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Novembro 19, 2007 | Author: Bruno Nogueira | Arquivar em: Discos

Uma coisa que a digitalização da música ainda não conseguiu mudar é o fato de que a melhor primeira experiência para um disco é sempre visual. Com formato digipack (aquela bandeja plástica envolta de papel cartão), “Fome de Tudo”, o sétimo disco da Nação Zumbi, salta os olhos e impressiona. É o mais bonito até agora, com uma arte feita pelo cantor Jorge du Peixe e sua esposa Valentina de uma mulher abrindo sua barriga com uma faca. É uma senhora fome, de fato, essa que a banda deixou no público desde o excelente “Futura”. Como é comum à banda, esse disco é recheado de contextos. Antes de por o CD no som, passa forte na vista o …

Uma coisa que a digitalização da música ainda não conseguiu mudar é o fato de que a melhor primeira experiência para um disco é sempre visual. Com formato digipack (aquela bandeja plástica envolta de papel cartão), “Fome de Tudo“, o sétimo disco da Nação Zumbi, salta os olhos e impressiona. É o mais bonito até agora, com uma arte feita pelo cantor Jorge du Peixe e sua esposa Valentina de uma mulher abrindo sua barriga com uma faca. É uma senhora fome, de fato, essa que a banda deixou no público desde o excelente “Futura“.

Como é comum à banda, esse disco é recheado de contextos. Antes de por o CD no som, passa forte na vista o nome da nova gravadora, Deckdisc e do tão sonhado, ainda por Chico Science, produtor Mário Caldato Jr (Beck, Beastie Boys). Nunca um nome de produtor – mesmo quando estiveram sob as mãos de Arto Lindsey – veio tão forte antes das músicas da Nação Zumbi.

“Futura” foi um dos discos nacionais que mais causou eco no Brasil de 2007, quando a banda tocou em praticamente todos os principais eventos do país. Sendo assim, o ouvido chega com fome, mas também preparado para dar um passo a frente, não estando mais no mesmo lugar. Mas “Bossa Nostra” abre o disco como um pé violento no freio, soando muito familiar com o disco homônimo da Nação Zumbi. O processo criativo cedeu a carência percussiva e eles abrem com um trabalho que escolhe pelo mais seguro.

Talvez para fincar o pé na nova casa ou, a maior aposta, pela vontade de trabalhar com Caldato remeter ainda a outra sonoridade, as 11 músicas que seguem são bastante previsíveis. São poesias sobre a cidade, recitando Recife e Olinda, em referencias verbais que fazem mais sentido ao pernambucano. Claro, para uma banda que pode ser destacada como a mais importante do cenário pop nacional hoje, um disco previsível da Nação Zumbi ainda é algo a ser celebrado. Apenas será uma celebração com cara de festa repetida de ano novo.

Algumas participações especiais, que poderiam ser vistas como a grande mudança deste disco, também desapontam um pouco. Como a da cantora paulista Céu na música “Inferno“, que não passa de uma voz incidental reforçando o coro do refrão. Tão afogado, que parece algo pensado para os shows que ela não poderá estar presente, podendo ser substituída. Oposto a Money Mark, tecladista do Beastie Boys que soa essencial a “Bossa Nostra”. O descuido na dosagem pode significar que a tão aguardada produção talvez não resulte em tanto resultado.

Em seus pontos mais altos, como “Fome de Tudo” e “Toda Surdez Será Castigada“, as músicas do novo repertório parecem ter sido pensadas exclusivamente para os shows. A sensação de deja vu é constante, como um sopro de boa esperança para quem conhece a banda ao vivo, mas um sopro que chega quente para quem quiser guardar as canções entre as quatro portas do lar. Pode soar um pecado falar isso da Nação Zumbi em terras pernambucanas, mas o fato é que eles têm o cacife de uma banda que se podia esperar muito mais.

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