Page 195 — Pop up!

  • Da colunda Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

    O email que eu recebi começava assim. “A 11ª edição do Goiânia Noise Festival, que terminou no domingo (04/12), marcou também o início de uma nova luta dos produtores de festivais independentes do Brasil. Reunidos em Goiânia, 19 representantes de 13 festivais deram o pontapé inicial na criação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafi).” Na lista dos participantes, gente nova, gente velha, gente que gosta de encrenca, gente maravilhada.

    Se fosse feita uma enquete sobre o que é um festival independente, certamente surgiriam tantas respostas diferentes quanto pessoas entrevistadas. Para muitos, o Abril pro Rock é a oportunidade de ver o show do Placebo. Para muitos, um enorme evento social, onde sem nem prestar atenção no palco, se passeia pelo hall do Centro de Convenções com latinha na mão, aquela nova camisa e penteado que vai aparecer no jornal da Globo.

    Não existe um festival que seja corretamente compreendido. Seja o Tim Festival, seja o Abril pro Rock, seja o Claro que é Rock dentro do Abril pro Rock. Estava aqui, numa das seções maravilhosas de descobertas na caixa de 20 anos da Bizz, lendo as coberturas feitas no então principal festival de rock do país, quando me dei conta disso.

    Era o Abril pro Rock mesmo. Todos os anos com a ridícula introdução “estudantes reclamaram do valor do ingresso de R$ 15″. Lá, criei a teoria de que a programação de certos festivais, no ano seguinte, faria muito mais sucesso. Foi quando li a cobertura do show que o Cidadão Instigado fez aqui. Nem sabia disso. A banda tá hoje numa moda enorme, mas ninguém sequer lembrava que o cara tinha passado pelo palco do festival.

    O mesmo vale para o Tim Festival. PJ Harvey? Kraftwerk? O lugar foi palco para alguns dos lançamentos mais absurdos do pós-2000. O Libertines e o Super Furry Animals (esta em 2003). Sem falar no Cansei de Ser Sexy, que virou hype absoluto um ano depois. E no Claro Q é Rock, alguém prestou atenção na Moptop? Aguarde, porque próximo ano essa banda vai ser muito bem falada.

    Festival é onde você vai para descobrir as coisas novas. O Rappa vai estar lá só para você ter uma referência para seus pais. Não ter que dizer “vou num show enorme, cheio de gente desconhecida”. Engraçado que, pelo menos por aqui, no começo, essa consciência era bem maior. Hoje em dia, se existe uma reclamação que quase bate a do preço, é a programação. Parece um absurdo o evento não trazer sua banda favorita. E você nem se deu conta quando eles vieram anos antes, ainda desconhecidos.

    Saideras

    * Ritmo de festa
    Fogos, rojões, cerveja e alegria. A coluna está em ritmo de festa. Queria compartilhar com todos vocês minha felicidade em ter sido aprovado na seleção do mestrado em comunicação na Universidade Federal de Pernambuco. Minha pesquisa será sobre crítica de música.

    Outra celebração é que, a partir do dia 27 de dezembro, terça-feira, estarei também com uma coluna semanal no jornal Folha de Pernambuco. Assunto é o que não falta para não repetir material.

    * Grave sua demo
    Não posso adiantar ainda onde e como. Mas se você tem uma banda nova, bem nova, e ainda não tem um CD, apresse o trabalho. Em janeiro, um novo evento vai chegar à cidade com os moldes do Pátio do Rock, apenas para bandas totalmente novas, desconhecidas e legais.

    * Alto nível
    No site muzplay (www.muzplay.net), a seção de entrevistas tem a seguinte ordem: Britsh Sea Power, Moby, Mellotrons. A entrevista, feito por um pessoal de São Paulo, destaca a banda como “parte do cenário independente nacional”. E olhe que eles nem gravaram o primeiro CD ainda. Mas o melhor de tudo é uma resposta dada pelo vocalista Haymone Neto. “Queria que a gente lançasse um EP novo a cada três meses, cada um mais louco que o outro”.
    Porque ninguém nunca pensou nisso?

    * Procura e demanda
    Este ano, o evento Porto Musical precisou sair atrás de um monte de gente para poder acontecer. Para 2006, dizem por ai que não sobrou espaço de tanta gente de outros países que quiseram vir pra cá articular projetos. Vá preparando logo o seu inglês

    Seção – Coluna

  • Da colunda Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

    Muita gente adora repetir o verso, mas são poucos hoje que lembram o sentido dele. “Lá no Alto Zé do Pinho é do caralho”. Fiquei impressionado com o tempo que levei para me dar conta da maior carência do Recife-música hoje. Três letrinhas que, sem ela, o sentido de “cena” não faz tanto sentido. Fez as contas? Estou falando do cenário.

