Mallu Magalhães é um dos mais divertidos acidentes que já aconteceu na música pop. Acidente porque chegou ao complicado prestigio de hype ao preencher a enorme carência de um público que, perto do fim da primeira década do milênio, não tinha mais novos ídolos na música nacional. Um buraco deixado por bandas como Los Hermanos e codificado em comportamento a partir de filmes como Juno. E que chega ao ápice agora que ela lança finalmente o primeiro disco, que leva o nome dela como título.

Essa carência se manifesta em dois públicos. Aquele que acha o máximo recitar as referências que ela faz a Bob Dylan e Johnny Cash, e aqueles que sentem prazer em condenar o simples fato de ela ter referências aos 16 anos. Faz lembrar até outros acidentes do pop, como o trio norte-americano Hanson, que também tinha uma música sem letra, Mmmbop, que grudava feito chiclete igual a Tchubaruba.

Mallu não se importa com isso. Completamente consciente do momento que está vivendo, a suspeita de que ela brinca com a própria idade é intrigante. Vai de respostas sérias a outras totalmente sem sentido quando parece que quer apenas despistar a entrevista. Como quando é perguntada sobre o que acha de, ao viajar, conhecer pessoas que se identificam com Tchubaruba; e ela responde que “além de conhecer a loucura dos aeroportos, conhecer novos olhos não tem preço”.

“Acho que a graça é não se importar com isso, sabe?, diz Mallu. “Tocar para quem quiser ouvir, seja de 10 ou 80 anos, de onde for, tanto faz”. Nessa hora, que a maturidade parece tomar de volta o rumo da conversa, ela chega a dar aula aos mais ansiosos por explicações e fecha com “música é assim”. E, assim, ela passa pelo palco de um festival médio como o Bananada, em Goiânia, ao Coquetel Molotov no Recife e o gigante Planeta Terra, em São Paulo.

Mas Mallu Magalhães ainda não aproveita esse circuito da mesma forma que as outras bandas e produtores que o integram. Sempre super protegida, ela chega na hora do show e sai logo depois. Sempre acompanhada pelo pai, ela ainda se comporta como alguém que não está perdendo muita coisa nessa programação. “Tem um pessoal fazendo musica de verdade. mas tem também muita gente fazendo a mesma coisa”. E antes de cair na responsabilidade da afirmação, regrede um pouco o diálogo para completar a frase. “Mas foi sempre assim, não é mesmo? Em todos os lugares, décadas… o legal é que temos muitos estilos… afinal, somos o Brasil.”

Nesse processo Fast Forward, o primeiro disco já chega com quase todas as músicas conhecidas pelo público. A diferença é que aqueles shows para quase ninguém em clubs de São Paulo – onde conheceria pessoalmente o então ex-namorado Hélio Flanders, do Vanguart – deram espaço para uma estrutura que, mesmo no meio independente, é gigante. Com assessoria, produção executiva, artística, segurança e até o patrocínio da Vivo, que vai distribuir o disco nos celulares de seus clientes. “É tudo bem natural, parte da mesma arte”, reflete Mallu. “Tudo está ali para complementar”.

“Eu tento sempre construir o mais verdadeiro e descobridor de mim mesma o possível”, arrisca a cantora. Em outras entrevistas que deu, ela sempre tem o cuidado de deixar respostas sobre a carreira na voz do empresário. Por isso, qualquer questão sobre como opera essa estrutura, ela deixa a cargo do produtor Rossato. O que esperamos sinceramente que mude, já que sua ex-banda, o Bidê ou Balde, não é exatamente um sinônimo de sucesso da música nacional. “Tenho uns planos de projetos paralelos. Mais discos, shows! viagens! desenhos!”, se empolga, como quem sabe que vislumbra um caminho complicado. “”O impossível assim vem também. As mais destemidas descobertas e abraços”

Mallu Magalhães oficializa sua carreira como parte de uma grife. Todas as músicas foram produzidas por Mário Caldato Jr., que já trabalho com grandes nacionais como Nação Zumbi, a pequenas lendas do lado de lá, como Beastie Boys e Beck. Ela chama ele de Marioca. “Antes de gravar, não sabia direito a função de um produtor, mas ficou evidente no estúdio”, conta. “Milhares eram as vezes que eu não sabia o que faltava e o Marioca ajustava um timbre, mudava de sala, colocava um efeito”.

