Móveis Coloniais de Acaju – C_mpl_te
Em um mercado profetizado que a grande renda do artista seriam os shows, a maior crítica que era feita aos Móveis Coloniais de Acaju é de que o grupo brasiliense não era uma banda de discos. O incomodo crescia na medida que eles traziam para o mercado independente o conceito de espetáculo, enquanto a maioria das bandas tocava como se estivessem trancados em um estúdio. Ou pior, como se nem suas próprias canções os empolgassem. Entre os pessimistas, aquela orquestra de sopros podia sair correndo de uma ponta a outra do palco quanto quisesse, que o público se lembraria apenas do alvoroço, mas não das músicas.

O primeiro significado por trás do nome do segundo disco deles, lançado no formato Álbum Virtual da Trama, com produção de Carlos Eduardo Miranda, é o de encontrar essa outra metade. “C_mpl_te“. Todas as oportunidades que a banda teve de se pronunciar a respeito, aproveitou para reforçar que seria um álbum de canções, pensado para ouvir em casa. Para garantir, chegaram a lançar uma versão ao vivo de cada faixa, algumas até com andamento diferente e mais acelerado. No final das 12 músicas essa angustia deles pelo formato canção é totalmente sanado.
C_mple_te não reinventa a roda sob nenhum aspecto. É um álbum pop que tem como tema central o amor, composto e produzido seguindo regras bem perceptíveis. Soa, acima de tudo, como um disco de trilhas sonoras. Da mais lenta “Adeus” até aquelas que parecem feitas apenas para os shows, como “Sem Palavras“, a imagem de reencontros e desencontros apaixonados parecem completar essa experiência do móveis com o ouvinte-indivíduo. Com a parede de sopros mais baixa e a voz de André Gonzales valorizada, a banda constrói diálogos na forma de canção. Quase como se estivesse perguntando ao fim de cada faixa se você não concorda com o que acabou de ser dito.

É um repertório que já garante a eles, fácil, pelo menos uma das três primeiras posições entre os melhores discos lançados este ano, mesmo sabendo a quantidade da novidades programadas para o segundo semestre. A sequência de hits “Lista de Casamento” / “O Tempo” / “Cão-Guia“, descarrega energia bruta e traz uma maturidade sonora até então nunca experimentada nesse contexto dos festivais onde o Móveis nasceu. Elas trazem o resumo de tudo que aconteceu e são as que dão mais segurança para arriscar essa futurologia. Dá para ouvir e vislumbrar que o naipe de metais parou de correr, mas a fanfarra continuou.
O Móveis encontra o equilibro entre esses dois mundos, o gravado e ao vivo, sem medo de usar efeitos e recursos que delimitam o disco como uma experiência totalmente própria e a parte. “Café com Leite” e “Para manter ou mudar” são dois desses “momentos fone de ouvido” que podem causar estranhamento aos antigos fãs. No entando, “C_mpl_te” não é sobre encontrar aquela mesma banda que é vista no palco, mas sim um produto derivado daquela apresentação. Encontrar um novo ponto de vista sobre uma banda que tem uma identidade tão forte está entre os grandes prazeres desse disco.

Mas talvez a maior contribuição desse trabalho sejam as provas que ele dá que o formato álbum não se esgotou. O Móveis não conseguiria existir em termos de audição individualizada apenas com um ou dois singles. Toda a obra se completa e, com pouco de otimismo, ao fazer isso dá direções para onde deve rumar a música popular brasileira em termos de longo prazo. Dá para baixar de graça no site da Trama, mas esse é para aguardar um pouco mais e comprar.
Amei este novo trabalho do Móveis e com certeza é daqueles que você quer comprar e guardar com todo cuidado. Sou apaixonada pela banda, uma das melhores no momento, pelo menos na minha humilde opinião.
bj
Bruno!
A cantora e compositora Nancyta é a nova entrevistada do Podcast K7.
A musa do rock BA falou sobre o cenário, mercado, estilo, e o mais importante: sobre a ligação com o gênio Smetak.
Se puder, confira!
Link direto: http://elmirdad.blogspot.com/2009/05/podcast-k7-04-nancyta.html
Abs!
Bruno, excelente resenha! A sensação que dá ao ouvir o disco é exatamente essa: ele é completo e não uma colcha de retalhos. Ontem eles estrearam o estúdio trama ao vivo (ou algo assim), e mesmo tocando em um espaço diminuto, a energia e empolgação eram visíveis. A banda é animal.
Parabéns pelo excelente blog, como já disse em outra oportunidade.
abraço!
Eu adoro Móveis, e concordo que esse disco é muito mais de canções e melodias que o anterior, que era de ritmo e arranjo.
Mas achei que ainda sobrou um excesso de informação nas músicas. Todas me parecem ter partes demais – começa rock, aí pesa, aí fica lento, aí entra ska, aí pesa de novo… Gosto de quase todas, mas a maioria ficou me parecendo mais longa do que é, meio cansativo.
Algumas pessoas não entenderam, mas essa evolução musical é muito grande para uma banda de 9 pessoas e com apenas o segundo disco. A maturidade não traduz apenas sons mais “cabeças” ou coisa parecida, e sim músicas melhor trabalhadas e com fôlego para o mp3 player e para o show. Discaço!
parabens pela crítica.. certeira…
O Moveis Coloniais de Acaju vem provando cada vez mais que é uma das melhores bandas brasileiras e o disco contem toda a autonomia do som deles ou seja é o som traz algo proprio da banda. Gostei muito desse trabalho deles e é daqueles discos que vc quer passar o dia todo ouvindo. É uma das bandas que mais admiro e digo que eles ainda vao crescer mais ainda na cena nacional..!
Alguém sabe se tem algum show previsto do “Móveis” em em Curitiba?