Recbeat 2009: quarto dia

cordel

Nos últimos dois anos, o festival Recbeat se viu obrigado a diminuir a proporção das atrações em sua programação, assustados com a reação agressiva do público. Era, na verdade, parte de um processo em que o evento começava a perder sua identidade e se transformava em apenas mais uma das tantas esquinas do Carnaval do Recife. No último dia da edição 2009, entrentanto, parece que toda a produção do evento já pode respirar mais aliviada.

Quando um público acima da média se concentrava já cedo para ver o Burro Morto, ficou oficialmente provado que o festival voltou a crescer, mas agora dono de sua própria marca. Aquelas pessoas não estavam ali apenas em busca da folia, mas sim porque sabiam que encontrariam uma programação diferenciada. E, na melhor apresentação que a banda paraibana já fez até hoje aqui em Pernambuco, é provável que absolutamente ninguém tenha se decepcionado.

A banda instrumental tem uma pegada de música do mundo e com um jeitão hippie, mas sem deixar essas referências atrapalharem a boa diversão. São uma cria bem resolvida da geração dos anos 90, com uma consciência de soar sempre mais pop que experimental, chamando até a atenção dos ouvidos desavisados. São um dos nomes da música independente para se olhar de perto em 2009.

Depois deles, foi a vez de Junio Barreto fazer um justo retorno ao Recife. Apesar do disco novo, ele cantou principalmente músicas do primeiro trabalho. Acompanhado por um time escolhido a dedo, com a baterista Simone Soul (que já tocou com Cássia Eller) e Dimas Turbo (Jumbo Elektro / Cérebro Eletrônico), ele parecia bem mais animado que o de costume no palco. Pulava, abraçava os músicos e até tirava uma onda nos instrumentos.

Não bastasse a surpresa que o Desorden Público trouxe na noite anterior, outra banda da América Latina cravou o nome nas melhores apresentações do Recbeat este ano. Foi a Bomba Estéreo, com um típico pop colombiano. Show bem pra cima, que conseguiu deixar o povo grudado no palco mesmo debaixo de chuva. Muito em parte pela presença de palco da vocalista Liliana Saumet.

Mas essa era a noite do Cordel do Fogo Encantado. Há 10 anos, a banda fazia uma estréia ainda mambembe no mesmo Recbeat, na época acontecendo na rua da Moeda do Recife Antigo. De lá para cá, eles se tornaram em um dos casos mais esquisitos da música independente nacional. De certa forma, continuaram sem ter grandes álbuns, nem tocar em rádios ou aparecer na MTV. Foram os únicos contemporâneos da geração Manguebeat que nunca chegaram a assinar com gravadora. E, mesmo assim, é a banda que mais cresce em público.

A apresentação foi de quase duas horas de pura catarse. Com direito a participação de Canibal, do Devotos e uma formação praticamente inédita do Cordel no Recife. A banda ganhou um formato que parecia ser improvável, mas vendo ao vivo chega a ser inevitável pensar porque demorou tanto para eles passarem a se apresentar assim. Explicando: é que antes eles formavam um grupo apenas com percussão. Apenas depois de muito tempo incluiram um violão, mas agora viraram uma verdadeira Orquestra. Ao redor do maestro Lirinha, metais e vários instrumentos dão uma nova cara, garantindo fácil outros 10 anos para a banda.

3 comments

  1. Júlio Rennó

    pra falar em cordel penso em joão… por que tal afirmativa? (explico…)

    completar dez anos de banda com o nível musical que tem esta banda é incrível mesmo, mas aparecer na mtv não vale muito há muito tempo. ela, a mtv, já perdeu a sua identidade há alguns anos, é uma pena. também sinto pena do grande esforço que se faz pra colocar joão numa espécie de grande-artista-do-povo-fala-como-eles-e-é-um-fenômeno.

    bem, deixem o joão fazer a sua música, deixem ele cantar o POVO… bem, cartola e tantos outros já fizeram sua música ser mais do que música do morro, é simplesmente música.

    ainda não ouvi uma frase de joão que me soasse simplesmente como música, é pra mim, apenas aquela piada que se acha graça, não passa disso.

    desejo que joão ouse mais, saia do morro sem nunca sair dele. entedeu?

    mas minha voz é a de um ouvido desatento, um outro crítico, um heterônimo.

    o texto não era pra sair tão grande…

    ps.: foi bonito mesmo os meninos do cordel, eu vi.

  2. claudia aires

    Realmente o show do Burro Morto cresce a olhos (e ouvidos) vistos!
    Vale ressaltar a qualidade do som e da equipe do RecBeat que é incrível! O show sficará na memória!

    Bjs e obrigada pela cobertura

  3. Roberta Martinho

    Gostaria de apresentar a ” Orquestra Brasileira de Música Jamaicana”

    Vale a pena conferir: http://www.myspace.com/skabrazooKa

    Espero que goste!

    Segue release:

    A “Orquestra Brasileira de Musica Jamaicana”, idealizada pelo músico e produtor Sérgio Soffiatti e o trompetista Felippe Pipeta, em 2005 e só colocada em prática agora em 2008. A idéia inicial era tocar música jamaicana de raiz, ska, rocksteady e early reggae, mas logo veio a idéia de tocar clássicos da música brasileira nesses estilos.
    Esse é na verdade o primeiro projeto da OBMJ, que pode trazer surpresas no decorrer da sua existência. Aproveitamos o cinqüentenário da Bossa Nova pra incluir no repertório vários clássicos como “Águas de Março”, “Barquinho”, “Samba de Verão”, “Garota de Ipanema” misturada ao Clássico “Ghost Town”, entre outras. O jazz presente nas harmonias e improvisos faz com que a execução dessas composições nos ritmos de ska e reggae aconteça com muita naturalidade.
    Mesmo com esse set de Música Brasileira, a orquestra não deixa de apresentar já sua primeira composição original, entitulada “Ska Around the Nation”. Um tema que remete ao ska dos anos 60 com improvisos de quase todos os músicos. Muitas outras composições virão para permearem o show da Orquestra que promete colocar todo mundo pra dançar.
    Em breve, estaremos com a formacao completa da banda, que já conta com Ruben Marley no trombone, Marcelo Cotarelli no trompete e flugel, Fernando Bastos no sax tenor e flauta e Igor Thomaz no sax barítono e alto, Mau Sapão na bateria, além de Pipeta no trompete e flugel e Sérgio Soffiatti nas guitarras e vocais.

    Obrigada pela atenção,

    Roberta Martinho

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