Kassin +2 – Futurismo « Pop up!

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Se você é um fã, mesmo dos mais preguiçosos, de música brasileira, as chances de que Kassin já tenha passado pelo seus ouvidos é bem grande. Como produtor, ele deu forma a trabalhos de Adriana Calcanhoto, Caetano Veloso, Jorge Mautner, Vanessa da Mata e Los Hermanos, só para citar alguns que transformaram seu estúdio em um dos mais disputados do Rio de Janeiro. Mesmo sendo personagem de bastidor, ele brinca com uma inversão de papéis, lançando-se eventualmente como músico. Fez isso recentemente na trilogia “+2”, na qual sua contribuição chega agora às lojas.

A trilogia funciona da seguinte maneira: Alexandre Kassin, Moreno Veloso e Domenico Lancellotti gravaram um disco cada um, onde os outros dois formavam um tipo de banda acompanhante. Assim, Moreno+2 lançou em 2001 o “Maquina de Escrever Música” e, em 2003, Domenico+2, o “Sincerily Hot”. Quando escutados juntos, os dois discos, mais o “Futurismo” com o trio Kassin+2 se completam, dando uma noção maior do trabalho de cada artista. Um recorte da boa produção da MPB que, por ser lançado de maneira independente, não toca nas rádios.

Por isso, para entender “Futurismo”, é importante explicar um pouco dos outros dois discos anteriores. Em “Máquina de Escrever Música”, o trio Moreno+2 fica a favor da voz, com canções e harmonias minimalistas, quase um manifesto em disco. Enquanto isso, o “Sincerily Hot”, de Domenico+2, afoga toda a expressão em batidas e programação eletrônica, num repertório de experimentação declaradamente livre. Kassin+2 é a junção disso. O mais próximo do que poderíamos pensar de uma pós-bossa ou bossa-contemporânea. Poesia que encontra abrigo em instrumentos orgânicos e computadores.

Nesse formato de troca, o trio segue uma transição natural à própria Bossa Nova. Tiveram o disco lançado primeiro nos Estados Unidos, Europa e Japão, onde seus antecedentes não fariam diferença para uma platéia desavisada. Lá, Kassin não era produtor do maior fenômeno nacional da música jovem, nem Moreno era o filho de Caetano. Essa maneira honesta de romper o conceito de autoria deu certo e os discos chegam no Brasil com uma folga do tipo “se vender só para os amigos, já deu certo”.

Kassin não é o melhor exemplo de cantor (não por acaso, a maioria de seus projetos de música são instrumentais, como o Artificial, que ele apresentou no Recife durante o festival Coquetel Molotov), mas como exímio produtor, ele sabe criar melodias que parecem acertadas para seu tom de voz. Para compensar, ele convocou boa parte dos artistas que já produziu para participar do disco. Em Adriana Calcanhoto e Los Hermanos estão as vozes que o ouvido bem apurado vai conseguir identificar.

Foto de divulgação por Caroline Bittencourt

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