    O Alto Zé do Pinho era uma favela. Sem rádio, sem televisão, leitura diária de jornal então, nem se comenta. Mas, de repente, em meados de 80, todos ali estavam ouvindo Smiths, New Order e outros bambas da época. Cheio de referências, influências e pluralidade. Era realmente do caralho. Fim de semana era dia de ir para lá, estar vivendo aquilo e as bandas que nasceriam daquele caldeirão fervendo de cultura.

    Sou muito novo. Vivi essa história daí só pela boca dos outros. Mas minha época também já passou. Era ali no bairro do Pina, onde ficava a Soparia. Sem saber o que fazer? Vai pra lá, tá cheio de gente, coisas acontecendo, a bandinha ali do canto vai estourar em seis meses. Todo mundo sabe, só está esperando acontecer.

    Todo mundo estava lá. Todos que antes freqüentavam o Cantinho das Graças (carinhosamente chamado de Cantinho da Desgraça quando virou um pointe de pagode). Entre eles Chico Science, Otto, Fred 04 e outras figuras que, na época do Pina, já eram folclóricas na cidade. Podia não estar acontecendo nada, mas, simplesmente estar ali, parecia ser uma coisa importante. Parecia certo.

    É o que falta. Essa impressão que as coisas estão paradas precisa ir embora. Muita coisa está acontecendo e nenhum lugar servindo de cenário para isso. No primeiro semestre entrevistei Rappin Hood e ele soltou um “queria muito conhecer o Alto Zé do Pinho”. O Sudeste perdeu a referência do que está acontecendo no Recife. E, provavelmente por isso, as novas bandas causem tão pouco fascínio lá fora.

    Fica a dica para quem é produtor cultural na cidade (provavelmente nove de cada dez pessoas). Está na hora de articular um novo lugar para as coisas acontecerem. Para alguém chegar de fora na cidade e dizer “eu sei que rola isso no Recife, vamo nesse bar que falam tanto”. Hoje, se um paulista ou carioca chega aqui na quarta ou quinta, no máximo ele vai ao Burburinho e a diversão não está nada garantida. O próprio Garagem já perdeu a atmosfera dos shows de punk rock de sete anos atrás, quando ainda era o Galetus. Ir para lá as três da manhã não muda em nada o programa de ninguém.

    Saideras

    *Zumbis no Recife
    Guarde minhas palavras e os trocados desde já. Vai ter um show da Nação Zumbi na primeira quinzena de dezembro, no Clube Português. A data está sendo fechada. Se você ainda não ouviu o Futura, que vai mandar no repertório, não faz idéia do que está perdendo.

    *Mesmo que nada
    A oportunidade criada pelo projeto Gororoba na Moeda já é o mesmo que nada. O som está sofrível, as bandas estão perdendo 60% de qualidade e se queimando na chance de ganhar público novo. Muito trabalho bom já recebeu comentários do calibre “é essa banda aí que falam tanto?”.

    *Demorô, Já é
    Quem se liga nas festas da cidade, já notou que “a casa onde ficava o Irmã Bertrice” (nome estranho esse) já é o novo ponto certo para jogação animada. O que ninguém atentou ainda é que o lugar, que fica ali na Rua do Lima, tem um palco enorme. Tá faltando o que para darem um tempo nos DJs e colocarem bandas ali?

    *Da casa
    Será que essa nota será liberada? Dia 03, quem for conferir o show de Otto na Teatro da UFPE (você tava sabendo que vai ter, né?) fique atento para garantir seu exemplar da revista Giro. Isso mesmo, o site tá saindo do monitor e virando papel. Parece até que tem um texto meu lá. 🙂

    Seção – Coluna

  • Da colunda Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

    De maneira pretensiosa, apressada e preguiçosa, resolvi resumir a coluna hoje a uma lista. Inspirado por colegas que dizem que sempre falo muito mal dos shows das bandas daqui, vou delimitar agora algumas regras simples sobre o que fazer e não fazer para quem quer montar uma banda no Recife.

    1- Estude música. Talento não cresce em árvores e, se sua banda tiver algum, vai estar em uma única pessoa. Mas isso pode ser superado com estudo e técnica. Entre num conservatório, aprenda teoria musical. Isso vale também para o vocalista.

