Page 190 — Pop up!

  • Nos seis meses que passou sem gravar, Kelly Key ganhou oportunidade na televisão de conhecer um novo público. Um de visão mais simples, que já dava atenção a músicas como “Adoleta”, mas sem entender o duplo sentido em “não quero mais brincar. Quero le peti, peti, polá”. É onde ela investe agora no terceiro disco de estúdio, o segundo a levar o próprio nome da cantora. “Fiz uma pesquisa no meu site e vi que a maioria dos meus fãs tinham entre 12 e 15 anos de idade”, explica em entrevista por telefone.

    O investimento da gravadora Warner no produto é bem alto. Quem assina parte da direção artística é ninguém menos que o finado Tom Capone, responsável por tudo que dá certo na empresa. Trabalho que teve continuidade nas mãos do igualmente competente Alexandre Wesley. “O resultado já tá dando muito certo, porque já comecei a receber muitos e-mails de minhas fãs que ouviram os singles, dizendo que estão se identificando com as letras”, comenta empolgada a carioca de 22 anos que passa boa parte do tempo livre escrevendo no seu blog.

    Com cara de “disco de menina”, o CD que tem encarte cheio de estrelas brilhantes vem com 14 faixas. Apesar dela prometer que agora está mais certinha, as letras continuam no tema “estou afim de você”, só que dessa vez sem maldade ou duplo sentido. Faz ainda três versões, uma de “Barbie Girl”, música que resume toda a cara do disco, onde ela aparece em várias fotos com cara de boneca. Outra da também internacional “Trouble” e uma que tem sentido a mais para quem é de Pernambuco, da música “É Chamego ou Xaveco?” do Calypso.

    “Adoro o Calypso já faz muito tempo!”, comenta empolgada, “aquela “me usa” é praticamente a música da minha vida”, completa, cantando um trecho pelo telefone. “Já faz tempo que usam minhas músicas em outros ritmos, principalmente forró, por isso resolvi experimentar fazer o contrário”, comenta. “Chamego…” aparece no disco em versão R&B, no melhor estilo Beyoncé.

    A mistura de ritmos que ela faz (arrisca até uma bossa nova), encerra com três remixes. Nelas, o produtor Umberto Tavares aparece de DJ, junto com o parceiro de estúdio Mãozinha. Os dois já assinaram vários trabalhos de black music, o que dá a eles experiência para não fazer feito e garantir um dos pontos altos do disco.

    Publicada originalmente em 26.05.05

    Seção – Reportagens

  • Sábado à noite, show daquela banda famosa bombando de gente no Recife Antigo. Quem vai, diz que ninguém podia perder, só que não muito longe dali, a estudante Natália Mesquita, de 17 anos, esta perdendo. E ela não faz a maior questão. Sua noite começa numa boate, as batidas da música eletrônica pulsando já na porta de entrada. “Entro e procuro logo minha turma, vou achar meu canto”. Juntos, os amigos observam quem também apareceu. “A gente sabe se a festa vai ser boa vendo quem veio”. Natália e os amigos fazem parte da sempre crescente cena eletrônica do Recife, um grupo que ganha cada vez mais destaque na noite.

    Techno, Electro, Trance, House, os ritmos todos se misturam dentro das casas noturnas. “Depois do sucesso de Benny Benassi, o público se misturou bastante nas boates. Antes, quem ia para a rua da Guia, não chegava nem perto do Downtown”, comenta Natália, que é fã declarada de electro. A rua da Guia que ela fala, por sinal, foi berço de grande parte da cena eletrônica da cidade. Era lá que ficava a boate Non Stop, ponto de encontro do pessoal todo sábado.

    Essa variação de ritmos e gostos dentro do cenário eletrônico é a base do trabalho de quem produz. Kelmer Luciano organiza festas no Recife desde 97. Ele está sempre em contato com o público, perguntando o que estão ouvindo de novidade e também panfletando os próximos eventos. “Quem está começando agora nas festas sempre prefere o Electro”, reflete. Ele explica que a preocupação é porque o ritmo em que novas pessoas aparecem hoje é muito maior. “Antes não passavam de dez pessoas novas numa festa, hoje o número é maior e precisamos segurar esse público”.

