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    Sweet Fanny Adams ao vivo no DoSol. Foto de Rafael Passos

    A primeira vez que eu vi um show da Sweet Fanny Adams – que também era uma das primeiras vezes que eles começavam a se apresentar – a banda parecia uma péssima aposta para boa parte dos observadores. Eles demoravam uma eternidade entre cada música, recheando o show com silêncio e desconforto. É difícil até dizer que essa banda que tocou na primeira noite do festival DoSol é aquela mesma que tentava arriscar uma vaga no Abril Pro Rock em um concurso para estudantes. Depois de circular por todo o Brasil, aparecer em vários festivais e até arriscar um show em Nova York no CMJ, a Sweet Fanny Adams chegou naquele ponto ideal em que até uma apresentação ruim deles é muito boa.

    Não que o show do festival DoSol tenha sido ruim. Mas resgatou um pouco da lembrança dos primeiros meses de vida da banda. Recheado de covers que demandam uma boa bagagem de um público bem jovem, a presença de músicas de Echo and the Bunnyman mostra que o atual ócio da banda, que diminuiu bastante o ritmo de apresentações, não parece estar sendo gasto em novas músicas ou um possível novo álbum. Por hora, isso parece fazer a alegria de um parte mais velha do público presente, que curtiu bastante as versões, e também do mais novo, que canta tudo que é do Sweet Fanny Adams.

    É possível que a sensação de desperdício possa ter sido sentida por mais alguém além de mim. Existe demanda e uma simpatia enorme pelo Sweet Fanny Adams no Nordeste (e, ok, fora dele também. Mas vamos começar pequeno aqui). Canções como “Hate Song #3″ já soam como clássicos e mesmo as mais recém lançadas são acompanhadas pelo coro do público. As pessoas gostam de dançar e o bom humor deles no palco contagia. Tudo isso sempre pede por mais. Talvez o período de troca de bateristas é que esteja atrasando isso, mas a participação de Gerardo nesse show pode indicar que a busca por um novo integrante já acabou.

    Parece brincadeira dar todo esse rodeio na necessidade por “mais sweet fanny adams” para concluir, também, que levar a carreira a sério demais pode ser um passo perigoso para eles. O clima de diversão é fundamental em cada segundo do show. O descompromisso deles é um verdadeiro convite a festa. Encontrar o balanço perfeito entre esses dois mundos parece ser um bom combustível para incentivar a banda.

    Seção – Blog

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    Anton Ego. O crítico gastronômico da animação Ratatouille

    “De muitas maneiras, o trabalho de um crítico é fácil. Nós arriscamos muito pouco e ainda assim aproveitamos uma posições superior sobre aqueles que nos oferecem seu trabalho para nosso julgamento. Nós prosperamos na crítica negativa, que é divertida de escrever e ler. Mas a verdade amarga que nós críticos precisamos enfrentar é que, no grande esquema das coisas, a porcaria mais mediana produzida é mais significativa que tudo que se propõe o trabalho da crítica. Mas existem momentos em que a crítica realmente se arrisca, e isso é na descoberta e defesa pelo novo…”.

    – Anton Ego, personagem fictício na aminação Ratatouille

    Quando eu fui contratado pela primeira vez em um jornal já foi para fazer crítica de música. Meio assustado com o que fazer – lembro que o primeiro CD que me deram foi logo um de Chico Buarque – fui bombardeado de informações, dicas e sugestões de como conduzir meu trabalho. Meus “concorrentes” eram não apenas antigos e experientes jornalistas, mas pessoas que tinham escrito parte da história da música de Pernambuco. Acabei indo fazer uma especialização em jornalismo cultural apenas para me dar mais segurança e pensar que eu tinha algo a meu favor. A especialização virou um mestrado que, agora, virou um doutorado. E minha tese é sobre a função da crítica de música.

    Talvez o melhor conselho que recebi foi o de ser honesto, quando escrevesse, com quem eu realmente sou. Me dei conta que, assim como eu começava na carreira, tinha muita coisa começando na música na cidade também. E meu esforço maior foi para escrever sobre as novas bandas que, até então, sequer apareciam em jornais. Comprei uma briga. Falei mal de quem era consagrado e ressaltei quem era totalmente desconhecido. E mesmo já tendo recebido até uma ameaça nominal por email, nunca acreditei tanto assim no poder e força da crítica. Ainda mais sobre uma nova cena independente.