    2- Faça música e não melodias. Juntar acordes de maneira agradável é a parte fácil. A música é um processo maior que simples barulho. Discuta notas, ritmo e poesia com todos da banda. Não é só jogar a letra em cima da guitarra ou vice-versa.

    3- Trabalhe o visual. Já faz tempo que a música não é só música. É um conjunto de estratégias. Faça do seu show um atrativo visual, no lugar de sair de casa com a roupa de sempre para tocar. Figurinos, cores, coreografia, isso faz as pessoas sentirem que estão participando de algo único. Faz elas voltarem. E, se sua música for ruim, até faz elas não prestarem tanta atenção nisso.

    4- No palco, não perca tempo se apresentando. Todo mundo que está lá já sabe quem são vocês, não precisa avisar de novo.

    5- Ainda no palco, não agradeça a produção do show, o prefeito da cidade ou a banda principal. Eles não estão fazendo nenhum favor para você chamando sua banda. Se ela está lá é porque mereceu. A exceção é o patrocinador, mas também não exagere.

    6- Se preocupe em mostrar sua música para os interessados e competentes no assunto – outros músicos, produtores musicais, críticos. Amigos não contam. 95% das vezes eles vão dizer que está bom apenas para não deixar você desanimado.

    7- Não perca tempo bajulando o jornalista. Ninguém vai ouvir sua banda por causa do que ele escreveu. Nem vai deixar de gostar por isso. Ele não está cobrindo seu show ou anunciando ele “para dar uma força”. É o trabalho dele.

    8- Não se empolgue no release. Evite ficar fazendo poesia, discurso político ou querer juntar as influências sempre contraditórias de todos da banda. Evite clichês sendo prático. Diga logo o gênero e duas ou três bandas com som semelhante. Uma dica é responder de cara “porque ouvir minha banda?”.

    9- Aceite críticas. Mesmo as mais rasteiras, elas só vão melhorar o seu trabalho.

    10- Aproveite o potencial da Internet para fazer parcerias. Fotolog não serve para muita coisa. Se cadastre no Trama Virtual, listas de discussão, comunidades do orkut. Aqui sim, você tem que fazer barulho.

    Acho que a lista passaria dos 100. Mas segundo isso já é um bom caminho para a coisa começar a ficar decente…

    Saideras

    * Noite do Senhor
    Um dos eventos mais tradicionais do Rock no Brasil, a Noite Senhor F, deve ter uma edição aqui no Recife. Além dos shows, o pessoal da Volver está preparando uma coletânea que vai resgatar muita coisa importante da época dos nossos pais, entre elas Ave Sangria. O tipo de memória que a cidade é carente.

    * Latindo na casa do vizinho
    A banda Cachorro Grande está com datas marcadas para shows em Aracaju. Para aproveitar a viagem, os caras tão procurando alguém para produzir uma passagem deles aqui no Recife também. Quem tiver interessado dá um toque para Deckdisck, pega o telefone da produção deles e aproveita a história.

    * Nas lojas
    Segura a mesada. Esse mês chega às lojas Futura, o novo da Nação Zumbi. Também o DVD com o show MTV Apresenta Cordel do Fogo Encantado. Outros recifenses em alta nas prateleiras nacionais são Junio Barreto e a dupla Caju & Castanha, tudo pela gravadora Trama.

    * A garota má
    Um boato circulou pela cidade dizendo que o namorado de Wanessa Camargo, o empresário Marcus Buaiz, teria brigado com um jornalista do Recife durante uma coletiva. A segunda versão era que a confusão se passava numa boate. Tudo mentira, provavelmente para auto-promoção. Na nota, dizia que ele afirmava “conhecer a cena pop-rock do país melhor que qualquer jornalista do Recife”.

    Publicado originalmente em 07.10.05

    Seção – Coluna

  • Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

    Uma das partes menos glamourosas do cotidiano de quem escreve sobre música é ter que ouvir diariamente as rádios e sempre dar uma olhada no que toca nas novelas. De quem quer fazer um trabalho bem feito, claro. Se você não tiver nenhum interesse sobre o que as pessoas são forçadas a ouvir, pode ficar sentado dentro da redação ouvindo o novo Franz Ferdinand e acreditando que a vida é realmente só aquilo. Não chega a ser uma má opção, porque a qualidade dos dials está triste. Muito triste.

