Abril pro Rock 2005: Segundo dia « Pop up!

O impacto da primeira noite do Abril pro Rock foi tanto que, no show do sábado o assunto principal que se falava pelo pavilhão do Centro de Convenções ainda era a noite de sexta-feira. Segundo a organização do evento, o público médio foi de nove mil pessoas (sendo cerca de 500 convidados não-pagantes). Para se ter uma idéia, no ano passado, a primeira noite do festival reuniu três mil pessoas, já contando com os convidados. O espanto só dava espaço para um outro assunto no dia, a expectativa de qual reação o público teria com a atração Massacration.

Quem veio de fora chegou a pensar que a primeira apresentação já era uma atração de peso do sábado. Abrindo a noite, a local Silent Moon mostrou a união do público de metal do Recife, que fez questão de fazer volume desde cedo nos shows. Em seguida, o Chaosphere foi a primeira a se beneficiar com o esperado atraso do Sepultura, que veio direto de outro show em São Paulo, e pôde ficar mais tempo no palco.

Uma curiosidade na apresentação seguinte, do Dead Fish, é perceber como o Recife é um reflexo da carreira da banda. Na primeira apresentação, no finado Dokas, a banda era completamente desconhecida e hoje cativa um público carente até mesmo por um olhar. Foi o primeiro show da noite a lotar de gente até onde a vista alcançava no palco.

O vocalista Rodrigo, não se deixa iludir: “a gente sempre teve muito pé no chão, então encaramos esse crescimento da banda com grande naturalidade, aproveitando o máximo possível”.

Com o público bastante cansado e esperando ansioso para a presença do Massacration, os baianos da Retrofoguetes foram os maiores injustiçados da noite. Mesmo com um show excelente, emplacaram apenas alguns poucos curiosos na frente do palco. O guitarrista Morotó arrisca ainda um outro motivo. “O Brasil tem uma cultura de vocalistas muito forte e sempre mostra resistência para uma banda totalmente instrumental”.

Se existia alguma dúvida da recepção que os comediantes da MTV, Hermes & Renato, teriam ao fazer gozação da cara dos fãs de heavy metal, ela acabou já na introdução da banda.

O personagem agora era um cantor de MPB, fazendo poesia com o violão, até ser espancado pelo sem noção Joselito, anunciando a entrada da “maior banda de metal do universo”. Numa apresentação de pouco mais de 20 minutos, o pavilhão do Centro de Convenções teve a maior concentração de público na noite.

A grande ironia do sábado foi o Massacration ter deixado o público do Shaman (uma banda de metal de verdade) bem cansado no show.

Mais uma vez, para garantir a presença do Sepultura, a apresentação teve que ser esticada e somente um pequeno grupo de pessoas insistia em bater cabeça perto do palco, com o resto assistindo com muito mais calma. Mesmo assim, o grupo não deixou de fazer reverências ao Recife, que foi o primeiro palco da banda.

Com quase duas horas de atraso, o Sepultura mostrou que tem sempre energia de sobra para dar ao público. Começaram com uma apresentação profissional até nos diálogos com a platéia, mas logo abriram o repertório para fazer um show com a cara deles, fazendo covers de Black Sabbath e atendendo aos pedidos dos fãs.

Publicado originalmente no dia 18 de abril de 2005

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