já é nosso melhor público”, era realmente verdade.

Fotos: Guilherme Moura / Recife Rock

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