    Outro dia, perto da hora do almoço, fui obrigado a antecipar um pouco a fome. Era um novo bloco, onde os ouvintes podiam ligar e dar seu recado amoroso. Novo para aquela rádio e naquele horário, claro. Foram 20 minutos de “Me chamo Maria, queria conhecer novos rapazes. Meu número é…”. Vou me permitir um pouco de polêmica aqui para dizer que se o povo soubesse do que quer, o Brasil não estaria conhecendo tantos neologismos engraçados como mensalinho. Democracia é bom com responsabilidade. Esse tipo de coisa já passa longe de anarquia barata. Desliguei o rádio e fui comer mais cedo.

    Um colega de profissão costuma dizer insistentemente que, se não tocar numa rádio nacional, o artista não vai fazer sucesso nunca. Não chega a ter a dimensão apocalíptica que ele propõe, mas, de certa forma, ele está certo. E as rádios locais, infelizmente, não oferecem mais argumento para uma banda tocar na programação nacional. Tudo anda muito mal e a opção de quem quer fazer um trabalho sério é dar a volta pela lateral. Conseguir ser encontrado por uma gravadora e, assim, chegar ao ouvinte.

    Você pode argumentar que existem novas iniciativas de pessoais legais. É verdade. Mas isso não quer dizer que é bom. Gente legal não faz um programa ter qualidade. Caso contrário João Kleber deve ser a pessoa mais desprezada a nascer no Brasil. E existem as alternativas. Rádios de bairro, de Internet. Mas esse afunilamento, no fim das contas, só consegue deixar a coisa mais distante. Aliás, fim das contas mesmo é considerar que essa grande quantidade de novos programas só é um reflexo do descaso das rádios.

    Para não dizer que não falei de flores, vou listar aqui os programas que valem à pena ligar o rádio para ouvir. Por “valer a pena”, digo que você vai escutar aquele hit do novo disco do Franz Ferdinand, mas também vai ouvir coisa nova, de qualidade e não vai perder tempo ouvindo muita bobagem e piada sem graça. Dá para contar na mão e você só vai usar um dedo: o coquetel molotov. O caminho das pedras: sábado, das 11h às 12h, na Universitária (99.9 FM).

    Mas queria lembrar mesmo era do “Sintonize Pernambuco”. Um programa que estreou nessa mesma rádio e, todos os dias, trazia um personagem diferente da música local fazendo sua programação. Era apresentado por Pupilo, José Telles, Paulo André, Renato L e Débora Nascimento. Time de primeira qualidade que hoje é simplesmente ignorado pelas estações. Logo, não é um programa que faz a gente ter saudade, mas faz sentir vergonha de não ter mais.

    Saideras

    * Falando no diabo
    O novo disco do Franz Ferdinand não é melhor que o primeiro. Se você queria um motivo para deixar de baixar MP3’s e comprar um CD, ele se chama “LCD Soundsystem”. Faça sem pensar. É duplo, vale o preço de R$ 45 e você só vai parar de ouvir quando acabar a pilha do discman.

    * Faça barulho A Bizz está de volta no formato mensal. Vale à pena. Tem algumas verdadeiras lendas escrevendo ali. O mais legal, no entanto, está no final. Um texto curto que ensina como transmitir seu show por Podcast. Formato que está fazendo o maior sucesso e não sai do ouvido de gente importante como Lúcio Ribeiro, colunista da Folha.

    Sobre a revista, outro detalhe, quem abre é a Nação Zumbi.

* Não somos tão feios assim
O Recife está merecendo que um artista local grave seu DVD na cidade onde nasceu. Este mês chega às lojas o do Cordel, gravado em São Paulo. O discurso de todos é o mesmo, “queria muito, mas não tinha como”. O Mundo Livre promete quebrar esse descaso e gravar seu primeiro DVD por aqui.

* Uma reflexão…
…Para banda Rádio de Outono. Nada é bom com exagero. Muita gente vem comentar que não vê motivo para tantos shows em fins-de-semana seguidos. Tirando uma folga ocasional, chegou a passar de cinco. Mais de um mês seguido. Não faz bem para a imagem da banda que vai precisar pensar numa estratégia diferente para divulgar o primeiro CD que sai no Curitiba Rock Festival.

Seção – Coluna

  • Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

    Eu não sou maconheiro. Acho importante deixar isso claro antes de começar essa coluna que, hoje especialmente, se divide em dois temas que queria muito falar. O primeiro é esse que já puxei na primeira frase. Essa semana saiu uma mini-crítica (péssimo formato que a Folha de São Paulo tenta empurrar nos leitores) sobre novo DVD de Otto. O tal MTV Apresenta. Quem escreve é Ronaldo Evangelista, free-lancer que colabora com muita frequência para o jornal.