    Quando o assunto é freqüência, Kelmer é realista, “as festas dão, em média, 400 pessoas. Principalmente no Recife Antigo, onde tem sempre outras três ou quatro casas com a mesma programação”. As boates costumam ignorar isso, mas a repetição não agrada o público.

    Do outro lado da cidade, a aposta é outra. Em Boa Viagem, a boate A Casa  reúne um grupo mais seleto. Quem freqüenta sempre é o professor de espanhol Gerson Filho, de 26 anos. Ele também começou na Non Stop, em 1999, mas passou logo para a Fun House, que ficava no bairro da Torre. “O público pode ser mais reservado, mas A Casa tem uma preocupação maior com a qualidade do som e iluminação”.­ Gerson não esconde que, com ele, o negócio é mesmo dançar. “As vezes fico na pista até às 4h da manhã. Depende, claro, da empolgação do grupo que está com você. Mas a estrutura do local e a qualidade da música sempre conseguem segurar até o sol nascer”.

    Diferenças de público à parte, os loucos por música eletrônica sempre conseguem encontrar diversão na noite, independente do hype que está acontecendo na cidade. Têm até os que juntam uma boa noite de música e dança com prazeres gastronômicos. É o caso do Café Prouvot, que fica em Casa Forte. O lugar tem de tudo: espaço aberto e fechado para quem quer dançar e boa cozinha para quem cansou, mas ainda não desistiu da noitada.

    VINCULADA – Diversão que vai além das pistas

    Se no fim do show um monte de gente sai com vontade de montar uma banda, depois da rave sempre tem alguém que chega em casa com vontade de virar Dj. Começam já nas festas seguintes pedindo música para quem está comandando o som e, quando menos se espera, já estão com o nome circulando pela cidade em algum panfleto. Para quem está dançando, tudo pode parecer muito divertido, mas ser louco por dançar música eletrônica é uma coisa, louco por tocar já é muito mais complicado.­

    A designer Luana Pontes nem tinha pretensão de ser Dj quando começou. Ela organizava festas com os amigos e, numa delas, sugeriram que ela ficasse no som. “Particularmente, sou fãs de muitos Djs. Já cheguei até a viajar para poder ir nas festas que eles tocam. Mas, em Recife, acho que ainda não existe muito essa cultura do público aparecer no lugar só pelo nome do Dj”. Essa pouca relação com o público é a maior complicação no começo de carreira.­

    “É impressionante, não tem festa que não apareça alguém pedindo uma música que não tem a ver com o que está sendo tocado”, comenta Luana, que não esconde que não gosta disso. Quem conseguir passar pelo teste, conquista a confiança do público e entra no circuito das festas. Mesmo assim, nas boates, os papeis se misturam. Dj ou freqüentador da casa, são todos amantes da música eletrônica.

    Publicado originalmente em 23.05.05

    Seção – Reportagens

  • Quando “Wanderlust”, primeira música do disco “Faded Seaside Glamour”, da inglesa Delays, começa a tocar, já deixa a impressão que o CD chegou para os órfãos do Cranberries. O lançamento é mais uma ótima novidade da Trama, que está trazendo apenas o que o selo inglês Rough Trade tem de melhor na prateleira. Essa surpresa inicial passa rápido, quando se dá uma olhada no encarte e descobre que aquela voz feminina é, na verdade, de um homem chamado Greg Gilbert.

    Mas, calma, que androginia não é a praia da banda. Recheado de músicas que excedem na tranqüilidade, o disco, com 12 faixas, faz uma linha de trilha sonora para seriados americanos sobre adolescentes. Sempre com um clima de melancolia cotidiana nas letras e momentos onde a voz de Greg lembra um assobio longo. Tudo muito distante do rock britânico que domina hoje o que deve ser feito para música vender. Talvez por isso, “Faded…” tenha passado tão despercebido e só chegue no Brasil com quase dois anos de atraso.

    A segunda música, “Nearer Than Heaven”, é dessas bem chorosas, que refrão e estrofes não saem por nada da cabeça. Faz apertar o botão para voltar a faixa, antes de dar seqüência ao resto do disco. Em outros momentos, o disco perde um pouco o foco e começa a parecer repetitivo, mas Greg aproveita para dar uma engrossada no timbre e simular um segundo vocal. A salvação chega em “Stay Where You Are”, com guitarra mais pesada e repetição bem dançante.

