Interpol – Our Love to Admire
[rating:2.5]

Está deve ser a 16ª ou 17ª vez que escuto, de uma vez só, “Our Love to Admire”, o terceiro disco do Interpol. Descobri-me então em dúvida sobre se fazia tempo que um disco não me colocava para pensar, ou se então era o contrário, eu que há tempo não me debruçava com o devido cuidado para algum novo trabalho. Menos poético que ambas alternativas, na verdade, preferi deixar a pressa passar antes de falar que a primeira impressão que este disco me passou havia sido bastante negativa. Entrar em negociação com minha própria expectativa, por hora, parece ter sido uma boa idéia.
Já se passaram sete anos desde que essa banda de Nova York trouxe a mais bem sucedida atualização para um rock que é grave e denso, este por sua vez, re-inventado com maestria pelo Joy Division. Assim como sua fonte de inspiração, no novo contexto individualista do pós-MP3, o Interpol foi pioneiro. “Pioneer to the Fall” (pioneiros à queda), no trocadilho, acaba funcionando mais do que uma abertura de repertório. É a primeira revisão de carreira feita entre eles e seu público, como se falassem “começamos isso, agora precisamos pensar nos próximos passos”. “And we’ll be fine” (e vamos ficar bem), eles cantam.
Afinal de contas, é correto pensar que outras bandas como The Editors e She Wants Revenge estão fazendo o trabalho de continuidade de maneira muito melhor que o Interpol. Elas, pelo menos, tem uma média maior de hits por disco. Faria pouco sentido apostar em um terceiro álbum que seguisse a mesma linha de raciocínio. Então, após a primeira faixa, passar entre as seguintes tentando encontrar qual delas vai ser o próximo ápice da festa da próxima semana não é uma boa estratégia. O Interpol está diferente agora.
Não apenas um teclado acrescenta textura mais completa às músicas, agora a guitarra sobrepõe o baixo e a voz de Paul Banks passa a ser mais aguda que nos discos passados. “Babe, it’s time we give something new a try” (baby, é hora de tentarmos algo novo), sugerem em “No I In Threesome”, música que acentua essas novas características da banda e, por isso, acaba sendo uma das mais diferentes desta nova jornada. Apresentada a novidade, a seqüência de abertura decepciona um pouco. E eles fazem o terrorismo na terceira “The Scale”: “You think they know us now wait until the stars come out” (se você pensa que eles nos conhecem agora, espere até as estrelas caírem).
Talvez por isso, o single escolhido para lançar “Our Love to Admire” seja o que mais se parece com a agora antiga fase da banda. “The Henirich Manouver” pode ter uma sub-leitura política, quando a banda questiona como as coisas vão na costa oeste (“how are things on the west coast”), novo paraíso norte-americano para quem vive na noite. O Interpol é parte de uma geração militante da cidade de Nova York, junto com o Strokes e o LCD Soundsystem e essas, agora, deixam isso transparecer cada vez mais nas músicas.
Se essa música anuncia uma inconstância, “Mammoth” reconhece o lado de quem escuta e grita “Spare me the suspense” (me poupe do suspense). Reconhece, mas não colabora muito com a ansiedade. A música entra na fila do aproveitável desse novo repertório, mas abre para um segundo tempo onde este novo momento de busca que o Interpol está passando se torna mais evidente. Às vezes rock demais, outras baladinha demais e oras simplesmente confuso.
Numa ação inédita, a gigante EMI agora está dando mais atenção ao que acontece na Internet. Por isso, como primeiro passo contratou o figura Bruno Maia – que já foi notícia aqui enquanto cobria o Roskilde para a RollingStone – para dar novas idéias a gravadora. O príncipio dessa história passou aqui pelo Popup, com o sorteio do novo disco do Interpol para um leitor do blog.Quem ganhou o sorteio foi Vinicius Godoi Fernandes, de Santo André (SP)
eu ja fui um nao revelavel da propria interpol durante poucos dias.
“Turn on The Bright Lights” lançado em 2002, é uma obra prima cheia de misteriosidade, emoção, com letras sombrias e agitadas à mistura.
“Antics” lançado em 2004, é sem dúvida um bom trabalho de estúdio com muito experimentalismo e inovação.
3 anos passaram e os Interpol tiveram mais que tempo para produzir uma obra prima, mas em vez disso, decidiram fazer um albúm de Indie-Rock igual a tantos outros.
E afinal que nos deixa “Our Love To Admire”? Bom de facto o albúm até começa bem com a 1º faixa “Pionner to the Falls”, que é uma belissima música, misteriosa, que nos faz logo lembrar o seu primeiro albúm “Turn on the Bright Lights”. Logo a seguir vêm a faixa “No I in Threesome” , também muita boa, e sem dúvida uma das melhores, presentes no albúm.
A 3º faixa do albúm é “The Scale”, e aqui concerteza muitos fãs de Interpol suspiram de alívio, pois até ver o albúm pareçe ser muito bom mesmo.
As seguintes faixas são “The Heinrich Maneuver” e “Mammoth”, dois singles presentes no albúm e os que tiveram mais sucesso entre o público.
E quando vamos ouvir “Pace Is the Trick” e “All Fired Up”, sentimos que afinal o albúm já não é assim tão bom como pareçe.
A 8º faixa é “Rest My Chemistry” que é também sem dúvida, uma das mais belas faixas deste albúm.
Mas a 9º faixa “Who Do You Think?” estraga logo tudo, e faz pensar se são mesmo os Interpol a tocar, e se foram mesmo eles a escrever esta música.
O abúm termina da melhor forma, com “Wrecking Ball” e “The Lighthouse”, boas faixas.
Quando acabamos de ouvir “Our Love To Admire” sentimos que uma banda tão profissional, e tão boa como os Interpol podiam ter feito melhor. Não, não estou a dizer que o albúm é mau, mas também não o podemos considerar como um grande trabalho…
Para concluir “Our Love To Admire” é um trabalho razoável, e um marco positivo para a história da banda.