    A Folha de São Paulo pode ser o maior e mais influente jornal do país, mas está longe de ser uma empresa modelo. Os jornalistas trabalham sem carteira assinada, não recebem em dia, os computadores quebram e falta energia, igual toda outra empresa do Brasil. E tem um péssimo hábito de contratar pessoas específicas, como Evangelista, para explicitamente falar mal dos produtos que eles não querem boa recepção.

    Fale mal sim. Eu faço isso o tempo todo. Mas o que Ronaldo fez foi um completo desrespeito ao trabalho do crítico de música. Além de chamar Otto de indulgente, a justificativa que ele dá para o DVD ser ruim é a seguinte: é música de maconheiro. Ora, tenha paciência. Eu não suporto reggae e nem por isso justifica, usar um argumento pobre desses é inaceitável.

    Além do que o DVD é muito legal. Principalmente na música, que aviso aqui que não costuma me agradar tanto. Anjos do Asfalto, que abre, está mil vezes à frente da versão original. A única parte realmente ruim do show são as imagens. A MTV podia ter sido mais ousada e usar mais de dois planos de câmera. É torcer para que o público saiba evitar esse tipo de trabalho mal feito.

    **
    Vou usar a frase que Bruno Souto, da Volver, usou no show que fez em Cuiabá: “Levantem seus traseiros gordos”. Bandas do Recife, criem vergonha na cara e parem de ficar culpando Paulo André e o Abril pro Rock por seus problemas. Semana passada a banda The Playboys fez uma musiquinha bem engraçada no programa de Roger, chamada “Paulo André não me ouve”. Vindo deles, pode até parecer piada, mas é um discurso muito comum.

    Tive a oportunidade de conhecer o Festival do Sol, em Natal, e sinceramente eles estão dando aula aqui pra gente. As bandas lá não querem esperar pelo Mada e estão criando seus próprios espaços. Nada do outro mundo, muito pelo contrário, sempre com o pé no chão. O que o Do Sol fez foi apostar no próprio trabalho, fazer uma coisa com proporções de Nordeste.

    As bandas não percebem, mas estão se esgotando em esquemas pequenos demais. Podiam parar com essa história de “Dia D” e “Na Brodagem”, não ter medo de se misturar e fazer um evento de porte regional. Chamar grupos legais de outros estados, uma atração que vale à pena ver, coisa do tamanho do Ludov ou do Gram. Ninguém está se iludindo que uma banda internacional vá aparecer aqui no fim de semana, e todo mundo está interessado em ver shows que valem a pena.

    Faz-se o bafafá, chama imprensa de fora, gente de selo, tudo bem organizado, depois é só colher. Os nomes vão circular, as bandas ganham porte e responsabilidade para se articular em eventos como Ceará Music, Festival de Verão de Salvador. Afinal, se o Recife tem tanta música, como é que só tem um evento que realmente faz diferença?

    Saideras

    * Melhores do país
    Fabrício Nobre, da Monstro Discos (um dos maiores selos hoje no Brasil), disse numa conversa sem compromissos em Natal: “Leo D e William P são os melhores do Brasil”. Se você não sabe quem são, esse deve ser um dos motivos pelo qual o disco da sua banda é tão ruim.

    * Rock com coca
    O maior festival de rock da Turquia, o Rock’n’Coke, tem na programação deste ano o Apocalyptica, Korn, Offspring, The Cure… e Nação Zumbi! Maloqueiro de Olinda é assim, você dá uma passagem para França e ele já sai ocupando todos os espaços ao redor.

    * Estava na hora
    O Mombojó assinou contrato com a Trama. Segundo um dos presidentes, André Szejman, será apenas para distribuição do disco Nadadenovo pelo selo Trama Virtual. Já Felipe S. diz que, na verdade, será para produzir o segundo disco. A verdade é que ainda está no esquema advogado / advogado.

    * Volver nas dunas

    Já está confirmado, o Volver está na escalação do festival Mada, música alimento da alma (péssimo esse nome) de 2006. Parece que a banda não pára nem mesmo com pneumonia.

    * Balaio de coisas

    Estava achando tudo meio parado? Esse semana começa a ser vendida a nova versão da Galpão do Rock, revista sobre rock local. Também estréia no canal 14, a nova Estação TV, um programa de videoclipes comandado por China. No mesmo canal, umas garotas também estão fazendo um programa bem curioso sobre Internet.

    Seção – Coluna

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