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Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

Eu não sou maconheiro. Acho importante deixar isso claro antes de começar essa coluna que, hoje especialmente, se divide em dois temas que queria muito falar. O primeiro é esse que já puxei na primeira frase. Essa semana saiu uma mini-crítica (péssimo formato que a Folha de São Paulo tenta empurrar nos leitores) sobre novo DVD de Otto. O tal MTV Apresenta. Quem escreve é Ronaldo Evangelista, free-lancer que colabora com muita frequência para o jornal.

A Folha de São Paulo pode ser o maior e mais influente jornal do país, mas está longe de ser uma empresa modelo. Os jornalistas trabalham sem carteira assinada, não recebem em dia, os computadores quebram e falta energia, igual toda outra empresa do Brasil. E tem um péssimo hábito de contratar pessoas específicas, como Evangelista, para explicitamente falar mal dos produtos que eles não querem boa recepção.

Fale mal sim. Eu faço isso o tempo todo. Mas o que Ronaldo fez foi um completo desrespeito ao trabalho do crítico de música. Além de chamar Otto de indulgente, a justificativa que ele dá para o DVD ser ruim é a seguinte: é música de maconheiro. Ora, tenha paciência. Eu não suporto reggae e nem por isso justifica, usar um argumento pobre desses é inaceitável.

Além do que o DVD é muito legal. Principalmente na música, que aviso aqui que não costuma me agradar tanto. Anjos do Asfalto, que abre, está mil vezes à frente da versão original. A única parte realmente ruim do show são as imagens. A MTV podia ter sido mais ousada e usar mais de dois planos de câmera. É torcer para que o público saiba evitar esse tipo de trabalho mal feito.

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Vou usar a frase que Bruno Souto, da Volver, usou no show que fez em Cuiabá: “Levantem seus traseiros gordos”. Bandas do Recife, criem vergonha na cara e parem de ficar culpando Paulo André e o Abril pro Rock por seus problemas. Semana passada a banda The Playboys fez uma musiquinha bem engraçada no programa de Roger, chamada “Paulo André não me ouve”. Vindo deles, pode até parecer piada, mas é um discurso muito comum.

Tive a oportunidade de conhecer o Festival do Sol, em Natal, e sinceramente eles estão dando aula aqui pra gente. As bandas lá não querem esperar pelo Mada e estão criando seus próprios espaços. Nada do outro mundo, muito pelo contrário, sempre com o pé no chão. O que o Do Sol fez foi apostar no próprio trabalho, fazer uma coisa com proporções de Nordeste.

As bandas não percebem, mas estão se esgotando em esquemas pequenos demais. Podiam parar com essa história de “Dia D” e “Na Brodagem”, não ter medo de se misturar e fazer um evento de porte regional. Chamar grupos legais de outros estados, uma atração que vale à pena ver, coisa do tamanho do Ludov ou do Gram. Ninguém está se iludindo que uma banda internacional vá aparecer aqui no fim de semana, e todo mundo está interessado em ver shows que valem a pena.

Faz-se o bafafá, chama imprensa de fora, gente de selo, tudo bem organizado, depois é só colher. Os nomes vão circular, as bandas ganham porte e responsabilidade para se articular em eventos como Ceará Music, Festival de Verão de Salvador. Afinal, se o Recife tem tanta música, como é que só tem um evento que realmente faz diferença?

Saideras

* Melhores do país
Fabrício Nobre, da Monstro Discos (um dos maiores selos hoje no Brasil), disse numa conversa sem compromissos em Natal: “Leo D e William P são os melhores do Brasil”. Se você não sabe quem são, esse deve ser um dos motivos pelo qual o disco da sua banda é tão ruim.

* Rock com coca
O maior festival de rock da Turquia, o Rock’n’Coke, tem na programação deste ano o Apocalyptica, Korn, Offspring, The Cure… e Nação Zumbi! Maloqueiro de Olinda é assim, você dá uma passagem para França e ele já sai ocupando todos os espaços ao redor.

* Estava na hora
O Mombojó assinou contrato com a Trama. Segundo um dos presidentes, André Szejman, será apenas para distribuição do disco Nadadenovo pelo selo Trama Virtual. Já Felipe S. diz que, na verdade, será para produzir o segundo disco. A verdade é que ainda está no esquema advogado / advogado.

* Volver nas dunas

Já está confirmado, o Volver está na escalação do festival Mada, música alimento da alma (péssimo esse nome) de 2006. Parece que a banda não pára nem mesmo com pneumonia.

* Balaio de coisas

Estava achando tudo meio parado? Esse semana começa a ser vendida a nova versão da Galpão do Rock, revista sobre rock local. Também estréia no canal 14, a nova Estação TV, um programa de videoclipes comandado por China. No mesmo canal, umas garotas também estão fazendo um programa bem curioso sobre Internet.

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