Pop up!

Parece brincadeira. Já faz 10 anos que o Foo Fighters está rodando o mundo, lançando discos, gravando clipes, reunindo multidões de fãs e, mesmo assim, a referência para o líder David Grohl ainda é “o ex-Nirvana”. Em “In Your Honor”, quinto disco da banda que acaba de chegar nas lojas, ele mostra que não se importa muito com isso, porque continua experimentando em excesso. E continua fazendo isso com muita competência também.

Arriscado é pouco para um disco que mistura três guitarras e gritos elevados com violões e sussurros. No primeiro CD, está o Foo Fighter nessa contínua busca por limites. Grohl leva os instrumentos além do recomendado e se livra de qualquer necessidade de parecer maduro. Sim, a coincidência não é por acaso, ele está seguindo a velha formula de Kurt Cobain que tanto o persegue. Foo Fighters não é uma banda adolescente, mas soa como uma.

Além da que leva o nome do CD, “Best of You” e “Free Me” são músicas que devem entrar no top cinco das rádios e programas de TV. Mas ainda falta alguma “Big Me” no disco, uma que seja atemporal e boa de lembrar em qualquer momento. Não é uma impressão negativa, mas “In Your Honor” parece um trabalho pessoal demais. Postura que entra em conflito com a estratégia profissional em excesso de lançar um CD de mídia dupla para dificultar a pirataria (esforço em vão, diga-se de passagem, o disco está na rede há semanas).

No segundo CD entra o Foo Fighters acústico. Foi a solução que a banda encontrou para a inconsistência que costuma ser criticada nos discos anteriores e para dar conta da produção de David Grohl, que costuma ser enorme. Apesar da abordagem oposta, o lado dos violões casa muito bem com o rock pesado. É aqui que estão os sucessos fáceis e participações especiais. Norah Jones, Josh Homme (do Queens of the Stone Age) e John Paul Jones (Led Zeppelin) são alguns dos melhores momentos dos dois discos juntos.

“In Your Honor” chega também com uma leitura política. Bem discreta, explicitas em algumas letras e na interpretação de outras. Distante o suficiente para que a banda não ganhe nenhum rótulo de “atitude”, o tipo de coisa que vem cansando o trabalho do U2, Oasis e REM. Com toda essa novidade, as duas faixas interativas para computador (uma em cada CD), acabam passando despercebidas.

Publicado originalmente em 09.07.05

Random Posts

  • Nublado « Pop up!

    De: João Pessoa-PB Selo: Independente Para quem gosta de: Superguidis, Muse A Nublado é uma banda que está trazendo vida […]

  • O Recife Xenófobo – Pop up!

    Desde o começo desta coluna, foi trazido em discussão a crescente carência de espaços que o Recife tem passado para […]

  • Pop up!

    21 Agosto, 2007 21 Agosto, 2007 14 Agosto, 2007 12 Agosto, 2007 11 Agosto, 2007 11 Agosto, 2007 11 Agosto, […]

  • Pop up! » Blog Archive » Mada 2007 – Primeira noite

    Maio 4, 2007 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Blog [Show as slideshow] Já cortando a conversa fiada, vou […]