Entrevista – Ortinho

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Fim de tarde chuvoso no bar Copo Sujo, no bairro de Santo Amaro. Passada as formalidades – aperto de mão, entrega do novo disco e a infeliz recusa da parte deste repórter em acompanhar na cerveja – Ortinho dispara algumas horas de declarações ácidas – “a gravadora pagava jabá  para o Querosene e Jacaré” – e reflexões sobre o momento da cidade – “quero atingir uma minoria de massa” – e adianta os planos para o show que fará naquela noite. Um dos poucos músicos da geração 90 que não quer trocar o Recife por São Paulo, onde já morou durante alguns anos, Ortinho lança disco Somos.

Hoje as pessoas perderam o conjunto, se individualizaram muito, não tinha um lugar diversificado como era a Soparia. Acho que até uma banda com o porte que a Nação Zumbi está hoje ainda tocaria num bar como aquele“, recorda. Esse é um dos motivos pelo lançamento no bar. “Resolvi fazer isso no Boratcho porque lembrei que aquela galeria [a Joana D'arc, no Pina] já foi um ponto assim, até Lenine se apresentava lá“. O novo disco já circula na cidade há tempos, mas Ortinho ainda não tinha feito nenhum lançamento oficial.

Longe da sombra que um dia a banda Querosene e Jacaré fez nos dissidentes – entre os companeiros, estão também AD Luna, da banda Monjolo e Cinval – Ortinho já se livrou do modo de produção dos anos 90, quando foi lançado pela Paradoxxx, na época mesma gravadora do Sepultura e Raimundos. O novo clipe não está  interessado em paradas da MTV. “Vou por no YouTube mesmo, também no meu site novo onde o ‘Somos’ e todos meus discos anteriores vão estar inteiros para download“, adianta.

Essa aposta de Ortinho no Recife, mesmo já tendo apresentado Somos em show lotado em São Paulo uma semana antes, é importante para uma cidade que sofre de constante êxodo artístico. “Falta respeito para essa geração 90, além de profissionalismo aqui, tenho minhas críticas, mas ainda curto mais o Recife“, comenta o músico. “E falta mercado, rádio nunca me deu nada na vida“, completa.

SITE DE ORTINHO | www.ortinho.com.br

N.D.E = Textinho curto porque foi escrito originalmente para caber no espaço reduzido do jornal. Versão inteira estará disponível em breve no RecifeRock!

N.D.E 2 = O clipe não tá aqui no texto porque, até agora, não apareceu no YouTube, nem no site novo

8 comments

  1. Guilherme Horta

    Viva a música livre!!

    Descobri o ilha do destino num blog há 1 semana e não paro de ouvir. Não conhecia o cara, mas pelo som já dá pra perceber o tamanho das idéias. Música tem que ser livre – vc ouve tudo e se gostar vai no show. Foi assim comigo e com o bonssucesso samba clube. Chega de gravadora pra explorar os músicos e só manterem o casting de mídia. Estamos chegando a uma época em que o músico tem que voltar a ser o artesão da sua obra. Viva a diversidade cultural.

    Se o cara vier aqui em São Paulo vou correndo ver!!

    Guilherme Horta

    ps; carioca mal radicado em SP.

  2. Carmen

    puuuutz e foi assim que começou a sedução desenfreada.. B2B

  3. Bruno

    Engraçado como quando você coloca, sem pretensão alguma, um CD pra tocar e depois de umas canções bonitas você fica feliz pelos trabalhos de verdade ainda insistirem em existir. Eita negócio bom!

    E só conheci o som desse rapaz agora em 2009. Pois é, nunca é tarde.

  4. Marcelo

    Aposto que todos vcs são de Recife né , só morando lá para gostar de Ortinho alás O CD deveria se chamar Ortinho e a Mesmice.

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