Entrevista: Igor Cavalera – Pop up!

Uma inversão curiosa na programação do Abril pro Rock 2006. A presença mais estranha nos três dias acabou sendo, na verdade, dos dois nomes mais conhecidos pelo público. Igor Cavalera e João Gordo, respectivamente o baterista do Sepultura e o vocalista da Ratos de Porão, que se apresentam na sexta-feira, o dia dedicado a música eletrônica. Os músicos vão deixar de lado os vocais pesados para, juntos, fazerem uma discotecagem.

“Essa história começou como um convite do Gordo, ele me chamou para fazer uma discotegam no The Edge (bar de São Paulo)”, explica Igor. O baterista está numa fase de férias do Sepultura. A banda chegou a viajar em excursão pela Europa, mas ele ficou no Brasil, curtindo o filho recém nascido. “Para mim é um break total. To até aproveitando esse lance para ver coisas novas, até mesmo com bateria eletrônica”, comenta.

A discotegem dos dois vai ser igual à escalação deles para o Abril pro Rock: bem estranha. “O Gordo varia mais no rock e new wave. E a minha discotecagem é mais hip hop. Eu procuro mais elementos e faço umas colagens em cima disso”. Ficou confuso? Ele explica. “Fica bem legal. Ele (João Gordo) toca Led Zeppelin e eu faço um set de hip hop por cima dessa base”. A dupla tem repetido a experiência em algumas casas de show de São Paulo.

“Vai ser legal fazer isso em Recife porque a cidade tem muito a ver com essa mistura toda”, comenta o baterista-DJ, que garante “o cara que for lá, não vai ouvir nem Ratos nem Sepultura”. Os projetos paralelos já são constantes no Sepultura. “O Andreas (Kisser, guitarrista) tem um projeto de blues, o Derrick tem feito outras coisas também”, enumera. “Eu já vinha fazendo outras coisas antes, com o lance da minha marca”, lembra Igor, em referência a grife Cavalera.

Direto ao que interessa, o set de João Jorgo vai do já citado Led Zeppelin a Depeche Mode, marcado pelos principais nomes do New Wave e rock anos 80. Igor Cavaleira traz na bagagem músicas de Necro do Brooklin, 3rd Bass, House of Pain, Run DMC e outros nomes de peso do hip hop.

Próximo de se tornar presença constante na cena noturna dos clubes de São Paulo, Igor Cavalera prefere permanecer fiel ao ritmo predominante do seu set. “Na verdade, depende muito do DJ que está tocando, por aqui tem muita coisa boa”, comenta, sobre as boates de São Paulo. “Aqui tá meio que uma moda grande de tocar e hip hop, e é fácil encontrar coisa ruim também. Mas tem um cara, o Zé Gonzales, que tem sempre tocado umas coisas interessantes”.

Igor também já tem sua opinião sobre a programação da sexta-feira do Abril pro Rock. “Eu vi o Diplo no Tim Festival e o que ele faz é bem interessante. Acho só que ele carrega um pouco no funk carioca, mas tem a ver como trabalho dele, fica legal”. O DJ inglês é, realmente, um dos mais aguardados da noite eletrônica do evento. O completo oposto dos dois roqueiros, que têm feito parte do público do gênero torcer o nariz. É esperar para ver se essa história da certo.

  • Entrevista: Legendary TigermanO homem tigre do blues O Legendary Tiger Man, atração internacional no domingo do Abril pro Rock deste ano, é um ótimo exemplo de como a cultura globalizada só chega no Brasil se for empurrada pela onda do ‘mainstream’ (resumida geralmente na MTV). Apesar de independente, a banda de um…
  • Entrevista: MassacrationEles se uniram para trazer de volta à vida o mais puro heavy metal clássico, e estão conseguindo. Nem lançaram um disco, mas depois de excursionar com o Sepultura, conseguiram fechar shows em todos os principais festivais do Brasil. O único problema é que, até alguns meses atrás eles nem…
  • Entrevista: SimoninhaWilson Simoninha largou a faculdade de Direito já no último período para ser músico. Coisa que não se faz, a menos que você seja filho de um dos maiores talentos dos anos 60 e tenha crescido lado-a-lado com Jorge Ben Jor. Esse cenário é tão favorável na carreira de uma…
  • Entrevista: Moptop Gabriel Marques é o vocalista, guitarrista e fundador do Moptop. A história começa com ele em casa, querendo aprender a usar o protools (programa para editar música) e gravando no próprio quarto a sua voz, guitarra e programando a bateria. Da história, surgiu o Delux, que então virou Moptop….
  • Entrevista: DJ PatifeO embaixador do Drum’n’Bass lança seu primeiro disco como produtor, depois de cinco anos longe das lojas…

Random Posts