    É engraçado cortar o tempo e me ver hoje na sexta edição do festival DoSol – que também começou junto comigo – onde bandas que ninguém dava a mínima na época passearam com ídolos na cidade. Entre elas o Black Drawing Chalks, que deve ser hoje uma das cinco melhores bandas de rock do Brasil e com potencial até de entrar num ranking internacional (bem maior, claro). Tocaram do Acre ao Rio Grande do Sul, em importantes festivais no Estados Unidos, Canadá, no SWU e o escambau. Tem até uma coisa que quase nenhuma banda de rock tem, que são hits. Todo mundo canta, dança e as meninas se enloquecem com eles.

    Conversando com Douglas, baterista da banda, no backstage / camarim do festival no final da primeira noite, ele comentou de um texto que eu escrevi quando a banda lançou o primeiro disco. Na época a Monstro lançava três discos. O deles, do Valentina e do Violins. Escrevi sobre os três num só texto e, no final, disse que o Black Drawing Chalks não fazia um “bom começo de carreira” porque o disco “atirava para todos os lados”, coisa comum de se ver em primeiros discos. Ele disse que, por causa do que eu escrevi, o selo decidiu apostar um pouco menos no momento da banda, para que ela circulasse mais um pouco, enquanto as outras ganhariam mais atenção.

    É irônico pensar duas coisas. Primeiro, que as duas bandas que falei bem acabaram, e que eles, que eu disse que ainda estavam tímidos, chegaram mais longe que qualquer pessoa poderia apostar que uma banda de Goiânia chegaria. Em segundo lugar, pesou na minha consciência a minha proposta de tese de doutorado. De que a crítica de música que é publicada em jornais não consegue mais exercer influência definitiva na cadeia produtiva da música. E que o público tem um poder de aposta muito maior que o jornalista. O treco todo é mais complicado que isso e, com o tempo vou falar mais sobre isso aqui.

    Mas fiquei pensando como não existe uma boa força crítica pensando a cena independente brasileira. Temos centenas de blogs e novos sites. Mas numa vista rápida, é clara a presença maior de nomes internacionais nos textos, assim como o interesse por eventos maiores. E como isso faz com que esforços isolados, como o meu e de um número de pessoas que a gente pode contar nos dedos, acaba tendo uma influência enorme no trabalho dessas pessoas. Será que existe essa consciência da parte de quem escreve? Até onde essa relação entre nova mídia e nova cena não é de cumplicidade ou mera “mimica” do que um jornal maior faz sobre um disco de medalhão da MPB?

    A indústria da música não muda. As bandas continuam atrás de selos e gravadoras para lançar discos e álbuns. A indústria do jornalismo parece também não mudar. Estamos ambos fazendo a mesma coisa de 40 anos atrás, só que numa plataforma diferente. Será que é importante – ou mesmo se precisa – mudar? O que vai definir essa mudança?

    Seção – Blog

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    A Banda de Joseph Tourton. Foto de Flora Pimentel

    Em dezembro eu comentei aqui no blog que a turma do Fora do Eixo estava montando um circuito de shows completo no Nordeste. A idéia era aproveitar as cidades de interior e proximidade geográfica para garantir um calendário diário – isso mesmo, todos os dias – de shows. Agora, a rota se juntou ao do sudeste em um número quase assustador: 35 shows em 40 dias. A banda argentina Falsos Conejos, junto com a pernambucana A Banda de Joseph Tourton, já passaram por 18 cidades em outubro e começo de novembro. A primeira aproveita para lançar um disco via Compacto.REC, plataforma também do Fora do Eixo para álbuns virtuais; enquanto a segunda lança o disco gravado com patrocínio da Petrobras.

    A turnê chega hoje ao Nordeste, onde eles passam por mais 14 cidades. O calendário aproveita alguns “eventos satélite” como o festival DoSol em Natal e o Festival Mundo, em João Pessoa. Somente em Pernambuco que as bandas não passam por nenhuma cidade do interior e tocam apenas na capital, Recife. O resultado da articulação é realmente impressionante. Afinal, por mais que alguém vá questionar a quantidade de público em cidades de interior ou noites no dia da semana, chegar lá e fazer essa rota acontecer no Brasil é um avanço importante para pensar em um “mercado independente” sério.

