Pop up! » Blog Archive » Mada 2007 – Primeira noite

Maio 4, 2007 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Blog

[Show as slideshow]

Já cortando a conversa fiada, vou direto os shows. Aconteceu uma coisa esquisita no começo do festival. A primeira banda tocou com os portões ainda fechados, segundo algumas pessoas comentavam. Só lá pela terceira música que o público começou a entrar. Uma pena. A Baby Please foi a melhor surpresa do Mada até agora. Banda de Natal, bem afetada, que tem um ótimo vocalista com uma divertida presença de palco. Um rock mais cru, do mais comum de se ver aqui no Nordeste. Chamar a atenção tocando esse som é coisa séria. 

Parecia que seria uma boa noite para surpresas. O Claudia’s Parachute entrou com um show bem insano, mantendo o pique para o público que já se amontoava. Mas pela segunda música, o ritmo caiu. Foi de Sonic Youth para Radiohead e Muse em pouquíssimo tempo. Referências ótimas, claro, mas difíceis de seguir. Resultado foi uma apresentação que acabou cansativa.

Daí em diante, o Mada desandou. Compreendo a boa intenção de homenagear um grande nome local (coincidentemente, este mesmo ano o Abril pro Rock fez coisa parecida). Mas o tributo ao forrozeiro Elino Julião puxou uma série de apresentações chatas. Seguido de outras duas locais, Cabozó e Orquestra Boca Seca, foram horas de um regionalismo que não se identifica muito com o público da cidade. 

Isso ajudou a carioca Reverse. Depois de tanta percussão, o menor riff de guitarra parecia anunciar uma salvação ao público já carente de rock. Talvez encaixada numa programação menos variada, eles não chamassem tanta atenção. Até que entram com um cover pra lá de bacana de Eleanor Rigby, do Beatles. Daí pro final, ganharam uma boa primeira impressão.

Mas essa primeira noite do Mada estava perto de terminar e precisava ser salva. No nome do evento, música é o “alimento da alma” e o público – cerca de seis mil pessoas – estava bem faminto. Entra Madame Saatan. “Eu gosto de falar pra caralho mas não vou dizer nada não porque a gente só tem 30 minutos no palco”, disse a vocalista Sammliz. Mas foi tempo suficiente para eles fazerem o show mais surpreendente da noite. Anotem o nome dessa banda. 

Parece simplório sempre comparar uma banda de rock com uma vocalista mulher com Pitty, mas digamos que o Madame é uma Pitty com maldade. Muita maldade. Se essa menina tivesse fechado os punhos no palco, era capaz de esmagar todo o público, de tanto controle que ela conseguia sobre eles. Som, visual e performance com nota máxima.

A noite já teria terminado bem aqui. Mas Néguedmundo volta ao Mada este ano quase como um herói local. Impressionante como o público cresce apenas para ver ele. Sua música também cresceu. Se antes era mais centrada no hip hop, agora cresceu em sonoridades da música negra. A presença dele lembrou que ano passado, este mesmo festival tinha mostrado como Natal é forta com black music. Este ano parece ter deixado essa cena um pouco de lado. 

Nesse ponto, eu já tinha meio que premeditado escrever que shows do Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi, neste ponto que estamos, não precisa de mais comentários. O primeiro confirmou isso. Metralhadora de hits, com o público gritando o tempo inteiro. Mas a Nação Zumbi me surpreendeu. Já perdi a conta de quantos shows eu vi dessa banda e nenhum nunca foi tão longo. Terminaram de cantar depois das 3h30 da manhã. O mais bacana foi ver que o disco Futura já funciona no palco. Pau a pau com a fase Chico Science, que eles resolveram retomar (tinham parado no último Abril pro Rock).

E hoje tem mais… promete ser mais divertido com Mellotrons, Moveis Coloniais de Acaju, Rockassetes e Lucy and the Popsonics.

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