Jair Rodrigues – Alma Negra – Pop up!

É mais de um disco para cada um dos 43 anos de carreira. De crooner a pai do rap, quase tudo já foi dito sobre Jair Rodrigues, que tem no currículo um dos maiores números de apresentações no Brasil. Adjetivos e referências que somam no fôlego que ele descarrega em “Alma Negra”, seu 44º disco que chega este mês nas lojas. Quatorze músicas onde ele sai da bossa do disco anterior e impera no samba com influências de axé e ritmos próximos, com participações especiais de sua filha Luciana de Mello e Max de Castro.

Jair vem de um momento-chave onde a música era mais importante para o País que o próprio futebol. Diferença que ele sabe muito bem como destacar de hoje. “Antigamente vinha uma mulher bonita que não cantava mas tinha uma bunda legal e conseguia sucesso. Hoje, nem mais isso o pessoal tá pegando”, brinca durante entrevista cedida à Folha de Pernambuco por telefone. “Mas eu acredito nessa nova geração. Acho que eles estão tomando conta, em Pernambuco mesmo tem um menino que vai entrar na história, fazendo com que a MPB tenha o mesmo espaço que nos anos 60 e 70”.

De olho nessa abertura, Jair grava um disco que é muito bem vindo, todo de músicas inéditas. Abre com um samba arrastado, nos versos de “Adeus Tristeza”, sempre com um bom humor que a gente gosta de se identificar. Em “Analista de Boêmio”, ele diz “E se ela não telefonar / a culpa é da bebida”. A música título, ele explica, teria sido escrita para sua filha, mas ela preferiu pedir que o pai gravasse. É a menos distante do ritmo carioca, mais próxima da música de Salvador.

Continua também com os “pout-pourri”, onde junta duas ou três músicas numa só. Fórmula que ele não larga desde que gravou com “Dois na Bossa” com Elis Regina . Nesta, ele com uma mistura de Paulinho da Viola com Délcio Carvalho em “Depois da Despedida / Recado / Madrugada de Amor”. A referência aos amigos continua em “Fogo na Venta”, letra de Martinho da Vila e “Terra Seca”, de Ary Barroso. E além da filha que canta, ele grava “Vagabundo Trabalhador”, autoria do filho.

A pena é que o disco é curtinho, dura pouco mais de 45 minutos. São sambas rápidos, que fazem voltar a faixa no som para ouvir de novo. Já são dez anos que Jair lança um trabalho novo por ano, sem sequer parar sua agenda de shows. Não existe capital que não tenha servido de palco para ele, mas o CD não deixa cansar. Para Pernambuco, ele promete show entre outubro e setembro.

Publicado originalmente em 18.07.05

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