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É estranho pensar que “Um pé na meia, outro de fora” é o primeiro disco de Tiago Andrade, o Zé Cafofinho. Quem for no show de lançamento amanhã, no Burburinho, vai entender o motivo. O rosto de Tiago já é um dos maiores lugar-comum (sem sentido pejorativo) da música pernambucana. Ele esteve na banda Songo, que ganhou palco e público em São Paulo e na França; na Variant, Originais do Sample, Punk Reggae Parque; nos discos do Eddie, Bonsucesso, Mombojó e mais numa série de outros projetos menores. Os contrastes entre experiência e começo se misturam num discho charmoso, de capa de fosco e tons vermelhos.

Esse passeio do Zé Cafofinho (e suas Correntes, pelo próposito do disco) traz o primeiro óbvio das músicas. Não tem nada fácil de identificar como sendo samba – a primeira impressão mais forte – ou ska, new-jazz ou um termo que o valha. É uma estética própria, que tem cara de música brasileira e não incomoda em nada por lembrar bastante os sons mais refinados de uma periferia cultural. A melhor maneira de colocar isso em palavras é lembrar que tem lá a rabeca de Zé Cafofinho com uma mistura de baixo de sete cordas, banjo, trompete e bateria. E que é bom de dançar.

Zé Cafofinho é ao mesmo tempo o que tem de fácil e de difícil no próprio disco. Fácil porque ele trouxe para gravação nomes que funcionam de selo de qualidade máxima do som pernambucano. China, Bacteria (Mundo Livre), Pupilo (Nação Zumbi), Chiquinho e Marcelo Machado (Mombojó) e até a Orquestra Sinfônica representada pelo nome João Carlos. Dificil porque o resultado final, a música, é uma que não remete muito a voz grave de Cafofinho, mas sim uma mais suave. Por isso a primeira impressão pode ser estranha – mas não equivocada). É questão de costume. Pela terceira audição, tudo já parece estar no lugar.

Nos detalhes, “Pé na meia…” é um disco muito bem montado. “Mucica”, faixa que abre, já mostra o potêncial máximo da banda, em letras que são ao mesmo tempo texto, imagem e som, “O sol prateado da manhã / Vai reluzindo / O tilindim da capela”. Assim como a caixinha que envolve o disco, as músicas de Zé Cafofinho tem um certo charme. Amadurecimento é um processo sempre constante, mas passeando pelas faixas, se percebe que a banda escolheu o momento certo para se lançar para o público, já que até então eles também não estão se apresentando na cidade.

Escute aqui: Mucica

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