Pop up! » Blog Archive » Entrevista: Marcelo Yuka

Fevereiro 5, 2006 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Reportagens

Já passaram dois anos desde que Marcelo Yuka anunciou sua saída do Rappa, período onde ele esteve mais ligado ao ativismo político que a música, participando de debates em encontros pelo País. Lança agora, pela Sony, “Sangueaudiência”,  primeiro disco do Furto, banda que vinha anunciando durante essa peregrinação. “Sou muito exigente, mas sei que tem uma hora que precisa fechar o disco. Se deixasse, eu ficava trabalhando sempre em algum detalhe”, explica em entrevista por telefone a Folha de Pernambuco.

Com 15 faixas, o disco é bastante semelhante musicalmente ao Rappa, principalmente a fase “Minha Alma”, que deu certo na banda. A diferença está na falta que Yuka faz hoje a sua banda anterior, que é no texto. As letras de protesto são fortes e, constantemente, sobressaem a própria música. Mesmo quem conhece a trajetória do músico não espera um posicionamento tão radical. O mais positivo nisso é que ele consegue abordar temas batidos e ainda contestar com postura original.

As histórias nas letras mostram experiências que Yuka teve em ONGs ou na própria vida. Como em “Não se Preocupe Comigo”, que fala de seu primo de 19 anos, desaparecido depois de sair para trabalhar. A música, por sinal, foi a primeira escolhida para trabalho de divulgação e já está com clipe na MTV. “Não participo desse processo, mas fiquei feliz com a decisão porque era um protesto que queria difundir logo”, comenta.

“Sangueaudiência” foi todo gravado no quarto de Marcelo Yuka, transformado em estúdio para hospedar os equipamentos. Quem passou por lá e gravou participação interessante foi BNegão, Marisa Monte e Mano Chao, vozes que não influenciaram nem mais, nem menos, na dose do protesto do Furto.

Apesar do sucesso que o disco promete estar apoiado na semelhança que ainda faz com o Rappa, Yuka garante que está “procurando uma nova estética”. “É muito difícil para um artista se anular e eu não vou fazer isso. Acho que o tempo vai mostrar ao público os diferentes caminhos que as duas bandas estão seguindo”, reflete. Por hora, o Furto começa a arquitetar a primeira turnê do disco, marcada para começar a rodar o País somente em janeiro.

Publicado originalmente em: 08.06.05

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