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Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

Sempre fui muito preocupado em falar alguma bobagem grande nessa coluna, mas confesso que não imaginei que demoraria tão pouco tempo. Foram as últimas linhas do texto anterior, onde cometi um erro de ordem genética ao dizer que Fabrício Neto, da Monstro, era filho de Miranda, da Trama. Agradeço a Guilherme, do RecifeRock, pela correção que me fez reler o texto todo e encontrar a verdadeira bobagem que quero comentar aqui.

Foi na última linha, lá no finzinho, onde me parece que fui bem pedante a dizer “se deu mal o garoto”, me referindo às bandas desclassificadas no Claro que é Rock. Ora, elas saíram da competição justamente porque estão em lojas ou em contato grande com o público consumidor e, obviamente, não estão longe de estar mal. Afinal, muita das finalistas estão ainda distantes de ter as conquistas que as bandas da Monstro, como a Bois de Gerião, já têm.

Publicar algo escrito é sempre complicado, porque o autor dificilmente está satisfeito com o trabalho final. Por isso, quando eu acabo, nem passo outra vista. Mando logo para quem cabe fazer o restante (corrigir os erros, retirar um ou outro trecho desnecessário, etc). E, nessa agonia de não reler, acabei esquecendo também de falar dos pontos positivos da entrevista com Fabrício, informações que até então não circularam nos jornais.

A Monstro criou um novo selo para distribuir bandas que não se enquadram com o perfil mais guitarras pesadas deles. Entre as escolhidas para o primeiro trabalho está, ninguém menos, que o pessoal do Parafusa. Uma união muito justa principalmente para a banda, que tem trabalho de ótima qualidade. Passeando pelos shows, o produtor também não deixou de se impressionar com a iniciativa e música dos Playboys e não tardou em pedir material deles, para uma audição mais tranqüila depois.

Vale lembrar que, nas mãos dele, está a programação de três eventos importantes: o Goiana Noise Fest, o Bananada e o Goiana Rock City. Essa aproximação deve significar portas abertas para o rock pernambucano em edições futuras. Encerro a retratação só me explicando que, não foi nenhuma repreensão (sequer imagino que o Fabrício saiba da existência dessa coluna). Não acredito que jornalistas, bandas e gravadoras estejam no mesmo barco. Mas acredito que jornalismo ainda pode ser bem feito, então não custa nada dar informação certa e sensata de vez em quando.

Aproveitando o gancho de bastidores, aproveito para comentar também o enorme lapso de timing que existe entre bandas e produtores. Uma comum que percebi ao conversar com organizações de eventos como o Abril pro Rock, Mada e o próprio Goiana Noise, é que as bandas sempre deixam para enviar material muito em cima do tempo. Achando que um evento de grande porte se faz da noite para o dia.

Para se ter uma idéia – e fica aí o toque para as bandas – segundo Paulo André, o Abril pro Rock fecha a programação perto do fim de dezembro. Isso significa mandar material pelo menos três meses antes e, nesse meio tempo, batalhar para conseguir aparecer no fim de semana da cidade. Porque, como já comentei antes, as escolhas ainda são muito engessadas no cotidiano da cidade. Lógico que, raras exceções como o Superoutro, mostra a iniciativa que a banda tem para conquistar espaço (no caso da citada, bancar a viagem para tocar lá fora).

MOLHANDO O BICO

Uma banda que eu aposto muito no quesito de iniciativa é o Carfax. Eles têm tanta certeza que o som deles é bom que fizeram um esforço fora do comum para comprar o próprio palco. É aquela história de estar no mesmo barco. Grupo nenhum está no mesmo das casas de show.

Depois de fazer uma temporada com Roger, o Carfax está procurando por outras bandas locais que, como eles, estejam motivados pela insatisfação e queiram tocar junto. O contato deles é fácil de encontrar na comunidade que a banda tem no Orkut.

Publicado originalmente em 09.05.05

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