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Fevereiro 5, 2006 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Discos

A terra dos velhinhos, na visão de Diplo, é de um eletrônico sóbrio e sombrio. Com direito a um funk puncadão empurrado última-faixa abaixo, para garantir a fama de garimpador de sons periféricos

Chega a ser curioso pensar que Diplo, segundo entrevistas recentes, tem interesse na música nordestina. Figura que pode ser definida como o típico turista em Copacabana, achando a pobreza uma maravilha a ser fotografada, Wesley Pentz, 25 anos, transforma toda cultura de periferia que encontra em música. Não é que se encontra, entretanto, em “Florida”, disco lançado no Brasil pelo selo Slag Records, aproveitando a presença do cara no Tim Festival.

A compilação de remixes e experimentações nas 12 músicas são de uma sobriedade e mesmo “sombriedade” hipnotizantes. Tá ok, justiça seja feita, tem um funk carioca empurrado lá na última faixa, apenas na versão brasileira do disco. E como o pancadão ainda é persona non grata na cabeça de muitos ditos atentos aos satélites culturais, fica então como ponto positivo de “Florida”.

Diplo é um tipo de DJ artista cada vez mais raro. Faz seu inferninho na pista, mas prefere dar espaço para suas experimentações no CD. Por isso, “Florida” é uma experiência um tanto difícil. Começa lento, continua lento, permanece lento. Chega e exigir um pouco de atenção, mas ainda anima perto do fim. Não é um disco todo para pista, e sim para uma audição menos compromissada.

A Florida de Diplo encerra num ponto alto de referências cruzadas. Ele faz até uma parceria brasileira com um grupo chamado “Os Danadinhos” numa das faixas que é a mais agitada em todo o disco. A melhor para a festas, diga-se de passagem. Nas outras, batidas mais sensuais vem acompanhadas de sons de água corrente, instrumentos jazzisticos e vozes sintetizadas. Aquele sujeito com voz de robô que assusta criancinhas nos programas mais básicos de simulação.

Danadinho é também o funk que encerra a versão brasileira do disco. Um batidão no melhor estilo, acompanhado por um sonzinho melancólico de fundo, obviamente a participação de Diplo na história. Ele promete vir para as bandas do Nordeste depois do Tim Festival, curioso principalmente com o Calypso do Pará. Será que o próximo disco vem com uma faixa de Techno Brega?

Publicado originalmente em 01.10.05

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