    Quem quiser acompanhar o bate-perna deles, olha o restante das datas:

    05/11 – Vitória da Conquista (BA) – Viela Sebo Café 06/11 – Feira de Santana (BA) – ArtBrasil 07/11 – Salvador (BA) – Espaço Cultural Dona Neuza 08/11 – Aracaju (SE) – Rua da Cultura 09/11 – Maceió (AL) – Banga Bar 11/11 – Campina Grande (PB) – Bronx Bar 12/11 – Cajazeiras (PB) – Praça da Prefeitura

    13/11 – João Pessoa (PB) – Festival Mundo – Usina Cultural Energisa

    14/11 – Natal (RN) – Festival DoSol – Casa da Ribeira 15/11 – Pium (RN) – Festival DoSol – Circo da Luz 16/11 – Mossoró (RN) – Quintura Bar 17/11 – Fortaleza (CE) – Buoni Amici’s 18/11 – Crato (CE) – Terraços

    19/11 – Recife (PE) – Canal das Artes

    Seção – Blog

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    Volver ao vivo no Festival de Inverno de Garanhuns. Foto de Rafa Medeiros

    O segundo disco da Volver, “Acima da Chuva”, foi definitivamente um marco na carreira da banda. Depois dele os integrantes se mudaram de Recife para São Paulo e aumentaram a campanha nacional que, após fazer o circuito completo dos independentes, culminou em uma apresentação no gigante SWU. Agora eles estão de volta a Recife e já na produção do novo álbum que deve se chamar “Próxima Estação”. Ele vai ser gravado em parceria com a faculdade AESO, que tem um curso de produção fonográfica, e produzido por Leo D, que já trabalhou com a banda antes. O lançamento será pelo SenhorF.

    Todo o processo está sendo registrado em um blog. O vocalista Bruno Souto já adiantou lá que a idéia para “Próxima Estação” é “mais canção e menos firula”. Já é possível ver uma previsão das 12 faixas – sendo uma delas uma versão acústica para que dá nome ao disco – e sentir um pouco do clima que vem por ai. “canções novíssimas, outras nem tanto, que traduzem (ou tentam) nosso momento, nossas saudades e expectativas. Retratos e leituras de muito do que experimentamos em um passado recente e a fome de um futuro que desejamos que seja, simplesmente, nosso”

    “Acima da Chuva”, segundo disco deles, é o campeão de downloads aqui no Pop up. Quem não baixou ainda, baixa aqui ó.

    Seção – Blog

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    Thiago Pethit

    Em março de 2011 o South by Southwest, o mais disputado festival internacional por artistas brasileiros no momento, completa 25 anos de história. Por enquanto eles divulgaram uma parte da programação de shows, que entre Klaxons e Mstrkrft terá a dupla Thiago Pethit e Tié e a banda de curitiba Rosie and Me. A relação deve aumentar, afinal, de Vander Lee a Curumin, o festival não tem muita restrição a quem vai tocar lá, desde que consiga arcar com os custos.

    O SXSW também divulgou sua programação de panéis (palestras, debates, etc). Essa bem mais interessante e chamativa, que pretende discutir as relações da nova indústria da música com absolutamente tudo. Apesar do enfoque em tecnologia que fez o evento famoso, tem debate sobre absolutamente tudo. Desde sobro como o heavy metal pode interagir com esse mercado hypado pelo indie, a propostas para unir a indústria da música com a de gastronomia (essa eu queria ver!) e como transformar sua banda em uma empresa (soa familiar?).

    Um painel específico me chamou mais atenção. “Oh Canada: Your Guide to Touring in Canada“. Basicamente um bate papo sobre como artistas podem entender e interagir com o mercado de música do país. Quais cidades vale a pena tocar, quais os agentes mais ativos, como gerar atenção da mídia no país, etc. Bem que o Brasil, que já é parceiro antigo do festival, poderia montar um desses por lá, né turma da Abrafin?

    Seção – Blog

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