Page 100 — Pop up!

  • Um dos principais motivos para o Pop up ter tantas fases de desatualização é que, além de duas jornadas de trabalho, eu estou a um mês de terminar minha dissertação de mestrado. Queria fazer uma pausa aqui e pensar um pouco sobre tudo que aconteceu nos últimos dois anos, quando comecei essa história.

    Pesquisar a indústria fonográfica é um troço complicado. Quando eu comecei, a Sony e a BMG ainda eram empresas diferentes; o DRM era um tipo de lei estabelecida e questionável apenas por anarquia; as gravadoras ainda lançavam artistas massivamente (Maria Rita, Los Hermanos); e os festivais ainda não eram organizados em nenhum tipo de associação. Bandas como o Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê, que interessam ao foco do que eu ia pesquisar, eram facilmente acessíveis ao clique do MSN.

    Observar diariamente, clipando algumas matérias, participando de tantos debates e palestras, estudando e entrevistando pessoas, só ajuda a perceber como as transformações são realmente rápidas. Em 2005 falar em download remunerado era papo de louco e dizer que uma banda como o Radiohead daria o próximo disco para que cada um pagasse quanto quisesse seria uma piada sem graça. O mais espantoso, após a intimidade criada com os grandes jogadores do processo, é dimensionar o quanto ainda está em transformação.

    Estamos vivendo uma desesperada queima de estoque. Encontrei bandas que distribuíram mais de mil cópias do disco na rua; acharam que seria legal vender tudo num pendrive ou encartado numa revista. Para os próximos meses, vamos ver carros sendo vendidos com músicas de Ivete Sangalo, MP3 Players com todo o cast de uma gravadora e essas esquisitas empresas migrando desesperadamente para o negócio de vender shows e não CDs. A música vai se transformando lentamente num serviço.

    Foi engraçado perceber que o jornalista, por estar atento a todas essas transformações, entrevistados os vários lados do processo, se transformar num novo tipo de atravessador de informação. Nos últimos dois anos, as palestras e debates tiveram cada vez menos produtores e músicos, que deram lugar a cada vez mais jornalistas. Enquanto os últimos foram assumindo um novo papel (o de pensar no que está acontecendo), novos mediadores surgiram para ocupar o lugar dos jornais: o próprio público consumidor.

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    O novo conteúdo não vem no formato tradicional de textos quilométricos e pontuados por aspas de entrevistas. O público agora digitaliza seu acervo em vinil e disponibiliza em sites (que quase sempre usam a plataforma de blogs), classifica incansavelmente as músicas no LastFM – para que você consiga encontrar através de um clique todo o acervo existente de Inteligent Dance Music (IDM, um gênero que jamais seria cooptado pela mídia tradicional). Os fãs disponibilizam vídeos amadores de shows pelo YouTube, o setlist completo de uma apresentação no Orkut.

    Existem dois grandes movimentos acontecendo neste momento na Internet: no primeiro, uma parcela de produtores, músicos, jornalistas e público está descarregando todo o acervo existente na plataforma digital. No segundo, pessoas desses mesmos grupos estão fazendo a triagem (blogs de música que passam o pente fino em outros blogs de música, twitters selecionando os melhores posts de outros sites e por ai vai).

    Os primeiros resultados disso já podem ser percebidos com facilidade: o mercado de massa está migrando para o modelo de nichos; as rádios estão sendo substituídas pelos festivais independentes e agora nós precisamos sair de casa para conhecer a nova música (sim, você pode apenas baixar, mas como saber quais daquelas estão realmente fazendo a diferença?); e a ‘nova mídia’ agora luta para sobreviver a um mar de leitores RSS, deixando de ser apenas mais um conteúdo agregado.

    E eu só preciso organizar tudo isso de maneira que faça sentido. Em algumas 40 páginas a mais.

    Seção – Blog

  • E os melhores discos do ano, vocês lembram? Minha lista é essa aqui:

    1. Violins – Tribunal Surdo [ resenha ]

    2. Autoramas – Teletransporte [ resenha ]

    3. Academia da Berlinda – Academia da Berlinda [ resenha ]

    4. Vamoz – Damned Rock and Roll

    5. Superguidis – A Amarga Sinfonia do Superstar [ resenha ]

    6. Vanguart – Vanguart

    7. Pata de Elefante – Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha

    8. Kassin + 2 – Futurismo [ resenha ]

    9. Nação Zumbi – Fome de Tudo [ resenha ]

    10. Mula Manca e a Fabulosa Figura – Amor e Pastel [ resenha ]

    Internacionais1. Justice – †
    2. Radiohead – In Rainbows
    3. LCD Soundsystem – Sound of Silver
    4. Arctic Monkeys – Favourite Worst Nightmare
    5. Bloc Party – Another Weekend At The City (bsides)

