Terceira noite no DoSol « Pop up!

Antes, o lançamento da revista Coquetel Molotov:

Primeira música, chega o cidadão, “toca um dance ai, valeu? Ou um house”. Segunda música, menina simpática “Não tem Red Hot? e Los Hermanos? Pô, toca um som que não seja de maconheiro”. Terceira música, “Pra que tu trouxe um laptop pra cá? Vai trabalhar? Ah, o som? Po, vamo fazer uns eventos aí”. Quarta música, “eu sou groupie de DJ, sabia? Mas não é de dar para o DJ, é de ajudar só. Deixa eu ver suas músicas ai”.

Nessa eu desisti, e coloquei o programa no aleatório com mixagem automática.

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Passei o sábado em Natal me recuperando da ressaca (vodka + cerveja + whisky), então no domingo eu estava literalmente novo para o festival. Cheguei pela primeira vez em ponto. Eu e um exército inteiro de pessoas, em plenas 15h, já mostrando que aquele seria o dia mais movimentado. No show do Traumam o bar DoSol já desafiava qualquer um a entrar. A turma do hardcore não brinca em serviço em Natal.

A dinâmica da noite era mais ou menos assim: um show de hardcore, um de metal. Mas as vezes a troca ficava confusa. O Ravanes, por exemplo, é claramente uma banda cheia de referências ao metal, mas tinha um som com os dois pés fincados no HC. Sem o antigo vocalista, um dos grandes achados do rock potiguar que infelizmente faleceu em um acidente no palco, a banda resolveu honrar o companheiro sem substituí-lo. Pareceu que a banda perdeu um pouco do ritmo antigo, como quem ainda está se ajustando.

A partir daqui, confesso, assisti tudo bem de longe. Entrar em algum dos dois palcos era algo difícil. O DoSol já superava o público de todas as noites, então se movimentar era difícil e, surpreendentemente, todo o espaço interior era uma grande roda de pogo. Você tinha duas opções: assistia da janela ou entrava na brincadeira. Fiquei na janela. Perdi o show do Levante para poder entrar no palco do bar a tempo de ver o Jason desde o começo.

Não fiquei com peso na consciência. No caso das bandas do domingo, a sensação do replay é muito grande. As bandas se parecem muito, porque sempre tem a mesma referência, chegando até a tocar covers parecidos. É preciso pensar no festival como uma peneira. Se você não procurar fazer algo diferente, original, próprio, entra no borrão da memória. Ninguém te leva para casa no fim.

Repetir perde o sentido quando chega uma banda como o Jason, do Rio de Janeiro. Esse é o melhor show deles, porque é a comemoração dos 10 anos da banda. Então é só hit, num repertório que passa das 20 músicas. O novo vocalista é sensacional porque tem carisma e presença boa de palco. Comunicação direta com o público, sem parar um segundo. É inevitável falar que a banda agora é acompanhada pelo Barba, ex-Los Hermanos. Tão inevitável quando dizer que ele soma velocidade e violência nas baquetas à altura do Jason.

O Jason + o Nation Blue foram as únicas bandas (fora as headliners) que tocaram nos três festivais que rolaram no mesmo fim de semana. Além do DoSol, o Aumenta que é Rock e o Ponto CE. Perguntei a diferença ao Barba. “Na verdade só tem uma semelhança entre eles, que é o Nordeste. Porque um é palcão, estilo festival de verão, outro é um palco só e esse são duas casas fechadas, então o clima dos shows é sempre muito diferente“. E qual foi o melhor? “Pra mim tá sendo esse. O som tava bom pra mim, a gente fica junto com o público, é legal“.

Depois de entrevistar o Nation Blue, criei expectativa para o show deles. Não correspondeu. Eles prometerem o inferno na terra e, apesar de terem feito um show muito bom, ficou aquela sensação de “mas peraí, cade tudo aquilo que você falou?”. Foi a exata pergunta que fiz para o baixista depois. “Eu quebrei três cordas, você não viu?“. Paciência. Segundo ele, não existe nada semelhante na Austrália. As pessoas só chegam para assistir a atração final, enquanto no Brasil o público marca presença já no início.

O outro grande momento da noite só chegou no final. Impressionante o público do Matanza em Natal. Cada centímetro livre era ocupado por alguém. O DoSol é o único festival de rock do país onde o produtor, a assessora de imprensa, o técnico de som e o designer todos sobem no palco para dar mosh. E foi uma avalanche de gente pulando do palco, menina tirando a blusa para o Jimmy London (que na real, não sei se vocês sabem, se chama Bruno também), roda de pogo, até… bom, até às 23h, afinal, era domingo.

Nos mandamos para uma lanchonete, eu e Guilherme, parte da produção e o Matanza para celebrar o fim da noite. A volta para o Recife foi bem cedo, às 7h30, para pegar o desconto na passagem e conseguir chegar em casa a tempo de dormir a segunda-feira inteiro. Depois de mandar matéria para o jornal, claro.

E reforçando: cobertura mais completa e responsável no blog do zine Lado R

E, aos poucos, a programação do Pop up vai voltando ao normal.

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