Advogados da música – Pop up!

Descobri essa semana que eu deveria ter feito direito, e não jornalismo. Foi lendo um texto publicado no Pitchfork Media chamado “What do you look for in music writing?”. Tentando criar algum raciocínio sobre para que diabos serve a crítica de música numa época onde a gente muitas vezes baixa o disco antes do próprio cara que escreve, ele chega a conclusão que a principal função dos sites e blogs de música hoje são o de “advogar a música”. Tudo bem que o autor, Tom Ewing, tem as referências mais esquisitas (ele grava programas de rádio para a Disney e as redes norte-americanas da McDonalds), mas até curti a idéia.

Good music writing brings me to the music.
Good music writing shows me something new in the music.
Good music writing tries to start conversations, not stop them.
Good music writing excites me with its insights and ideas.
Good music writing puts a focus on the listener.

É quase um mantra!

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Mas deixando a conversa fiada de lado. Semana passada também apareceu na Internet a nova música do próximo disco do The Editors. Se você é daqueles que se sente mal por não ter vivido a época do Joy Division e New Order, é indispensável conferir. Confesso que só despertei para o primeiro disco da banda depois de muito tempo, e hoje está no top 5 riscos de vício iminente. Se escutar pela manhã, passo o dia sem me concentrar no trabalho.

The Editors – An End Has a Start Downloads: 165

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“The River Raid”, da banda pernambucana River Raid foi o disco mais legal que ouvi esse mês. Contra-cultura total das alfaias dos anos 90, numa época em que ninguém acreditaria que o Eddie trocaria a guitarra e a velocidade quase hardcore para fundar uma nova atmosfera musical. Como todos aqueles que não seguiram a trilha de Chico Science, o River Raid não durou mais que outras bandas vizinhas como o Supersoniques, que também achava que o mais legal era puxar a distorção de guitarra ao máximo.

Papo rápido com o guitarrista Giba por email

Como era tentar fazer um rock mais de guitarras e em inglês no meio da efeverscência do manguebeat?
Isso tem muito haver com as origens da banda… A gente se conheceu num festival de bandas do colegio em 95. Leo (baterista) estudava na mesma sala que eu e foi transferido para outra turma por causa da bagunça que ele fazia. Lá no outro andar ele conheceu Dudu e Toni que tocavam baixo e guitarra. Quando o colégio anunciou que procuravam atrações para o festival, Léo sugeriu que a gente se juntasse para tocar. O nosso som era rock. Influencias brasileiras, americanas e inglesas, mas era sempre em torno do rock, não fazia parte da nossa realidade alfaias e tambores. Apesar de gostarmos de CSNZ e Mundo Livre S.A., a gente se identificava mais com bandas como Supersoniques, Frank Jr, Jorge Cabeleira e Eddie (que era mais rock na época). Quanto à língua, na verdade nosso trabalho sempre foi em português, a idéia de ter músicas em inglês só veio em 2006 quando o produtor Felipe Tichauer (Miami) sugeriu que compuséssemos algumas músicas em inglês para “expandir os horizontes” argumentando que hoje há uma grande abertura no mercado latino e europeu além da facilidade que a internet proporciona, o que seria importantíssimo para viabilizar o projeto já que o mercado brasileiro não consegue sustentar seus artistas “rock”.

Vocês acham que o Recife tem hoje uma “cena” como tinha naquela época?
Na minha opinião a cena é o conjunto entre bandas, produtores e profissionais envolvidos, casas de shows e público. Pra mim ela está viva, só que é mutante, me parece que está mais profissional tecnicamente, só que as bandas são outras e o público também se renovou. Ainda há carencia de um espaço de pequeno porte acessível financeiramente ao público interessado e também mais envolvimento político.

Porque vocês acham que vale a pena lançar um disco? Ou melhor, prensar mil cópias de um?
O disco físico ainda é importante por “materializar” o projeto. Você entra no myspace hoje e vê artistas “virtuais” que muitas vezes fizeram sua música no computador, que não têm banda nem fazem shows. Nada contra, isso é até bem legal só que para quem quer mostrar o trabalho tocando ao vivo e ainda apresentar um trabalho que passecredibilidade a um produtor de eventos por exemplo, o disco é o “cartão de visita” como se fala hoje em dia.

River Raid – Time Up Downloads: 172

Anos 90 também é o forte de uma banda que, na real, só começou esse ano. Lá de Natal, The Sinks canta em inglês e faz um mistureba bacana de referências no som. O EP tá disponível inteiro para download na página do selo/bar/festival DoSol e tá fazendo sucesso com quem escuta. Dizem que o show de estréia já contou com “200 nego”. O DoSol também está inaugurando sua fase como netlabel. Sabe aquele papo de ir comprar o CD? Coisa do passado…

Download direto aqui (disco inteiro)

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