Discos – Pop up!

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Quando o coletivo Coquetel Molotov começou a organizar os primeiros shows na cidade, a referência ainda era de um bando de adolescentes agitando uma festa. Quando entrou o papo de “formação de público”, a conversa amadureceu, mesmo que pouco. Mas agora a coisa é realmente séria. Público formado, donos dos melhores elogios que a cidade ofereceu nos últimos anos, o trabalho do coletivo entra num novo nível. A formação de mercado.

Não aquele mercado local, com discos de bandas lançados com patrocínio público. O Coquetel Molotov incorpora todas as funções de um selo e lança no Brasil seu primeiro artista internacional. Hell on Wheels foi uma das bandas que tocou no primeiro festival, chamando até mais atenção que aguardada escocesa Teenage Fanclub. Eles estão de volta ao Brasil – mas não vão passar pelo Recife – numa turnê de bandas suecas. “Agora estamos mais bonitos, é verdade”, já brinca o vocalista e frontman do grupo, Rickard.

“The Odd Church” mostra uma nova fase da banda, que agora brinca mais com as próprias possibilidade de inovar o rock. “Queríamos fazer um disco que soasse mais como o power trio que somos, sem muitas bobagens no som”, comenta. “Algumas músicas foram gravadas diretamente ao vivo, então estão um pouco mais sujas que o normal”, adianta. A ‘igreja estranha’ que dá título é referência a uma que foi construída na cidade natal deles. “Ela foi um divisor de águas”, dica de Rickard sobre o que o disco vai representar.

ENTREVISTA | Rickard Lindgren, vocalista do Hell on Wheels

Você podia apresentar um pouco do Hell on Wheels, já que ela ainda não é uma banda muito conhecida no Brasil?

Hell on Wheels é uma banda bem experiente de Estocolmo (Suécia). Nos estamos tocando desde 1994, sempre dedicando nosso tempo ao grupo. Somos três (dois rapazes e uma moça) e nos fazemos músicas que grudam. Mas que grudam meeeeesmo. Power pop, indie rock, chame do que quiser. Mas nós fazemos o que sentimos vontade coma música, somos livres!

A maioria de seus fãs brasileiros conheceram a música do Hell on Wheels na Internet. Pode parecer um assunto já batido, mas vocês sentem necessidade de lançar um disco completo?

Fazer um disco completo é uma forma superior de arte, sem dúvida. Afinal, qualquer pessoa tem chance de encontrar pelo menos uma música decente. Só acho que isso não influência no formato que você vai escolher para usar. A música em MP3 tem uma vantagem em relação ao preço, mas o vinil têm um som superior ao Cd, o CD tem um som superior ao MP3. Sem falar que nada ainda é tão legal quanto os K7.

Mas eu acho que nós gostamos do desafio de fazer álbuns, sim!

Como é fazer música em Estocolmo? Vocês tem influência na cena local?

Não acho que seja diferente de fazer música em qualquer outro lugar. Mas existem várias bandas inspiradoras em Estocolmo (e em toda a Suécia) agora. A maioria delas já roubou uma ou outra música nossa, já que estávamos lá primeiro (haha!). As vezes parece que todo mundo que gosta de nossa música lá acaba montando uma banda.

Algumas bandas de rock Européias tem feito grande sucesso saindo do formato tradicional de guitarra-baixo-bateria. Isso afeta o Hell on Wheels de alguma forma?

Bem, eu acho que nós fazemos parte dessa tradição, mas não somos limitados a ela. Usamos teclados, entre outras coisas. Escutamos a muitas bandas novas e a velhas também! O que posso dizer é que para nós, tudo acontece de maneira bem natural. Não temos muita habilidade para imitar os outros, então mesmo que um dia fizéssemos algo que pareça com Lionel Ritchie, eventualmente ia parecer com Hell on Wheels.

A última vez que vocês estiveram por aqui tiveram oportunidade de conhecer muitas novas bandas. Alguma causou boa impressão?

Existe muita música legal no Brasil, nem sei por onde começar. Aprendemos muito na última turnê, compramos um monte de discos também! Eu queria falar um português melhor para entender algumas letras. Não que isso faça diferença desde que a música tenha seu ritmo legal.

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