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Abril 4, 2006 | Por: Bruno Nogueira | Na Seção: Reportagens

O embaixador do Drum’n’Bass lança seu primeiro disco como produtor, depois de cinco anos longe das lojas

Gravar discos sempre foi um negócio tranqüilo para o paulista Wagner Borges Ribeiro de Souza, o DJ Patife. “Eu abro meu case de disco e escolho as 15 mais que to tocando na pista, a gravadora licencia e eu vou e mixo uma atrás da outra”. Representante do que seria o mainstream nacional do Drum’n’Bass, ele estava há cinco anos sem lançar nada de novo das lojas. Para inovar no retorno, ele sai do esquema “pressione o botão” e assina um disco onde ele, na verdade, é o produtor.

“Esse disco já vem martelando na minha cabeça desde 2000, eu queria ver até onde eu conseguia chegar no quesito produtor”, resume Patife, numa entrevista por telefone. “O que fiz então foi trazer muita coisa de mim, minhas influências, coisas que eu gosto, coisas que fizeram parte da minha vida, que eu sempre quis fazer um remix ou regravar de alguma maneira”. Uma vontade tão grande só pode resultar num trabalho também grande, diferente do que o DJ estava acostumado.

Em “Na Estrada”, nome de batismo do novo trabalho lançado pela Trama, Patife escolheu músicos, foi para o estúdio e passou pelo processo normal de gravação. Passou também pelo fase do remix, já na pós-produção. “O trabalho de produzir o disco é 100% maior que fazer uma compilação, que em menos de uma hora já está pronto”, avalia. Apesar de reunir composições famosas, como “Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim)” e cantores pouco conhecidos, mas com longa história na noite paulista, Patife não cogitou não assinar o disco.

O disco, garante Patife, já está tocando nas festas. É a maneira mais convencional para ele divulgar seu trabalho, porque como boa parte dos artistas nacionais, ele não encontra espaço nas rádios. Antes de começar a produção do novo disco, ele já tinha fechado datas de apresentações na Europa (o continente tem um “timing” diferente e sempre contrata atrações com muita antecedência). Portanto, “Na Estrada” só deve ganhar sentido nacional em maio, quando o DJ sai em turnê para divulgar as novas faixas.

De todos os gêneros recentes, a música eletrônica é que mais vive de momentos. Mesmo assim, Patife não acredita que o momento do Drum’n’Bass passou. “Se a gente falar que caiu, na verdade é que deixou de ser veiculado”, defende. “Outra vez e estava em São Luis e toquei para três mil pessoas numa festa onde foi até triste desligar o som, porque ninguém queria ir embora”. Confiante, ele completa de maneira incisiva, afirmando que “aqui a gente já tem uma coisa formada, o cenário vai crescendo independente da mídia”.

PSY
Sobre a música eletrônica que está em voga hoje, Patife faz algumas ressalvas. “Eu percebo que eles tem feito muitas festas, lançado CDs, então não tem como competir com um circuito que está trabalhando assim intensamente”, comenta. “Quando o Techno estava em alta era a mesma história, o Mau Mau tocava em todas e o cenário trabalhava para ter essa ascensão”, diz Patife. Apesar do destaque, o Psy não entra no set do DJ. “Eu gosto do som, mas não é do tipo que eu tenho na minha casa ou numa festa que faço”.

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