    O Delays é uma dessas presenças obrigatórias em qualquer coleção. Não para fazer pose que conhece banda estranha, mas porque as músicas tem lugar certo em qualquer momento do dia. Para dar um contexto melhor, a gravadora Rough Trade também lançou, no passado, vários discos do Belle & Sebastian. Se o estilo agrada, é mais um motivo para ter em mãos este lançamento.

    Seção – Discos

  • Não é justo que “Runaway Found”, novo disco do The Veils, lançado em 2004 e que só chega agora no Brasil pela Trama, dure tão pouco tempo. São pouco mais que 40 minutos de duração, nas 12 faixas de uma das melhores descobertas musicais dessa primeira década do novo milênio. Uma mistura de tudo que já foi feito de melhor na linha Suede, Smiths e Placebo, com uma identidade impagável, na voz de Finn, um inglês que desde os 19 anos (hoje tem 23) vem transformando as poesias que escrevia em música.

    Do melancólico ao “levemente agitado”, as músicas conseguem ter uma carga triste sem se apoiar em letras pesadas, dessas que falam de suicídio, morte ou dores de cotovelo. Tem amor sim, mas desses que a proximidade machuca e, ainda assim, são difíceis de se livrar. Como em “The Leavers Dance”, onde ele fala que “não é nosso desejo, mas fomos feitos para cair juntos”. As faixas foram todas produzidas por Bernard Butler, ex-Suede, que não conseguiu deixar um toque de sua banda de fora.

    Dois pontos opostos no disco, “Lavinia”, música para se ouvir de olhos fechados, se preparando para conter a energia que ele descarrega já no último minuto, e “The Tide That Left and Never Came Back”, mostram a pluralidade que a banda tem ao mostrar suas mensagens. A segunda, sempre agitada, é hit certo para qualquer DJ que se preze, junto com “More Heat Than Light”, ambas de vida útil longa. Podem tocar por uns dois anos nas festas que não deve ficar datado.

    O melhor de “Runaway Found” é que as músicas conseguem fazer parte de toda essa atmosfera sem cair no comum de ser chamado de “fofo” ou adjetivos similares. The Veils é uma banda séria, uma versão bem madura do que o Coldplay vem tentando emplacar nos últimos discos. Este primeiro lançamento, chega no Brasil pela Trama, que fechou contrato com a Rough Trade (selo que lançou The Libertines), com preço pouco distante da realidade, R$ 29,00.

    Seção – Discos

  • Se as lojas de discos fossem perfeitas e as prateleiras descrevessem o gênero ideal das músicas, “Aha Shake Heartbraker”, novo disco do Kings of Leon, estaria na seção “trilhas sonoras para uma tarde longa”. A reunião de guitarras e baixos repetitivos, em clima do retrô-moderno em alta (The Strokes, White Stripes, etc), não pode ser apreciada às pressas ou correndo pelas faixas. Segundo disco do quarteto de irmãos americanos mostra que eles agora estão muito mais seguros onde pisam, o rock’n’roll cru que conquistou as paradas da MTV.

    “Slow Night, so Long”, música que abre o disco, vende o material de cara. Tem a velocidade certa, com a repetição dos instrumentos em volume altíssimo, superado apenas pela voz de Caleb Followill. Mas, já na próxima, “King of the Rodeo”, a banda entrega que este ainda não é o disco da novidade. Assim como o primeiro “Youth & Young Manhood”, eles continuam forte nas notas puxadas do rock sulista americano.

    Apesar de transparecer uma qualidade que dificilmente é atribuída a um grupo com faixa etária média de 22 anos (eles soam bem mais velhos), o disco tem seus momentos baixos. Duas faixas, “Milk” e “Day Old Blues” mostram que o Kings of Leon não tem potencial para ser melancólico. Bem destoante do restante do CD, as músicas comprometem o trabalho final, mas estão longe de mostrar uma tendência futura da banda tentar mudar de identidade.

    A falta de novidade aqui cai bem melhor como uma demonstração de estabilidade. O susto do primeiro disco do Kings of Leon foi tanto que as previsões eram duas: salvação da música ou carreira curta. A passos curtos, eles preferiram aproveitar ainda o clima de receptividade positiva e gravar um disco modesto o suficiente para não passar despercebido.

    Seção – Discos

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