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Quando Jack Kerouac escreveu seu livro fundamental, On the Road (”Pé na Estrada”), com certeza não teria idéia do quanto influenciaria o mundo nas décadas seguintes. Ele narra a inquietação de um grupo de amigos que precisam estar em constante movimento, cortando e recortando os Estados Unidos através de uma única e longa avenida (a Rota 66). Esta necessidade, agora re-apropriada, é mote principal de 10 em cada 10 bandas. Tomados por esse espírito e pela empolgação do primeiro CD finalizado, a Negroove fez as malas e partiu rumo ao Chile.

O contexto da história parece até meio louco. Dani Azevedo, produtora da banda, é também estudante de arquitetura e viu, nos encontros do curso, um potencial grande para shows. “São no mínimo três mil pessoas, todas querendo muita informação”, contou, quando apareceu na redação da Folha de Pernambuco acompanhada do vocalista da banda, Jr. Black, para contar o diário de viagem. “A idéia era tocar o máximo possível, gastando o mínimo”, completou o músico. O Negroove comprou a idéia e desceu de ônibus até São Paulo, onde teria o Encontro Nacional dos Estudantes de Arquitetura e o ônibus com destino ao Chile.

A primeira parada foi em João Pessoa. “A cidade é bem diferente do Recife. Ainda está no processo de formação do próprio público, com quase poucos lugares para show”, lembra Black. “Tocamos no Espaço Paralelo junto com uma banda chamada P-50 e, pelo show, se João Pessoa prosseguir nessa história, vamos poder montar uma ponte muito forte entre as duas cidades”. De lá, o Negroove subiu para Natal. O show seria num lugar chamado Buddah Bar – só de curiosidade, mesmo nome de um dos mais famosos bares franceses, mas sem nenhuma ligação real com ele.

Foi a segunda visita da banda a Natal. “Da outra vez, tocamos com uma banda chamada SeuZé”, conta Jr. Black. SeuZé, para situar, é quase uma relativa potiguar da Negroove. Ela e outra, a Du Souto, montam a linha de frente do samba-rock da cidade. “Julgamentos a parte, apesar do que dizem, acho que a cena de Natal ainda tem que crescer bastante”, avalia Black. A passagem foi rápida e eles ainda tiveram tempo de retornar a Olinda, fazer um showzinho rápido – e lotado – para pegar fôlego de vez para a próxima parada, o Rio de Janeiro.

Na capital carioca, o Negroove participou do “Pe na Lapa”. Um evento que está, no segundo ano, levando artistas pernambucanos para tocar na cidade. O terceiro dia teve também apresentação de Silvério Pessoa, Eddie e Júnio Barreto. Programação que anda fazendo falta por aqui. “A gente ainda conseguiu entrar em show feito em homenagem a Bezerra da Silva”, conta Black. Para quem não se ligou na ironia do destino, o projeto paralelo da banda, chamado de Chefe Ladrão, faz covers de Bezerra. “Conhecemos um monte de gente lá. B Negão, Leci Brandão, Marcelo D2, Dimenor, foi massa!”.

Descendo para São Paulo, a banda tocou, então, no Encontro Nacional dos Estudantes de Arquitetura. “Foi num lugar chamado Oasis Club, que foi fechado por duas faculdades para a festa”, comenta o vocalista. A noite foi toda do Negroove e mais um DJ local. Compromisso cumprido, a banda entrou no mesmo ônibus dos outros estudantes, que seguiriam para o encontro latino de estudantes, no Chile. Contratempo rápido, uma das passageiras estava sem documentação. Era a própria Dani, que desceu com Black e pegou um avião para encontrar a banda no país vizinho.

Chile
Todo os anos, o Encontro Latino Americano dos Estudantes de Arquitetura (ELEA), promove a “Festa do Brasil”. “Quem faz isso é um bando de estudantes loucos, que quer fazer uma festa enorme. Por isso poucas bandas topam”, entrega Jr. Black, acompanhado das risadas da Dani, que só confirmam a verdade. A banda foi devidamente tratada como atração internacional. Depois dos shows, pediram fotos, autógrafos e muito bis. De novo, a banda partiu do país por caminhos separados.

A volta de Jr. Black foi de ônibus e reservou mais surpresas. “Encontramos com três bandas de reggae que estavam indo participar de um show no Rio Grande do Sul. Uma delas já tinha tocado com a lendária Skatallites”, comenta. Trocaram idéias e músicas, que, segundo o vocalista, os reggeiros chilenos adoraram. O reencontro da banda foi no Rio de Janeiro, onde o show marcado teve que ser cancelado por causa da chuva. “Aproveitamos para fazer entrevistas em rádios, tvs e jornais de lá”. A última parada foi em Salvador, com show na Casa da Dinha e outra rodada de matérias com a imprensa local.

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