N’Zambi – Kaya, mas se Oriente – Pop up!

Muito antes da experiência de ouvir, apenas contemplar o primeiro disco da banda N’Zambi já é algo que causa um pouco de fascínio. Fascínio de se perguntar quanto tempo faz que o Recife ensaia uma das mais promissoras cenas de reggae do País, com shows sempre lotados e uma grande quantidade de opções de bandas locais. Todas, até agora, presas entre o momento mais mambembe de ensaios em garagem e pouca postura profissional. “Kaya Mas se Oriente” rompe um pouco do conceito de “cartão de visitas” para virar também um grito de liberdade. O reggae pernambucano agora brinca como gente grande.

No detalhe das 12 faixas, está um disco simples, mas muito bem acabado. O N’Zambi sempre esteve no olho do furacão dessa cena reggae local e aproveitou alguns visitantes ilustres que a cidade recebeu para rechear esse primeiro trabalho. Quem assina a produção do CD é o guitarrista da banda Ponto de Equilíbrio – principal novo nome do gênero hoje no Brasil – Ras André. Além dele, que toca também na música “Canto ao Alto”, estão presentes também o tecladista da Ponto de Equlíbrio Thiago e, de Cabo Verde, o músico Tchida, da banda Coração di Nêgu, João Zarai (Massativa) e a cantora Carla D’Anunciação.

Natural de um primeiro disco, o N’Zambi ainda peca um pouco em detalhes que saltam aos olhos. Como resumir algumas poesias das músicas a trocadilhos com o vocabulário do reggae (caso da primeira música, que também batiza o disco). Não por acaso, eles mostram seu melhor momento quando deixam de lado essas referências e cantam sobre uma realidade própria. George de Souza (voz), Gustavo Bola (guitarra), Diego Ilarráz (baixo), Mauro Delê (percussão) e Paulo “Baba” Ricardo (bateria) fazem um divertido e curioso reposicionamento da Várzea no Grande Recife a partir de experiências próprias. E como dita a antiga regra das aldeias globais, cantar sobre sua aldeia é cantar sobre o mundo.

“Kaya, Mas se Oriente” é lançado em formato SMD. Um disco que usa apenas a parte metálica gravada, diminuindo os custos de prensagem (com um encarte-revista, o do N’Zambi sai a R$ 6), iniciativa que apesar de elogiada, tem sido pouco usada por bandas de Pernambuco (o Rabecado foi outro grupo que também usou o SMD). O preço também coloca a banda com os pés no chão de quem quer se posicionar bem nacionalmente. A ambição do N’Zambi também é de gente grande e esse disco pode ser um passo fundamental para o reggae em Pernambuco passar a ter uma postura séria.

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