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Fevereiro 14, 2007 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Reportagens

Nenhum stand da Feira Música Brasil, evento mais importante de música que encerrou domingo no Recife, trazia videntes ou futurólogos. Nenhum tinha búzios ou tarô. Mas todos tentaram, juntos, durante quatro dias, tentar prever qual seria o futuro da música, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Estamos vivendo o fim das gravadoras? O fim do CD como suporte físico? O evento não chegou perto da resposta, mas como plataforma de negócios, cumpriu sua função em saldo mais que positivo.A palavra-chave para todo o evento é “circulação”. Nas conferências, tem a primeira etapa com a circulação de informação. César Prado, da Unimar Music; junto a João Moreirão, da Associação Brasileira de Música Independente, trouxeram os números fundamentais do contexto atual da música. Carga tributária de 45% sob os impostos e uma produção independente que equivale a 80% do total nacional e que… bem, que não circula. Foi o contexto para argumentar uma possível migração do mercado de música para a imaterialidade da Internet. Vendendo faixas de música à R$ 0,30, a distribuidora Tratore está entre os cincos maiores comerciantes do produto no mundo.

As conferencias são provocativas. Dos cerca de 20 nomes que passaram pelos auditórios do Porto Digital e Teatro Apolo, quase todos deixaram claro que a música não pode depender de patrocínio público. “Hoje a maior gravadora do país é a Petrobrás, de tanto projetos que apóia”, disse, em tom de repreensão, o presidente da Tratore Maurício Bussab. A provocação continuou em recados que o Brasil precisa passar a tratar sua música no meio digital, algo que não faz em nenhuma estância. O país possui poucos sites de artistas, não possui nada similar ao MySpace (um tipo de Orkut para música) ou ao Pitchforkmedia (imprensa que dita moda através da Internet).

Num último momento, a circulação é social. A parte mais proveitosa da Feira Música Brasil, assim como foi com os anos anteriores do Porto Musical, é o “networking”. A troca de cartões e servições. Bandas atrás de shows, produtores de shows atrás de bandas. Selos em busca de distribuidores, que estão lá em busco de selos, e por ai vai. Uma desculpa produtiva para juntar todo mundo no mesmo lugar e colocar as rodas dessa indústria para girar.

Shows
Parecia uma ordem, a maneira como Gilberto Gil distribuía sorriso entre os conferencistas e expositores dizendo “mas tem que terminar em festa”. A Feira Música Brasil teve de cenário o centenário do Frevo e o ritmo tombado como patrimônio imaterial. Durante a noite, o Marco Zero, Praça do Arsenal e Teatro Santa Isabel recebeu shows calorosos, sem violência e público positivo. Algumas passagens são históricas, como a do guitarrista da Tropicália, Lenny Gordin, e do sambista Nelson Sargento.

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