    Seção – Blog

  • Hoje, no lugar de apresentar uma única nova banda independente, vamos formatar uma mini expectativa para o ano de 2008. Apesar de ter sido um ano muito bom para a música, este que encerra foi meio morno de novidades. Alguns dos nomes mais interessantes que apareceram, na verdade, foram de bandas antigas decidindo retornar a carreira. Fica, então, uma lista de futuras promessas no rock pernambucano.Três parecem que vão dar o que falar. A mais experimetal Julia Says é uma dupla formada por Diego e Pauliño. O primeiro clipe, da música “Mohamed Saksak”, já ganhou um prêmio na cidade. No Myspace deles (/juliadisse), também vale ouvir “Eis a Canção”. A segunda banda é de metal e se chama Project 666. Reencontro de alguns dos melhores grupos de Olinda, o Pecapta e a Sick. Por fim, a de rock simples e direto Erro de Transmissão fecha o ciclo de promessas.

    Menos é mais
    Não é para parecer reclamão, mas as próximas programações da prefeitura poderiam prezar menos por quantidade. A programação de shows é tão grande (tanta coisa ao mesmo tempo), que muitos pólos, como o Sitio da Trindade, ficam completamente vazios. Soa como desperdício.

    Recbeat
    Dizem que a banda Panico é algo tipo “o Cansei de Ser Sexy do Chile”. Se é para tanto ou não, vamos descobrir em fevereiro. A banda de “tropical rave rock” (quantas aspas) está confirmadíssima na programação do Recbeat 2008. E fica dada a largada aqui na coluna para os furos nas escalações de festivais do próximo ano.

    Mais Recicle
    Durante uma tarde, o show da Pitty no Recife para o dia 11 de janeiro quase foi cancelado. O contratante do Rio de Janeiro ficou sem parceiro na cidade. Mas, agora, quem assume a responsabilidade é o Sun7 estúdios, que está levando o rock para a boate Nox. A programação será com a própria Vamoz, River Raid e Carfax.

    Seção – Coluna

  • Vocês lembram os principais festivais que passaram pelo Recife esse ano?

    Feira da Música
    http://www.youtube.com/watch?v=tWwn1y3mEfI

    Recbeat
    http://www.youtube.com/watch?v=RBflsMmMfAA

    Abril pro Rock
    http://www.youtube.com/watch?v=xYdiyI1AOMo

    Coquetel Molotov
    http://www.youtube.com/watch?v=rPt9A9n2xNo

    Seção – Blog

  • Lembro que durante o show dos Haxixins (SP) no último Goiânia Noise, Guimoura chegou a perguntar “São Os Impossíveis?“, referente ao antigo desenho animado. A banda mod não apenas se veste, mas parece ter sido retirada de um brechó da rua Augusta. Arriscaria até que o tom da pele deles é mais sépia, assim como é carregado de chiado o teclado e a guitarra Gianini Tremendões que eles usam. Experiência musical milimetricamente calculada para nos carregar aos anos 60.

    A nostalgia dos Haxixins é recheada de referências ao The Who, Sonics e as primeiras fases dos Rolling Stones. As músicas são em português, com baixos e teclados hipnotizantes de tão bons. O compromisso com o retrô da banda é tanto, que o primeiro disco deles – registrado com gravador de rolo e amplificadores valvulados – foi lançado apenas em vinil, pelo selo português (Groove Records). Na página da banda no MySpace é possível baixar todas as músicas e ainda encontrar um link para download do disco completo.

    Engraçado que a primeira coisa que pensei, ao ouvir, foi “putz, que mal gravado!”. Só depois saquei a história deles.

    Protesto!
    Semana retrasada publicamos a lista de melhores discos lançados este ano em Pernambuco. Ator, produtor e figura sempre presente nos eventos locais, Leidson Ferraz se prontificou a fazer um justo protesto. Cabem também a Geraldo Maia com “Samba de São João” e a cantora Isaar com “Azul Claro” presença na lista. Aproveitando o bonde, acrescento ainda a edição 2007 do “Forroboxote”, de Xico Bizerra.

    Recicle
    A produção do festival Recicle, que vai trazer o show da Pitty ao Recife em janeiro (após três anos sem a cantora baiana se apresentar na cidade) decidiu cancelar uma votação que abriu no site de relações Orkut para escolher quem seria o representante local abrindo o festival. No lugar, decidiu convidar a banda Carfax (que participava da enquete) para o show, que será dia 11 de janeiro no Clube Português.

    Expectativa
    Ainda é cedo para criar o pânico nas ruas do País, mas a informação que vem direto da produção da banda é que os cariocas do Los Hermanos estão programando o retorno das férias para o primeiro semestre do próximo ano. Pouco tempo, para o tamanho alarde que foi criado quando eles anunciaram um possível fim de atividades.

    Seção – Coluna

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