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De: Goiânia
Selo: Monstro Discos
Para quem gosta de: King’s of Leon, MQN e The Datsuns

Quando o Black Drawing Chalks começou, em Goiânia, não tinha nem a pretensão de ser uma banda. Imagina, então, de serem logo a banda mais legal hoje no Brasil. Eles eram apenas um pretexto para que Victor (guitarra e voz), Douglas (bateria) e Marco Bauer (ex-guitarrista) brincassem com material gráfico e identidade visual na faculdade de Design. Era tipo amigo imaginário e o nome não podia ser melhor. Em inglês, traduz o giz usado para desenhar no quadro negro. Só após abaixar a poeira da desgastante corrida pela próxima grande coisa que aparecesse do cenário independente – quando após uns cinco/seis anos todos se deram conta de que isso não existiria – eles foram uma das poucas bandas de verdade a resistir.

Seguindo a cartilha MQN do rock – a principal banda da cidade – eles nem sequer eram a melhor aposta. Quando o primeiro disco foi lançado, disputou atenção com uma das favoritas de Goiânia, o Violins, junto com a Valentina, outra que vinha na linha de lapidar ainda mais a música pós-CSS, com direito a produção de Iuri Freiberger. Mas o Black Drawing Chalks – que na sua formação atual ainda conta com Renato (guitarrista) e Denis (baixista) – provou mais uma vez que a despretensão é a melhor fórmula para o sucesso. Sempre bem quietos e se divertindo, eles passaram da programação de um festival local para outro vizinho. E de lá para outro mais distante, até chegarem nos Estados Unidos e Canadá com o título de “Brazil’s Best Loud Music Export”.

Depois do Macaco Bong, eles são um dos principais modelos do novo método de trabalho da cena independente, onde não tem espaço para preguiçosos. E com a ajuda do bom-mocismo do quarteto, estão avançando devagar e com sucesso contra a barreira que separa eles da programação dos festivais independentes para a da MTV. Renato, guitarrista da banda, respondeu a entrevista abaixo:

A pergunta que tenho feito sempre a todas as bandas. O que é que vocês andam ouvindo quando não estão ensaiando ou no palco?

A gente ouve bandas de todos os gêneros e tipos praticamente. Cada um tem seu gosto. O Denis, por exemplo, gosta muito de músicas pesadas, o Victor gosta de muita coisa da década de 80, o Douglas é mais diversificado, eu gosto muito de rock da década de 60 e 70, mas de alguma forma a gente se entende, o resultado de nossas músicas sempre nos agrada. Para citar bandas, particularmente ando ouvindo muito Queens of the Stone Age, Kings of Leon, Franz Ferdinand, Cage the Elephant, AMP, MQN, Led Zeppelin, CCR, e por aí vai.

Essa fama de Goiânia como terra prometida do rock só cresce. E a impressão cada vez maior é que banda de rock se dá bem ai no Centro Oeste. Como é isso na prática? Vocês tocam mto na cidade? Dá para pagar as contas tocando rock ai?

Realmente a cena de rock aqui é incrível, mas sempre há onde melhorar. A gente toca bastante por aqui, mas são raros os casos em que somos remunerados. Ultimamente tem surgido algumas casas onde é possível ganhar uma porcentagem da bilheteria, mas isso não garante o sustento da banda. Todos nós temos trabalhos além da música, infelizmente isso é uma realidade. Hoje posso dizer que pelo menos os gastos que envolvem a banda a gente consegue suprir com o dinheiro que a própria banda faz.

Independente disso tem grandes bandas de rock vindo dai. Vocês sentem alguma pressão de outros produtores ou do público quando vão tocar em outras cidades? Isso pesa quando vocês vão fazer novas músicas?

Com certeza, aqui existem muitas bandas boas, assim como no Brasil todo. Pra se destacar o trabalho tem que ser bem feito, e desde o começo da banda nós firmamos o compromisso de dar o máximo de nós para fazer um trabalho de qualidade, tanto na gravação, nos materiais de merchandising, quanto nas performances ao vivo. A gente quer sempre dar o melhor, o máximo de nós.

Por falar nisso, como é que funciona a banda? Quem escreve as músicas? Vocês precisam parar os shows para compor ou tem coisa nova surgindo na estrada?

Normalmente quem escreve as letras são o Douglas e o Victor. Na hora de fazer a parte instrumental, geralmente cada um leva uma idéia para o ensaio e a gente começa a desenvolver a música. Não temos uma época específica para fazer as músicas, elas vão surgindo naturalmente, tanto na estrada quanto em casa.

Vocês já tiveram um gostinho de como é tocar fora do Brasil. Teve muita diferença? Pareceu um circuito que vale a pena investir ou vcs vão preferir ficar aqui mesmo?

Acho que a diferença principal é que lá as bandas fazem um número muito maior de shows em relação às bandas brasileiras. Algumas bandas de médio porte conseguem viver de música lá e não passam dificuldades financeiras. Além disso, eles têm a cultura de fazer turnês extensas, o que não se vê entre as bandas independentes daqui. Foi muito bom para aprendermos isso e vale a pena investir. Mas acho muito importante trazer isso pro Brasil, apesar de todas as dificuldades que o país enfrenta, e criar um mercado para que as bandas comecem a viver de música.

As novas músicas são bem mais dançantes que as que estão no primeiro disco. Tem grandes mudanças no som da Black Drawing Chalks vindo por ai?

Lançamos em maio nosso segundo disco, “Life Is A Big Holiday For Us”, um pouco diferente em relação ao primeiro, trazendo mais influências do que vimos e ouvimos na estrada e nos festivais por onde passamos. O plano agora é trabalhar em cima da divulgação desse disco e provavelmente no ano que vem começaremos a gravar o terceiro álbum. Já estamos trabalhando em músicas novas, creio que nos próximos shows já teremos algumas novidades.

Por fim, quais os planos da banda para esse ano?

Para esse ano é trabalhar na divulgação do novo disco, aproveitando a indicação em duas categorias no VMB 2009, Aposta MTV e Rock Alternativo. Aproveitando o espaço, votem em nós no portal da MTV e já agradeço todos aqueles que já votaram e continuam votando! Essa indicação nos deixou muito felizes, pois trabalhamos muito nesse ano de 2009 e pra nós isso foi praticamente um reconhecimento de tudo que nós fizemos. Estamos organizando uma turnê pelo sul do país, em breve teremos mais detalhes. Vamos continuar fazendo shows, pois acreditamos que é o meio pelo qual podemos sempre melhorar.

Escute Black Drawing Chalks no MySpace e siga a banda no Twitter

Tags: Banda em Destaque, Black Drawing Chalks

Esse texto foi publicado no dia 1st September, 2009 na seção Blog. Você pode acompanhar a discussão pelo feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário, ou fazer um trackback em seu site.

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