A apatia é grande e a crise é geral

O Tim Festival acabou. Certa vez, um amigo me falou que me achava um xiita da cena independente. E agora eu começo a pensar que ele talvez tenha um pouco de razão, já que a notícia acabou me dividindo um pouco entre tristeza e alegria. Eu cheguei a fazer cobertura das edições de 2006 (quando tirei essa fotinha ai de cima) e 2007, e vi alguns vários shows internacionais lá que, na época, acho que teria sido impossível de ver. E essa é a tristeza nesse final. Mas uma tristeza light, já que, nos últimos três anos, cada vez mais bandas de fora vieram cá através de outros festivais corporativos.
A felicidade é um tanto maldosa. Fica pela constatação de um discurso dos festivais independentes que foi tanto críticada no passado. A de que as grandes corporações não se importavam tanto com a música quanto parecia (a Tim também cancelou o seu prêmio). E enquanto eventos como o Goiânia Noise e Abril Pro Rock enfrentam diversas crises, seguem perto de completar duas décadas de existência. E o Tim engrossa o coro do Claro Q é Rock e vários outros festivais corporativos que com muita sorte passam de cinco anos.
Fica a esperança que a Dueto Produções (que fazia o evento) e Monique Gardenberg (a produtor a frente do festival) encontrem outros patrocínios. Elas já adiantaram que, para este ano, ficou totalmente inviável ter um festival.
Bruno, em 87, com 12 anos assisti meu primeiro festival de rock. Foi na rua num palco montando na carroceria de um caminhão MB. Pirei “o negócio é ter uma banda!”; depois que montei (foram quase 10 anos) pirei de novo “que nada, o negócio é organizar shows”; assim que comecei pirei mais uma vez “na verdade, o negócio é produzir as bandas”; foi então que eu caí na real “bom mesmo é assistir”. Por que digo isso? Hoje – ao olhar para um cenário repleto de bandas, palcos, canais de divulgação e, o que é mais importante, PÚBLICO – vejo que só depende mesmo de “boas cabeças” para se fazer uma cena duca. Recife, Cuiabá, Campo Grande, Bsb, Uberlândia, Goiânia e tantas outras cidades fora do eixo Rio-SP-RS são um exemplo disso. E sem querer ser saudosista pra quem tem um Goiania Noise ou um Studio SP, para citar apenas dois, realmente não fica à mercê de mega eventos. Faz falta, mas o saldo ainda continua positivo.
fazer festival com grana garantida deve estar entre os melhores empregos do mundo.
Quero ver é vir pro dia-a-dia.
@Luciano
Já passei por umas crises dessas. Ainda acho que participar é mais legal que só assistir. Mesmo que seja como um público participativo (aquele que tira fotos do show, faz video com o celular e poe no youtube, enche o orkut com info das bandas, setlist de shows e por ai vai) :)
É realmente lamentável ver mais um festival indo embora. Eu tinha lido em algum lugar que o TIM Festival deixaria de acontecer em varias cidades e aconteceria só no Rio de Janeiro. Mas pelo visto nem isso.
Mas é realmente uma pena. Sabendo que não temos muitos festivais que possam trazer artistas internacionais aqui no Brasil.
Enquanto isso o Oxegen esta bombando! \o/