E ela ainda encontra espaço para romantizar o processo técnico, dizendo que “as mesas antigas, os rolos de fita, o som dos chiados, todos foram escolhidos pela arte da intuição”. Arte que ainda não conseguiu dar a pegada certa ao principal porém de Mallu hoje nos palcos, que é a falta de entrosamento com uma banda de integrantes muito mais velhos. “Quando escrevo as músicas, tento passar para eles uma atmosfera quem vem do meu dentro. Eu bem que toco uns instrumentos, mas meus meninos são essenciais para caracterizar cada ponto”, explica a cantora.


Na faixa – Jimmi Hendrix era mais novo que Mallu quando começou a tocar, assim como Angus Young, ao fundar o AC/DC. Pouca idade, na música pop, está longe de ser um mérito. Mas o disco de Mallu já chega com a informação que foi gravado durante as férias, apenas para carimbar mais uma vez que ela tem apenas 16 anos. Algo que acrescenta pouco ao que se escuta faixa a faixa. E também chega caro, numa total falta de diálogo com o público com quem ela pode se comunicar.

“Compro cds sempre que dá, mas é caro”, concorda Mallu. “Eu fico esperando, escolhendo bem, até que vou e compro. Adoro ganhar cds. Para mim é o melhor presente; um cd bem pensado. Baixar, uma ou duas do mesmo cd, se gosto, vou pesquisar na net e depois nas lojas”, conclui.

Sua parcela conhecida, com as músicas Tchubaruba e Vanguart mostram mesmo uma cantora acima da média. Mas, nas novas, o folk de cidade grande parece pouco convincente. Tanto em Angelina quanto em Noil, a sensação é de que os ouvidos pedem uma Mallu ainda mais menina, ao contrário dos sinais que ela dá maturidade. O equilíbrio fica em Don’t Look Back, que ainda assim passa longe da tarefa de salvar o repertório.

Em tempo. Essa entrevista foi feita antes dela oficializar o namoro com Marcelo Camelo. E, antes que você pergunte porque não toquei no assunto, na boa, é porque essa bobagem não faz a menor diferença. Pelo menos por enquanto.

Tags: , ,

15 comentários


  1. Bruno on 26 Nov 2008

    New blog post: Entrevista: Mallu Magalhães http://tinyurl.com/6yzxq8

  2. [...] Attack e Spirtualized? Sei. 7) Eu sou a Lenda DOIS? 8) Após estréia fabulosa, Chrome empaca 9) Pop Up entrevista Mallu Magalhães 10) Velocidade de iPhone 3G em anúncio é enganosa, diz agência britânica Postado por [...]

  3. Wagner on 28 Nov 2008

    Minha gente como foi dificil entrar aqui, dois dias pro site abrir, oh sofrimento.

    o lance que a mallu (peguei abuso dela por causa do jo soares)

    será que mallu tem tanto talento assim mesmo? duvido isso que ela tem talaneto, até por que tem trabalha com ela é bem, mas bem experiente nisso http://bravonline.abril.uol.com.br/conteudo/musica/musicamateria_346048.shtml

    vale lembrar que eu tenho o disco dela e gosto das músicas, mas pra uma menina de 16 anos, ela ta bem retardadinha não? ou não, por que ela esta pegando um cara mais velho e é bom dizer que homens mais velhos não ficam só de pegar na mão…

    mallu mallu, conta essa história direito, bancar a infanto, mas não morre na ‘peda’ né?

  4. Ricardo Panicali on 14 Feb 2009

    Realmente falta espaço para surgir novos talentos, mas na verdade eles existem o duro é colocar eles na midia sem haver um grande investimento.

    Mas Bruno, acho que vale apena voce conferir Tá Ficando Quente! com SANANDA em nosso myspace…. A SANANDA, pop-rock consciente! leva uma mensagem e proposta de trabalho bem interessante…..

    Valeu

    Panicali
    Produtor Executivo

  5. Jean on 25 Mar 2009

    Pouca coisa se salva na música brasileira… e essa menina já era.

    Tanta gente boa, com musica boa, talento de verdade, e a gente tendo que ouvir “essas coisas” na radio/ MTV. Será que sempre vai valer a lógica do dinheiro? Só se aparece quem paga? Quando é que vcamos ouvir algo que gostamos e deixar o que no é imposto?

