Pop up!

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Quando os discos deixam de vender (por estarem tão caros) e as rádios param de veicular a verdadeira produção de música em favor de uma que se paga, é preciso inventar novos parâmetros para o sucesso. Criar do nada mesmo, sem explicação lógica o suficiente. Como nossos pais. Quando eles – não importa como – conhecem um novo artista, é sinal de que eles estão fazendo sucesso.

É o caso do Gram. A banda carioca só tinha um disco que não toca em rádios, tem uma agenda de shows tímida comparada com um Paralamas ou Titãs, mas o nome deles não soa estranho para os pais dos fãs. É um patamar até difícil de sucesso que, por exemplo, uma Cachorro Grande, da mesma gravadora, ainda não conseguiu. E em “Meu Minuto, Meu Segundo” (Deckdisc), parece que a banda está querendo jogar esse esforço fora.

Não é que o disco não seja bom. Ele é sim, bastante até. Poderia ser o exato mesmo Gram do hit “Você pode ir na Janelinha” onde, no clipe, o gatinho comete suicídio sete vezes. Mas não é pela preocupação que a banda teve de não ser mais comparada (por quem?) com o Coldplay e Los Hermanos. De alguma maneira, para eles, soar como as duas bandas de maior sucesso hoje – a primeira no mundo, a segunda no Brasil – parece ser algo ruim.

Poderia ser preocupante para a carreira da banda, não tivesse sido uma das melhores sacadas deles. Porque essas doze músicas têm um tempero a mais na forma de programação eletrônica e uma dose tímida e escondida de “beats” com um forte efeito “repeat” embutido. A mistura deu certo. “A vida é hoje, e é com ou sem você”, canta o refrão da música que dá título ao disco, 12ª na seqüência das faixas.

E é cantando que “Vou transformar meu minuto em seu segundo” que o Gram dá novo sentido a seu trabalho. Esse electro-pop bem comportado e sem afeto é um filão quase não explorado no Brasil. Tudo bem, vamos combinar que ainda é muito mais pop (muito mais guitarra e bateria) que electro. Só na última música que realmente explode nesse sentido. Mas é um caminho que parece certo para eles.

Vídeo
Vale dizer que o disco vem em formato Dualdisc. Uma mídia de DVD prensada no verso, com um material em vídeo. São clipes simples mostrando cenas de gravação no estúdio com interferências em animação digital. Os meninos da banda são designers e dão uma importância forte para isso. Mas está longe de ser a graça desse trabalho.

ENTREVISTA – Marco Loschiavo | Guitarrista do Gram

“Eu sei que é ousado, mas é legal ousar, concorda?”. Num papo rápido com Marco por telefone, em uma agenda de entrevistas onde ele responde quase a mesma coisa para uma dezena de jornalistas do país inteiro, ele não se mostra entediado com as perguntas. Por isso começa logo dizendo que esse papo de parecer diferente do Coldplay, como veio escrito no release, não nada a ver. Mas reconhece as mudanças na música. “É um recomeço”, demarca.

E mesmo reconhecendo que seja ousado, ele faz questão de deixar claro que “o Gram tinha margem para essas mudanças”. “A gente chamou um amigo nosso, o Sérgio, que tocava no Skamondongos, para fazer a programação”, recorda. Essa viagem eletrônica deles também rendeu duas faixas remixes do primeiro disco, que ficaram guardadas como carta coringa e devem ser lançadas em breve na Internet.

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