Não acredite no hype – Pop up!

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Estou lendo o Pitchfork 500, livro do portal guru da música indie, em ordem aleatória. É a melhor maneira de saborear esses guias que tem apenas um sentido cronológico. Ontem eu esbarrei na página 99, que traz uma lista de gêneros que o jornalismo musical tentou inventar mas que não deram tão certo como esperado. Achei tão legal que resolvi reproduzir – traduzido, claro – aqui. Engraçado que eles já começam lembrando que esse parece ser um mal da era MySpace, mas na verdade já é uma prática bem antiga, olha só:

Grebo: Parece nome de vilão da primeira trilogia Guerra nas Estrelas, mas o gênero era a promessa no começo da década de 90 na Inglaterra. Nomes bobos de bandas como “Ned’s Atomic Dustbin”, “Gaye Bykers on Acid” e “Carter Unstoppable Sex Machine” era o máximo na época. O visual incluia dreadlocks, cabeça parcialmente raspada, botas e calças militares. Então, era mesmo tipo um vilão de Guerra nas Estrelas.

Digital Hardcore: O gênero inteiro estava centralizado em uma única banda, a Atari Teenage Riot, que ganhou paixão da crítica com muito mais que um nome bem legal. Sua marca eram as batidas computadorizadas mega-aceleradas, que os fez assinar com o mesmo selo dos Beastie Boys, o Grand Royal Records. O selo parou de funcionar no ano seguinte.

Happy Hardcore: Esse tipo de techno acelerado, tocado por figuras com cara de ratos em roupas super ajustadas, sobreviveu por tanto tempo quanto um verdadeiro roedor viciado em anfetamina.

New Wave da New Wave: Eles começaram junto com o Britpop no selo Fierce Panda. O primeiro lançamento, Shagging in the Streets, foi na verdade uma compilação. Eram roqueiros de calça de couro, sempre acompanhados pela bandeira da inglaterra.

Cow Punk: Sinceramente, seria bobo pensar que o conceito de punks caipiras pegaria como moda. Mesmo assim, o mote do “cow punk” durou por meses. Toda essa cena desmoronou empiricamente, nós achamos, porque a banda punk de Minneapolis Cow não era de Cow Punk. Foi isso, ou então um dilema de consciência dos guitarristas vegans.

Psychobilly: Muito mais uma fantasia de Halloween que um gênero musical, os Psychobillies se vestiam como zumbis mecânicos / caminhoneiros. Outros produtos “Billy” que não deram certam incluem o Butterbilly, a manteiga de café da manhã que vinha em uma lata de pomada, e Rubberbillies, o remédio.

New Rave: No dia 1 de novembro de 1976 o químico Richard Van Zandt, da Companhia Americana de Cianamido, registrou o patente de número 4.064.428 para seu “aparelho de luz química”. O “glowstick”, tão velho quanto o punk rock, virou moda entre os clubbers e dura até hoje. Mas, claro, o gênero teve vida tão longa quanto a luz que os tubos de plástico produzem.

Paisley Underground: Os índios fazendeiros tinham costumo de pintar a palma da mão e marcar as paredes para anunciar a chegada da colheita. O símbolo virou um motivo textil exportado pelos soldados da rainha da Inglaterra quando voltaram para a Escócia. Durante o verão do amor as bandas psicodélicas aplicaram esses símbolos que lembram o Yin Yang nas guitarras e nas roupas. Mas a moda é temporal e batizar um movimento musical de Paisley funcionou tão bem quanto oOshKosh Folk.

Mathrock: A verdadeira tragédia da curta vida do Mathrock foi a falta de proliferação no mainstream ou bandas de sucesso. Caso contrário, poderiam ter gerado o Geometry Funk, Vector Metal e Cominatorindie.

Glitch: Lembra quando sua avó descobriu o email e o Photoshop? De repente sua caixa de entrada estava lotada com fotos de cachorrinhos com vários efeitos de pincéis e cores gritantes. Pois é, as vezes as pessoas se empolgam demais com computadores.

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