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Fevereiro 5, 2006 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Discos

Garotos do interior de São Paulo com sotaque britânico e dois produtores conceituados, que por isso aparecem mais que o nome da própria banda

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Wry é a nova banda da moda dos jornais, sites e revistas que vivem de ditar costumes. Amigos das pessoas certas, no lugar e hora certos, que deram exposição exagerada a viagem que quatro garotos de Sorocaba, interior de São Paulo, fizeram à Inglaterra. Do passeio na Europa, eles gravaram “Flames in the Head”, quarto na história do grupo, o primeiro a chamar atenção. Mais pela produção, que é assinada por Tim Wheeler (da banda Ash) e Gordon Raphael (que lançou os Strokes). E quando o nome dos produtores aparece mais que o da própria banda, já é bom motivo para começar a desconfiar.

Os sorocabanos não são novidade para o pessoal mais antenado do Recife, que pôde conferir um show da banda em dezembro numa noite lotada no bar Irmã Bertrice. Visual londrino um tanto forçado para a ocasião é a principal lembrança da noite. O que não deu para ouvir pelas distorções do som fica como a primeira impressão depois do play: eles também têm sotaque londrino. Parece que a viagem subiu demais à cabeça do quarteto.

Apesar disso, “Flames in the Head” é um bom disco. Brinca de igual para igual com outros nomes da moda. Mas não são músicas de muitas referências e, depois da sexta faixa, a impressão que se tem é de estar ouvindo tudo de novo. Sempre muito linear, muito igual e inevitavelmente cansativo. Melhor se fosse um EP com até seis faixas. “Powerless”, a sétima, funciona bem para conhecer o potencial da banda e é a recomendada para visitar o repertório de uma boa festa.

É aquele rock básico, meio fofo, com melodia forte. Acordes graves de guitarra que contrapõe com uma voz mais aguda. Versos encostando no emo (”I won’t Let you down”). Uma hora, o tal sotaque britânico acaba soando meio falso. Dá pra ver que eles poderiam fazer uma coisa muito mais original que isso, então fica a pergunta: será que o dedo dos gringos apertou forte demais na criatividade?

A Wry não fala de muita coisa (outro ponto bem forçadamente britânico no som deles). A rima vem antes e, na música citada, sobram pérolas do calibre “Não me deixe fora da cena / Oh coisa material / o telefone não toca”. A clássica música de gringo para brasileiro ouvir sem precisar entender. Cientes dessa curta vida útil, o quarteto já promete um novo disco de inéditas para fevereiro. Nesse espaço de tempo tão curto, é esperar que o próximo trabalho não soe como algo tão automático.

Cotação: [rate 3.5]
Para comprar: Loja Monstro
Escute: Flames in my Head

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