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Filho de uma família de intelectuais, Supla é, apesar de toda pose, um cara bastante esperto. Ele atende o telefone já perguntando se o novo disco, “Vicious”, foi ouvido. A preocupação imediata é porque em uma das faixas ele detona os jornais do Brasil. E sem medo de gerar controvérsia, reforça que quis dizer aquilo mesmo, perguntando quem é o partido que o jornal onde trabalho está apoiando. Isso tudo direto, depois do primeiro “alo? Supla?”, antes mesmo de começar a entrevista. “Eu to dando o toque nessa música para o cara não ser manipulado, tá ligado?”, dispara, “não me leve a mal”.

Com ele não tem “papo rápido”. Sempre se estende por vários minutos nas respostas, todas recheadas de palavras e adjetivos não publicáveis. A maioria quase não tem a ver com “Vicious”, disco produzido pela Arsenal Records, do Rick Bonadio, mesmo que lançou o sucesso emo do Hateen e o CPM22. O que deveria ser algo tipo uma bomba relógio, já que Supla é filho de políticos – Eduardo e Marta Suplicy, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT), e estamos em pleno período eleitoral. Apesar disso, ele não sente nenhuma cobrança extra e leva o assunto numa boa.

“Eu quero que se dane”, diz ele (a frase precisou ser adaptada). “Meu disco não é só política, podem me cobrar o que quiserem que eu não tiro a bunda da seringa”, protesta. Recentemente, ele apareceu na propaganda política do pai, militando em causa familiar. “Paguei o mico porque ele é meu pai e me convidou, tenho muito respeito por ele, assim como todo mundo que conhece seu trabalho”, se defende.

Mesmo não sendo um disco 100% político, o tema permeia muito do novo trabalho de Supla. Nem mesmo no nome que encarta o CD. “Escolhi ‘Vicious’ primeiro porque soa bem, depois pelo Sid, claro [Sid Vicious, baixista do Sex Pistols, referência no punk rock], e também pelos vícios novos de hoje”. Os vícios que ele fala são os blogs e fotologs, “que eu chamo de ‘chato’log”, brinca. “Eu acho importante ponderar, não dá para ficar só no computador, tem que ter um futebol, um piano, alguma coisa orgânica”, se explica.

Toda essa preocupação foi positiva para Supla. “Vicious” é um disco bem coerente, que começa a mostrar um discurso mais encorpado da parte dele. Saem os refrões inúteis no estilo “Jappa Girl” e entram protestos a favor dos gays e contra a moda que fazem com os iPods (o MP3 player que custa, em média, R$ 1000). Mas reserve também o espaço para brincadeiras, como “Eu Só Quero Comer Você” e outras pérolas que são bem a cara dele.

Ele agora parte para a fase de divulgação do disco. Está com agenda montada no Rio de Janeiro e São Paulo, mas ainda sem previsões para subir até o Nordeste. “Pô, eu sou louco para tocar no Abril pro Rock, vivo falando com a galera, não entendo porque não me chamam. É porque eu fui para a Casa dos Artistas? Não tem nada mais punk que isso e eles não entendem”, protesta, num tom mais triste. Como os artistas da Arsenal tem boa circulação no Nordeste, é capaz de Supla, desta vez, conseguir vir.

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