Pop up! » Blog Archive » Barfly – The Longest Turn

Março 31, 2006 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Discos

Banda de Goiânia Rock City, com letras em inglês e melodias que são puro anos 80. Cuidado, vicia fácil

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Escutar o disco do Barfly traz à memória uma lembrança engraçada e pré-conceituosa. Daqueles dias pouco distantes, onde o bilheteiro do cinema recomendava “tem certeza? o filme é nacional”, quando muitas vezes o filme na verdade era muito bom. Depois de exatos 1m15, quanda passa o refrão de “Daylight”, a primeira música, o encarte volta à mão com a pergunta “isso é nacional mesmo?”. É sim. A postura natural do grande mercado de discos é de que artistas brasileiros cantando em inglês não funcionam. Se fosse verdade, o Barfly seria então a exceção que faz a regra.

A única coisa no Barfly que não é exceção é o selo da Monstro Discos no verso do disco. A gravadora de Goiâna, e as bandas dessas cidades, são as que tem de mais legal aparecendo no rock independente do Brasil. No resto, “The Longest Turn” consegue mesmo correr na lateral de muita coisa feita no país. Primeiro por fazer um disco de puro rock inglês com cheiro de anos 80 com muita qualidade, sem deixar se afetar por sotaques, expressões ou até mesmo moda, como fizeram os badalados paulistas do Wry.

O disco tem 12 músicas, todas carregadas de uma melancolia que contrapõe a energia de uma guitar-band (são três guitarras no grupo). É a estréia dessa banda goiana, que começou oficialmente em 2003 já com um EP de sete faixas bem elogiado em zines na Internet. Apesar das referências aos anos 80 (e muito também do que estorou no começo dos anos 90, como o Sonic Youth), não é um banda amargurada. A harmonia melancólica é só clima, quase de pretexto, para letras que falam sobre muito do cotidiano.

Cláudio Ribeiro, voz e guitarra, é uma das melhores surpresas do Barfly. Um letrista de primeira linha, que fala bem sobre aqueles amores que fazem a gente se sentir mal. Parece ser o dono da voz certa para cantar o que escreve, começando sempre em graves e esticando agudos nos refrões de uma maneira que vicia o ouvido. Mesmo com seus pontos baixos, o disco é daquelas que dá vontade de acreditar no rock independente.

Barfly – The Longest Turn Gravadora: Monstro Discos

Preço: R$ 15 [compre aqui]

Escute: Daylight

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