Cachorro Grande – Todos os Tempos

[rating:3/5]

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O rock independente brasileiro pode mapear pelo menos três grandes nomes hoje. Cachorro Grande, Autoramas e Forgotten Boys são bandas conseguiram chegar num topo desejado por qualquer artista que não tem a estrutura de uma grande corporação de apoio. Com dois representantes dessa lista lançando novidades, o ano já começa a se desenhar positivo para o gênero. Em Todos os Tempos, os gaúchos da Cachorro Grande foram os primeiros a demonstrar também vontade de passar de fase.

Como todo bom brasileiro que se muda para São Paulo, o vocalista Beto Bruno estava totalmente perdido quando atendeu no próprio celular para uma entrevista. “Tem certeza que a gente se perdeu?“, perguntava distante do aparelho de tempo em tempo. Parece cena de artista famoso, constantemente ocupado com uma agenda armada pela gravadora, indo para uma grande rádio nacional. Mas na verdade ele só tentava fazer um lanche. “Suco de abacaxi não, quero Coca“, pedia entre uns “opa Bruno, desculpa, só um minuto“.

O novo disco da banda espanta. Ficaram famosos por um rock muito rápido e agitado, que rendeu a eles a melhor má-fama de quebra-tudo em festivais do país. Já Todos os Tempos é um uma coleção de baladas, difícil de se imaginar em um show típico da banda. Beto Bruno defende a idéia, dizendo que “muita gente fica surpreso e é isso que a gente quer. A banda evolui, não faz sentido lançar um disco igual ao outro“. Além da constante referência aos Beatles, a sonoridade traz um novo padrinho. “Enquanto estávamos na estrada descobrimos a coleção completa do Neil Young, foi algo que ouvimos muito antes de gravar“.

Ele explica que foi um disco feito com mais cuidado. “Não quero fazer nenhuma comparação, muito longe disco, mas foi gravado da mesma maneira que o disco branco dos Beatles, uma música por dia, ao vivo, sem pressa“, conta. “Dessa maneira, cada música sai sempre muito diferente da outra“. O vocalista concorda com a impressão de que este é um trabalho difícil para o palco, mas justifica, “não faz sentido ir para o show com a mesma coisa do disco, fica chato até para nós“.

O que Beto Bruno ainda não se deu conta, é que Todos os Tempos, apesar de um bom disco, vai exigir muita maturidade de um público que eles conquistaram que ainda é muito novo. A Cachorro Grande parece ter mirado nas rádios, mas desviado a pontaria dos shows. Mudança que deve fazer dessa versão “domesticada” uma verdadeira prova de fogo para a posição que a banda ocupa na santíssima trindade do rock independente.

Principalmente agora que a banda, finalmente, consegue viver livre de um rótulo que nunca deu certo na música, o do tal “rock gaúcho”. “Era algo que diminuía muito nosso som“, comenta Beto, “coisa criada por gente que é aproveitadora e quer aparecer as custas da fama dos outros“, alfineta. “Nos somos uma banda de rock, e rock é igual em qualquer lugar, em qualquer idioma“.

Esta é a principal lição que a Cachorro Grande traz no novo disco. “A banda de rock emo, rock carangueijo, rock isso e aquilo passam, as de rock de verdade ficam, foi assim com o Rolling Stones“. Mas pela quantidade de novas referências que o vocalista traz ao novo disco, parece que eles estão mesmo interessados em mudar de panteão, indo para o mesmo nível dos já consagrados (e, porque não, fundadores) do gênero.

Beto Bruno garante que não. “Para mim a consagração é poder tocar em qualquer lugar do Brasil, a gente nunca teve ambição ou fomos alucinados pelo sucesso“, garante. Perguntado onde ele imagina a banda nos próximos cinco anos, volta a ser mais modesto. “Acho que vamos continuar fazendo isso, com um pouquinho mais de conquistas“. Com um arriscado disco mais lento, eles desaceleram mesmo esse processo.

