Formate o álbum « Pop up!

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Tenho me descoberto cada vez menos entusiasta dos efeitos da internet na música (“culto do amador feelings?” tomara que não). Outro dia, em sala de aula, debatiamos os efeitos que a web tinha causado nos formatos álbum e canção. A idéia parte da futura tese de doutorado de uma amiga da pós-graduação. Com mais um ano encerrando, com uma boa leva de festivais visitados e novas bandas conhecidas – dessa vez tive que pagar excesso de babagem pela primeira vez na vida, de tanto CD que vinha na mala – fico pensando o quanto um formato que foi criado por pura limitação tecnológica (não cabem mais músicas do que já tinha ali no vinil) se firmou com tanta força. A internet ainda não provou nenhuma mudança fundamental neles.

Quando os Beatles lançaram o Sargent Peppers Lonely Heart Club Band, em 1967, reforçando a idéia do “álbum conceito” que dominaria a indústria da música mais tarde, também estavam batendo o martelo em um formato técnico que variava entre 12 a 14 canções por disco. Mesmo que essa limitação não exista mais, cerca de 90% – ou até mais – das novas bandas, aquelas que não estão, nem querem estar em gravadoras, e se satisfazem da internet, ainda aparecem com um “EP” na mão. “Esse é nosso EP. Ainda estamos fazendo mais música, para quando chegar numas 10, lançar um álbum”. Sinto falta de alguém assumir as rédeas da mudança. “Esse é nosso álbum, só tem três músicas”. Ou 30, ou 40, sem precisar dizer que é um disco duplo ou triplo.

O mais frustrante é que essa necessidade de chegar a 10 ou 12 faixas quase nunca está amarrada a nenhum conceito. Alguém falou que o álbum é feito de tantas faixas, por isso precisamos atingir a cota para conseguir um. Não por acaso, a maioria dos discos de novas bandas, que vem com tantas faixas assim, costuma não render mais do que metade do repertório. Com 20 anos de MP3 e contando, espero que quando voltar a alguns festivais próximo ano, não escute tanto a frase “esse ainda não é o nosso disco” ou “é só um EP”.

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