
Acabou que não falei nada sobre a Feira Música Brasil aqui. O evento foi tão desorganizado no começo, somando um ano inteiro de disputa entre produtoras, entidades, ministério, funarte e quem mais se aproximasse de tanto dinheiro, que a programação só foi divulgada na prorrogação do segundo tempo. O nome dos palestrantes dos painéis, por exemplo, só saiu um dia antes deles acontecerem. Mas o evento aconteceu bem, mesmo assim. Bem parecido com a edição anterior, só que dessa vez dialogando com um mercado maior de música. Se na FMB passada tinha stand para vender doce de leite, nesse o espaço foi ocupado com a presença de representante de majors, agentes e cerca de 500 convidados para o evento.
Também não acompanhei o desdobrar da abertura e os primeiros dias. Só cheguei no Recife no último dia da Feira, direto para uma oficina que dei no Centro Cultural dos Correios sobre Redes Sociais. Foi tempo suficiente para receber uma tonelada de CD’s, encontrar um monte de gente e ficar a par do que andava acontecendo. Fiz a mesma pergunta para todo mundo que esbarrei. “A feira está sendo proveitosa para você?”, quem arriscou responder que sim, não soube explicar porque. Com exceção a quem visitava a cidade pela primeira vez.
Me parece que ainda falta algo para essas feiras funcionarem. Do primeiro Porto Musical até hoje, a sensação que tive é que todo mundo já se conheceu e essa fase do networking já passou. Continua agora sendo um evento de músicos para músicos / produtores para produtores. Cada um reclamando para o outro sobre como o negócio anda mal. Quem vem de fora, vem para falar de uma realidade que não existe no Brasil, como um club de Nova York que pertence ao mesmo selo que lançou o disco de Otto por lá. E faz show lotados de música brasileira a ingressos que demandam um público seleto. Nem quem ganha dinheiro com nossa música lá fora consegue ter uma idéia de como vamos fazer para ganhar aqui.
Com exceção de poucas provocações necessárias, como a que Miranda fez para quem ainda acredita na rádio – ele disse, basicamente, que quem escuta rádio hoje em dia é otário - a Feira faz poucas engrenagens da cadeia produtiva girar. É cada vez mais um evento social que de negócios. Afinal, todos já se conhecem. Na rodada de negócios, donos de casas de shows só fizeram negar presencialmente a participação de quem já negavam por e-mail. As gravadoras tiveram oportunidade de dizer cara a cara que não se interessam pela produção independente e teve até blogueiro tentando conseguir anuncio para seu site, sem sucesso, das mesmas pessoas que já tinham negado antes. Até eu, nesse último dia, recebi uma penca de discos que, com exceção de dois, já tinha recebido o link para baixar em MP3.
A Feira é boa como confraternização, mas falta foco. De tudo que presenciei esse ano, o ponto vai para a boa intenção da Conexão Vivo. Não só pela boa programação que fizeram por fora, mas por que fizeram isso sem viciar o mercado local em shows de graça. Infelizmente, só não teve bom resultado, em parte pela obsessão dos shows de graça. Esse ano, nem o metal, um dos poucos gêneros alternativos que ainda conseguia cobrar ingresso no Recife, ficou de fora. Sepultura lotou, foi bonito, mas tomara que isso não complique para quem quiser contratar o show deles em breve e receber um “vai ter de graça”, do público, como os outros produtores tanto recebem nessa cidade.



Bruno Nogueira é pernambucano, jornalista e está no meio de um doutorado em Comunicação e Cultura Contemporânea. Escreve para jornais, revistas e tudos mais que aparece por aqui.



Oi Bruno, assisti ao painel “Gerenciamento de Carreiras Artísticas” no sábado pela manhã no Teatro Apolo. Participaram KK Mamoni (ex- Sandy & Junior), Steve da Top Cat (Simone, Ivan Lins, João Bosco) e Tronco Produções (agência/booking de São Paulo). Legal eles partilharem das opiniões pessoais, legal eles falarem de suas carreuras e empreitadas, mas falta mais, falta o que realmente importa para o público que estava assistindo, falta o relevante num debate como esse: abrir o jogo e mostrar como funciona o negócio, quem ganha dinheiro e quanto ganha. Fica a sensação de um vazio quando acaba… falaram e não disseram nada de relevante. Uma pena. Também faltou convidar alguém do Norte ou Nordeste, que pudesse confrontar com a praxe empresariamentro e agenciamento do Sudeste. Também falta um pouco de didática por parte dos palestrantes para expor os assuntos.
Esses painéis são sempre de “cases” né. Eles estão muito mais tentando vender o negócio deles para quem assiste que compartilhar idéias e debater problemas comuns. Eu nem tinha notado isso que você falou… é verdade mesmo, faltou gente do Nordeste nas mesas para fazer uma ponta com a realidade local!
No blog:: E a Feira Música Brasil? http://www.popup.mus.br/2009/12/14/e-a-feira-musica-brasil/
Complementando o que foi dito por vocês (Bruno e Leo) até o próprio Miranda quando provoca busca vender os seus negócios, esse tipo de gente precisa ser confrontada, questionada, pois um dia o mesmo foi como muitos que lá estavam como o mesmo se denominou “romântico”, ora quando um cara diz que ouvir rádio é otário e no mesmo palco elogia uma rádio de rede como OI (que eu ouço, ao contrrário dele) e diz recomendar aos músicos os quais trabalham a fazerem uma música boa que possa, também, tocar na rádio é um sinal de hipocrisia do tamanho daquele “bucho” cheio da grana em cima dos indies e dos “otários”. Para mim não passa nada além de gente jurada de falsos ídolos brasileiros.
“Immerse your soul in love”
Bruno, sobre o Conexão Vivo… os artistas locais não deveriam receber para tocar, não?
Isso também não enfraquece o marcado?
Vejo aí uma falha no Conexão.
Não sei como foi essa coisa dos cachês. Mas se as bandas toparam tocar sem receber, você tem que reclamar com elas também, né? Eu sei que as bandas de fora receberam passagem e hospedagem para vir tocar
[...] de negócios, vamos falar da Feira da Música. Teve a de Fortaleza e a nacional que foi em Recife. Bruno Nogueira até comentou que o pessoal estava mais para encontrar os amigos, uma espécie de oba-oba. Foi isso [...]
[...] de negócios, vamos falar da Feira da Música. Teve a de Fortaleza e a nacional que foi em Recife. Bruno Nogueira até comentou que o pessoal estava mais para encontrar os amigos, uma espécie de oba-oba. Foi isso [...]