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8 comments

  1. Bruno Maia

    me: po, forgotten boys??
    8:19 PM santissima trindade?
    bnogueira: hum?
    me: qué isso!
    bnogueira: que banda vc colocaria?
    me: nao sei
    bnogueira: haha!
    me: mas nao colocaria o forgotten boys
    bnogueira: mas nao vai por gosto
    me: talvez nao haja santissima trindade
    certamente nao ha
    bnogueira: pensa nas 3 bandas de rock – rock! – que tem publico hj em qq cidade do país
    8:20 PM rock independente
    me: porra.. o que a gente considera “publico”? 300 pessoas?
    bnogueira: isso
    me: porra… forgotten boys nao tem
    bnogueira: po, tem Bruno
    me: aqui no rio, com certeza nao
    bnogueira: ja vi show deles em 4 cidades diferentes
    em todas tinha mais de 300 pessoas só pra ver os caras
    me: aqui no rio, eles nao enchem nem o empório
    8:21 PM bnogueira: os caras juntaram esse numero tocando até aqui! q é impossível
    matanza deu 30
    mas o rio tem uma vibe mto específica
    nao da pra generalizar a cidade junto com o brasil
    mas po
    comenta isso lá!
    haahhaha
    abre o debate!
    :P
    8:22 PM me: cara, o fato eh que nao existe santissima trindade de rock independente. a maior caricteristica do rock independente no brasil é nao ter “grande porte”…
    eh tipo o campeonato brasileiro. times meia boca, com alguns destaques.
    nao estou falando em criatividade
    e sim em makin-money
    q me parece ser o q vc usa de referencia

    ***********
    tá comentado! debate aberto!

  2. Ericka - Spin

    De fato é muito difícil organizar um festival sem um ‘grande nome’ da ‘cena’ independente. Temos várias bandas muito boas mas que não conseguem público de 100 pessoas. E quanto a bandas que atingiriam esse público de 300 pessoas, de fato forgotten boys e autoramas entram com mérito nessa questão.

  3. Guilherme Carvalho

    É um fato, até existe o debate, mas que no final o resultado será esse mesmo.
    Tenho uma prima que tem lá seus 17/18 anos e que gosta de bandas do tipo Capital Inicial, Legião Urbana, Detonautas e Forgotten Boys, isso mesmo, ela disse que gosta da banda do namorado da Débora Fallabela, enfim, os caras querendo ou não, ganharam uma mídia por causa do Chucky ser VJ da Mtv e a namorada dele ser atriz global, ma snem por isso o som é ruim, de forma alguma. Bom, minha prima agora vive me pedindo músicas do Cachorro Grande e dos Ramones, e eu estou apresentando ela ao Turbonegro.
    Nem posso reclamar ne?!
    Abraço!!

  4. Guilherme Carvalho

    Esqueci de comentar que o fato do show do Matanza só ter um público de 30 pessoas tem que se considerar que era uma véspera de vestibular se não estou enganado, e não aconteceu divulgação nenhuma. Eu por exemplo só fiquei sabendo do show porque tinha ido no Paço acho e encontrei um amigo que me avisou do show.

  5. Arison Jardim

    Los Porongas é bem melhor que Forgotten Boys e Autoramas, mais do Autormas do que do Boys. Trintade está longe de existir.

  6. Diego Fernandes

    Eu enxergo de uma outra forma este novo álbum da Cachorro Grande. Acho que o som dos caras evoluiu e não perdeu a identidade. Aliás, isso mostra como eles são bons. Mudaram o estilo do disco, mas não perderam a cara de sempre da banda. Isso é fenomenal. E não concordo com o Arison, Los Porongas está longe de Autoramas e Forgotten Boys.

  7. Heloisa

    conheço a cachorro grande ja vi muitos show.
    e o publico dessa banda não é de 300 pessoas :)
    se enganam as pessoas que pensam isso. pois é uma banda que tem um grande publico.
    Mudanças são normais, se não tudo perderia a graça e mesmice. Mudar é importante ainda mais pra uma banda.

  8. Adson l.

    Faço minhas as palavras de Arison…….

    “Los Porongas” é bem melhor que Forgotten Boys e Autoramas, mais do Autormas do que do Boys. Trintade está longe de existir….ioi ioi ioi

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