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“Gates of Metal Fried Chiken of Death” é disco feito sob medida para aquele se vizinho chato e cabeludo que fez circular por todo prédio a pesquisa dizendo que o heavy metal é hoje o gênero mais erudito da música. Bateria na velocidade da luz, guitarras virtuosas e um vocal lirico que até deixa um tanto a desejar, mas na embalagem final, funciona direitinho. Toque a faixa nove que ele com certeza até arrisca bater cabeça. A letra, traduzida, fala assim “O cientista maluco é lelé / você vai ficar igual / ao Tião Macalé”.

O esperado aconteceu. Depois da turnê com o Sepultura, do show apoteótico no Abril pro Rock e sucesso de sobra na programação da MTV, o Massacration gravou um disco por um selo de grande porte, a Deckdisc (mesmo de Pitty e Ultraje a Rigor). Personagens de uma encruzilhada onde são igualmente odiados e adorados por figuras tarimbadas do metal brasileiro, esse primeiro disco chega como uma piada de ótimo gosto ao gênero. Passaria totalmente despercebido, salvo raros momentos.

“Fried Chiken…” abre inclusive com uma justa homenagem. Uma introdução na voz de João Gordo que copia sem medo a música “Dier Eier Von Satan”, da banda Tool. No original, uma letra em alemão supostamente demoniaca que, na verdade, é uma receita. Aqui não entra reflexão, o rato de porão fala em português claro “misture a clara dos ovos”. Foi ele, inclusive, quem assinou a produção do disco com 13 faixas, repertório bem maior do que é conhecido da banda.

Sem controvérsias ou polêmica, é um disco de fato para os headbangers. Música bem executada, tocada com bastante peso e participação especial de Sérgio Mallandro. Ele aparece em voz quase incidental em “Metal Glu Glu”, que está longe de ser a mais divertida. Nessa hall, entram “Metal Milkshake” (”Hot Dog / Milkshake / Sunday / Mayday”) e a agora já clássica “Metal Bucetation” (”Suck my sacred balls”).

E mesmo para os mais chatos, talvez até aquele tal vizinho cabeludo, “Fried Chiken…” é sinal claro que a industria fonográfica está se recuperando do baque. Quando um independente de grande porte se permite o custo de lançamento de um disco desses, com um preço nada merecido, é prova que as coisas vão bem. Some isso ao fato que, brincando, o Massacration conseguiu inserir o heavy metal (o sério) novamente na programação da MTV.

Publicado orignalmente em 19.10.05

Leia mais:
• Entrevista com Massacration
• Show do Massacration no Abril pro Rock 2005

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