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O som da locomotiva nos primeiros segundos de abertura do CD brinca com a foto do encarte, que não casa em nada com o nome da banda. Não tem como ter idéia do que esperar da ViladaFábrica depois que aperta o “play”. Surpresa agradável e até necessária na música do Recife que já começava a ficar previsível demais. “Terceira Travessa da Linha Férrea” é a estréia oficial dessa banda de Jaboatão dos Guararapes que tem um pé forte no Cool Jazz, com uma já tradicional mistura de influências.

Existe um potêncial bem evidente na banda. ViladaFábrica pode ainda não estar no seu formato ideal, mas as 11 músicas que encartam o primeiro disco são uma boa promessa para o som da cidade no próximo ano. Principalmente por essa semelhança fácil com o Jazz mais esperto e swingado. Soa bem nos instrumentais e na voz leve. O pacote fecha com poesia no lugar da letra. Mais surpresas que surpreendem.

O ViladaFábrica escorrega apenas no próprio discurso. Certas horas o texto fica mais pesado e agressivo, não combina com a proposta que a banda mostra no início. Mas, são deslizes pequenos e compensados muito justamente pelo quarteto compensa. Em “Deusa Terra”, quinta da lista, grava “Hay Man” incidental, música do Ave Sangria. A novidade do Cool Jazz é também memória, só para somar pontos para eles.

O primeiro registro já mostra resultados. “Terceira Travessia…” ganhou um prêmio da Associação de Zines de Pernambuco, selecionado entre outros independentes da cidade. Não precisa correr muito para encontrar a música do VilaDaFábrica, o trabalho está espalhado pelas lojas da cidade e a banda começa a participar, timidamente, na programação local.

Publicado originalmente em 08.11.05

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