    A MTV já prestou… Felipe Dilon, essa menina e tantas outras porcarias, ninguem merece.

    Desliguei a TV…

  6. Pedro Henrique Duarte on 29 Mar 2009

    Nada para valer a pena perder um tempo aqui falando, elocubrando… Tomara que ela melhore ou que a moda passe logo! De qualquer forma, alguém sabe o e-mail daqui para envio de material?

    Abraços!

  7. Jael Soares on 29 Mar 2009

    Apesar de Mallu parecer uma retardada que faz músicas em inglês só para paracer “expert”, eu gosto dela. As músicas dela têm letras legaizinhas e ela canta legalzinho. Dá para o gasto – haja vista que aqui no Nordeste só sai merda dessas bandas de um Forró fajuto.

  8. amanda on 06 Apr 2009

    olha, eu gosto muito da mallu. ok, eu entendo que ela num tem AQUELA voz, tem algumas letras bem ruinzinhas e tal, mas pra quem faz música despretenciosa tá bom sim. se a gente for comparar com o que tem na música nacional agora – o que tá na mídia – ela é bem melhor que a maioria. eu acho melhor escutar as músicas fofinhas, infantis e com letras fracas na maioria das vezes, do que ouvir ‘borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu’¬¬

    claro que ela num é a salvação da música brasileira, ela tem muito o que aprender e evoluir ainda. mas pô, já tá bem melhor que muita coisa por aí

  9. Ana Santana on 07 Apr 2009

    Discocrdo do Jael… No Nordeste tem muitaaaa coisa boa!!
    Esqueceu de onde vem a banda mais sagaz da atualidade?? Nacao Zumbi eh de Pernambuco!!Lenine, Cordel do Fogo Encantado… TAntas outras!!!
    Jah a Malu… ELa eh legall sim, porem, ainda tem muito chao pra andar!!Ela pode ter sim referencia musical, mas, nada como a experiencia de estrada mesmo… de chao rodado!!
    Mas tem futuro!!Ainda mais ao lado de MArcelo Camelo!!

  10. chris on 10 Apr 2009

    pelo amor de deus…
    mallu é um lixo…demostraçao total da merda que ta escena musical no brasil…
    olha vem,CSS cantam em ingles e é fenomeno no mundo tudo…
    mallu nao sai do brasil porque nao tem qualidade,nao sabe cantar,nao tem nem talento…
    é triste…… o que o dinheiro nao compra…!!!!!!!!!!!

  11. Yas on 29 Apr 2009

    Mallu Magalhães? Los Hermanos?
    Tudo LIXO

  12. Daniel Fonsêca on 11 May 2009

    Bruno, quando vi a chamada para “entrevista”, achei que, de fato, fosse uma entrevista. Mas, na minha opinião, o texto está mais para uma resenha ou um perfil do que propriamente para uma entrevista. É diferente – sem entrar no mérito – a expressão da entrevistada ‘ipsis literis’ daquela reproduzida em terceira pessoa, ainda que sejam utilizados muitos trechos aspeados. De qualquer forma, adorei o blogue/saite, o que me fez, inclusive, propagandeá-lo pelo tuit [@fonsecaxp] hoje. Seguirei perambulando por aqui, com possíveis comentários ou colaborações sobre o que pouco conheço de música e outras artes – com destaque para a região Nordeste, muito atacada em todos os aspectos, como se pode ver em algums comentários postados aqui. Por enquanto, é isso. Grande abraço!

  13. fernanda on 11 May 2009

    ela é fraca…jogada de marketing…tem muita garota mais nova que a mallu que manda muito melhor….em piano, sanfona…

  14. Gabriela on 25 May 2009

    eu gosto da Malu pelo estilo que ela tem como foi dito antes, ela tem uma voz que não isso tudo…
    Mas a levada que ela tem mesmo sendo golpe de marketing, foi uma boa há tempos eu não ouvia música assim, sem maiores pretenções…
    Agora se ela começar com Faustão, e outros pastelões que reunem a familia sem maiores perspectivas para um domigo á tarde, aí sim vai estragar…

    bjim

  15. Dr. Inutilidade on 26 May 2009

    Ah que ponto cheguei na minha vida, lendo entrevista com Mallu Magalhães: http://bit.ly/VWqog


Comente!